
CARTA À IGREJA EM PÉRGAMO
Uma igreja fiel em meio à pressão, mas tolerante com o erro
Referência Bíblica | Apocalipse 2.12-17
E ao anjo da igreja que está em Pérgamo escreve: Isto diz aquele que tem a espada aguda de dois fios... - Apocalipse 2:12.
INTRODUÇÃO
A igreja de Pérgamo era uma comunidade cristã situada em um
ambiente extremamente hostil à fé. Jesus reconhece que aqueles irmãos viviam
onde estava o chamado “trono de Satanás”, expressão que revela a intensa
presença da idolatria, do culto ao imperador e da oposição espiritual
enfrentada pelos cristãos daquela cidade.
Apesar da pressão, a igreja havia demonstrado coragem. Os
cristãos de Pérgamo não haviam abandonado o nome de Cristo, nem mesmo quando um
deles, Antipas, foi morto por causa de sua fidelidade ao Senhor.
Entretanto, havia um problema sério dentro da própria
igreja. Se por um lado os crentes resistiam às pressões externas, por outro
estavam permitindo que falsos ensinamentos encontrassem espaço dentro da
comunidade.
A carta a Pérgamo nos ensina uma verdade fundamental: não
basta permanecer firme diante da perseguição; é igualmente necessário
permanecer firme diante do erro doutrinário e moral.
Uma igreja pode ser corajosa diante do mundo e, ainda assim,
tornar-se tolerante com aquilo que Deus condena.
CONTEXTO HISTÓRICO
Pérgamo era uma das cidades mais importantes da província
romana da Ásia. Localizava-se aproximadamente 80 quilômetros ao norte de
Esmirna e havia sido durante muitos anos a capital administrativa da região.
A cidade estava construída ao redor de uma elevada colina,
onde se encontravam diversos templos e monumentos religiosos. Era um importante
centro político, cultural e religioso do mundo antigo.
Uma cidade marcada pela idolatria
Pérgamo possuía templos dedicados a várias divindades gregas
e romanas, entre elas:
- Zeus;
- Atena;
- Dionísio;
- Asclépio.
O culto a Asclépio, considerado pelos gregos o deus da
medicina e da cura, era especialmente importante na cidade. Seu símbolo era uma
serpente.
Além disso, Pérgamo tornou-se um importante centro do culto ao imperador romano.
Os cidadãos eram incentivados — e em determinados contextos
pressionados — a demonstrar sua lealdade ao Império reconhecendo César como
senhor.
Para os cristãos, isso criava um grave conflito, pois sua
confissão fundamental era: “Jesus Cristo é o Senhor.”
Assim, viver em Pérgamo significava conviver diariamente com
idolatria, paganismo e pressões religiosas.
É nesse contexto que Jesus declara: “Eu sei as tuas obras e onde habitas, que é onde está o
trono de Satanás...” -Apocalipse 2:13.
A expressão “trono de Satanás” provavelmente aponta para
o conjunto de forças religiosas, políticas e espirituais que transformavam
Pérgamo em um poderoso centro de oposição ao Evangelho.
Aplicação
A Igreja de Cristo não foi chamada para existir apenas em
ambientes favoráveis.
Pérgamo nos mostra que é possível ser fiel a Cristo mesmo
quando a sociedade ao redor segue valores completamente diferentes dos
ensinados pelas Escrituras.
A fidelidade cristã não depende do ambiente em que
estamos, mas da convicção que carregamos.
ELOGIO À IGREJA
“Reténs o meu nome e não negaste a minha fé” - Apocalipse 2.13
Jesus começa demonstrando que conhece perfeitamente a
situação daquela igreja.
Ele diz: “Eu sei onde você mora.” Isso é extremamente consolador. Cristo conhecia as dificuldades enfrentadas pelos crentes de
Pérgamo. Ele sabia:
- das pressões;
- das perseguições;
- das tentações;
- das ameaças;
- do ambiente religioso;
- e dos riscos envolvidos em confessar publicamente a fé
cristã.
Mesmo diante dessas dificuldades, os cristãos haviam
permanecido firmes.
Jesus destaca duas atitudes:
1. Eles retiveram o nome de Cristo - “Reténs o meu nome” significa permanecer ligado à identidade
e autoridade de Jesus. Eles não esconderam quem seguiam. Não trocaram Cristo pela aprovação da sociedade.
2. Eles não negaram a fé - A fidelidade dessa igreja havia sido colocada à prova de
maneira extrema. Jesus menciona especificamente:
Antipas - “...ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o
qual foi morto entre vós...” - Apocalipse 2.13
Não temos muitas informações bíblicas sobre Antipas. O
texto, porém, registra aquilo que realmente importa: ele permaneceu fiel até a morte.Observe a expressão usada por Jesus: “Minha fiel testemunha.” É uma honra extraordinária. Antipas perdeu a vida terrena, mas recebeu a aprovação
daquele que possui a vida eterna.
AplicaçãoExiste uma diferença entre simplesmente professar a fé e
permanecer fiel quando essa fé possui um preço. É fácil confessar Cristo quando não existe oposição.A verdadeira fidelidade aparece quando obedecer a Deus
implica algum tipo de perda.
Precisamos perguntar: Continuaremos fiéis quando seguir Jesus deixar de ser
conveniente?
CRÍTICA À IGREJA
Apesar dos elogios, Jesus declara: “Mas umas poucas coisas tenho contra ti...” - Apocalipse 2.14Esse “mas” muda completamente o tom da carta. A igreja havia resistido à perseguição externa, porém
permitia corrupção interna. Jesus menciona dois problemas.
A doutrina de Balaão - “Tens lá os que seguem a doutrina de Balaão...” - Apocalipse 2.14Balaão aparece principalmente em Números 22–25 e 31.16. Ele não conseguiu amaldiçoar diretamente Israel, mas seu
nome ficou associado à estratégia de levar o povo de Deus ao pecado por meio da
sedução, idolatria e imoralidade. Apocalipse declara que Balaão ensinou Balaque “a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, para
que comessem dos sacrifícios da idolatria e se prostituíssem.”A estratégia era simples e perigosa: se não é possível destruir o povo de Deus atacando-o de
fora, tente corrompê-lo por dentro. Essa era exatamente a ameaça enfrentada por Pérgamo.
A doutrina dos nicolaítas - Jesus também declara: “Assim, tens também os que seguem a doutrina dos
nicolaítas, o que eu aborreço.” - Apocalipse 2.15Os nicolaítas já haviam sido mencionados na carta à igreja
de Éfeso. Em Éfeso, as obras dos nicolaítas eram rejeitadas. Em Pérgamo, porém, alguns estavam aceitando seus
ensinamentos. Embora não tenhamos informações suficientes para reconstruir
todos os detalhes dessa doutrina, o contexto de Apocalipse relaciona esses
ensinamentos à acomodação do cristianismo às práticas pagãs e à imoralidade. O grande problema de Pérgamo pode ser resumido em uma
palavra:
Tolerância - A igreja não necessariamente havia abandonado Cristo. Mas estava permitindo dentro dela pessoas que ensinavam
aquilo que Cristo condenava. Aqui encontramos uma importante advertência: amor sem verdade torna-se permissividade.A igreja deve receber pecadores com amor, pois todos
necessitamos da graça de Deus. Entretanto, não pode transformar pecado em
virtude nem erro em doutrina aceitável.
Um contraste importante - Éfeso tinha doutrina, mas havia perdido o primeiro amor. Pérgamo tinha fidelidade, mas estava tolerando o erro. A igreja saudável precisa das duas coisas: verdade e amor.
CONSELHO À IGREJAA orientação de Jesus é direta: “Arrepende-te, pois...” - Apocalipse 2.16Cristo não apresenta uma sugestão. Ele apresenta uma ordem.
Arrepende-te - Arrependimento significa reconhecer o erro, mudar a mente e
mudar a direção. A igreja precisava deixar de tolerar aquilo que contrariava
a Palavra de Deus.Jesus continua: “quando não, em breve virei a ti e contra eles
batalharei com a espada da minha boca.” A espada já havia aparecido na apresentação de Cristo: “Isto diz aquele que tem a espada aguda de dois
fios.” - Apocalipse 2.12 A espada representa a autoridade da palavra e do julgamento
de Cristo.Existe aqui uma verdade séria: se a igreja não julgar seus caminhos pela Palavra, um dia
Cristo julgará a igreja por sua Palavra. Por isso, uma igreja saudável precisa constantemente
examinar:- sua doutrina;- seus valores;- suas práticas;- sua liderança;- sua vida espiritual.Não devemos perguntar apenas: Isso é popular? ou: “Isso funciona?” A pergunta fundamental deve ser: “Isso está de acordo com a Palavra de Deus?”
PROMESSA À IGREJAJesus encerra a carta apresentando uma maravilhosa promessa: “Ao que vencer darei eu a comer do maná escondido e
dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém
conhece senão aquele que o recebe.” - Apocalipse 2.17 A promessa possui duas imagens importantes.
1. O maná escondido - O maná lembra a provisão de Deus durante a caminhada de
Israel pelo deserto. Enquanto o mundo oferecia aos cristãos de Pérgamo os
banquetes ligados à idolatria, Cristo oferecia algo infinitamente superior: o alimento que vem de Deus.
Precisamos perguntar: Continuaremos fiéis quando seguir Jesus deixar de ser conveniente?
Apesar dos elogios, Jesus declara: “Mas umas poucas coisas tenho contra ti...” - Apocalipse 2.14

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