Pastor Ademar Rodrigues

Este Blog tem por objetivo explorar temas relacionados à Educação Cristã e ao Ensino Bíblico. Acredito que o conhecimento das Escrituras é essencial para o crescimento espiritual e a formação de discípulos comprometidos. Neste espaço, compartilho insights, reflexões e recursos para enriquecer sua jornada de fé.
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sexta-feira, 15 de agosto de 2025

LIÇÃO 7 - UMA IGREJA QUE NÃO TEME A PERSEGUIÇÃO

 3° TRIMESTRE DE 2025  EBD ADULTOS


TEXTO ÁUREO
“Porém, respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.”
(Atos 5.29)

VERDADE PRÁTICA
Em relação à verdadeira Igreja Cristã há duas verdades inegáveis: 1) a Igreja será perseguida;
2) Deus a protegerá.

LEITURA DIÁRIA

 Segunda – João 16.33
 ■ A perseguição na rota da fé cristã

 Terça – 2 Timóteo 3.12 
 ■ A perseguição como marca do viver cristão piedoso

 Quarta – 2 Coríntios 4.9
 ■ Mantendo o ânimo em meio à perseguição

 Quinta – Atos 4.13
 ■  Mantendo a ousadia cristã

 Sexta – Atos 16.25
 ■ Adorando a Deus mesmo em perseguição

 Sábado – Atos 12.5
 ■ Perseverando em oração em meio à perseguição

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Atos 5.25-32 • 12.1-5

Atos 5
25 - E, chegando um, anunciou-lhes, dizendo: Eis que os homens que encerrastes na prisão estão no templo e ensinam ao povo.
26 - Então, foi o capitão com os servidores e os trouxe, não com violência (porque temiam ser apedrejados pelo povo).
27 - E, trazendo-os, os apresentaram ao conselho. E o sumo sacerdote os interrogou, dizendo:
28 - Não vos admoestamos nós expressamente que não ensinásseis nesse nome? E eis que enchestes Jerusalém dessa vossa doutrina e quereis lançar sobre nós o sangue desse homem.
29 - Porém, respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Mais importa obedecer a Deus do que aos homens.
30 - O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, ao qual vós matastes, suspendendo-o no madeiro.
31 - Deus, com a sua destra, o elevou a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e remissão dos pecados.
32 - E nós somos testemunhas acerca destas palavras, nós e também o Espírito Santo, que Deus deu àqueles que lhe obedecem.

Atos 12
1 - Por aquele mesmo tempo, o rei Herodes estendeu as mãos sobre alguns da igreja para os maltratar;
2 - e matou à espada Tiago, irmão de João.
3 - E, vendo que isso agradara aos judeus, continuou, mandando prender também a Pedro. E eram os dias dos asmos.
4 - E, havendo-o prendido, o encerrou na prisão, entregando-o a quatro quaternos de soldados, para que o guardassem, querendo apresentá-lo ao povo depois da Páscoa.
5 - Pedro, pois, era guardado na prisão; mas a igreja fazia contínua oração por ele a Deus.

Hinos Sugeridos: 212 • 225 • 305 da Harpa Cristã

■ INTRODUÇÃO
Desde o seu início, a Igreja enfrenta oposição e perseguição. Por sua própria natureza, a fé cristã atrai sobre si a rejeição e a perseguição. Isso porque a fé cristã, por defender princípios exclusivos, muitas vezes se choca com os valores seculares e mundanos. Foi assim no primeiro século e é assim ainda hoje. Contudo, devemos destacar que a igreja não está sozinha nem abandonada no mundo. Deus é o seu dono e, portanto, o seu protetor. Vemos ao longo da história da Igreja o Senhor agindo de diferentes formas para dar livramento e vitória a seu povo. Assim, nesta lição, veremos como Deus faz isso capacitando e empoderando o seu povo para viver no meio de um mundo hostil.


Palavra-Chave: Perseguição

– A IGREJA PERSEGUIDA
1. Os perseguidores. Na Bíblia, vemos que as autoridades religiosas da época dos apóstolos começaram a se opor à Igreja (Atos 5.17,24). Atos 5 menciona três grupos: os sacerdotes, os saduceus e o capitão do templo. Os saduceus eram um grupo muito influente, com grande poder político e religioso. Eles tinham o apoio dos sacerdotes e dos anciãos, e, dentro dessas classes religiosas, eram os mais poderosos. Esse grupo já havia tentado atrapalhar o ministério de Jesus várias vezes, criando dificuldades sempre que podiam (Lucas 20.27-40). Os anciãos eram líderes judaicos influentes, representando tanto aspectos religiosos quanto políticos, mas sem exercer funções sacerdotais no Templo. Já o capitão do Templo, mencionado também em Atos 4.1, era um sacerdote de nível inferior, mas que tinha autoridade policial dentro do Templo. Esses grupos, cada um com sua influência, viram a Igreja como uma ameaça e fizeram de tudo para impedir a pregação do Evangelho.

2. Esferas da perseguição. A perseguição dos judeus aos cristãos se dava em duas esferas: a religiosa, por verem a mensagem de Cristo como ameaça; e a política, os romanos procuravam aumentar o capital político com os judeus.
a) Na esfera religiosa. Lucas registra que os religiosos judeus prenderam os apóstolos (Atos 5.17,18). À medida que os cristãos testemunham da sua fé com poder, ganhavam mais e mais admiração popular (Atos 2.47). Muitos já haviam aceitado a fé (Atos 4.4). Esse número continuava crescendo (Atos 5.14). A inveja, portanto, provocou a ira desses líderes. Enquanto a Igreja crescia, o velho judaísmo farisaico regredia.
b) Na esfera política. Em Atos 12.1-5, vemos que a perseguição se dá na esfera estatal e é de natureza mais política, na esfera pública. Ali, o rei Herodes, um dos governantes que representava o império Romano na Judéia, mandou executar Tiago e prender o apóstolo Pedro. Sabendo que Pedro era um líder de destaque entre os apóstolos, queria com isso aumentar o seu capital político perante os judeus que se opunham à Igreja (Atos 12.3).

3. A Igreja enfrentará oposição. A Igreja sempre enfrentará opositores, de um jeito ou de outro. Isso acontece porque o Cristianismo Bíblico, por sua natureza, acolhe a todos, mas também estabelece princípios para quem deseja segui-lo. Por isso, muitas vezes, é visto como antiquado, preconceituoso e indesejado. A perseguição pode mudar conforme o tempo e o lugar, mas seu objetivo continua o mesmo: silenciar a voz da Igreja. 

SINOPSE I
A igreja primitiva enfrentou perseguição e oposição, tanto na esfera religiosa quanto na esfera política.

II – A IGREJA PROTEGIDA
1. Um anjo de Deus. Lucas destaca que em meio à perseguição, Deus provê livramento para os apóstolos (Atos 5.19). A igreja não era apenas perseguida, mas também protegida! Aqui a igreja contou com a presença de anjos, seres de natureza totalmente sobrenatural. Não é incomum a presença de anjos no Livro de Atos. Eles estiveram presentes na libertação de Pedro da prisão (Atos 12.7); com Filipe em sua missão evangelística (Atos 8.26); em missão na casa do centurião romano, Cornélio (Atos 10.3) e com o apóstolo Paulo em alto-mar (Atos 27.23,24). A Bíblia diz que eles estão a serviço daqueles que vão herdar a salvação (Hebreus 1.14).

2. A intercessão da Igreja. Atos 12.5 diz que a Igreja “fazia contínua oração” por Pedro. O mesmo texto bíblico que mostra um anjo no cenário da libertação de Pedro também revela a Igreja como um agente ativo nessa libertação. Não teria sentido Lucas destacar o papel da Igreja intercedendo por Pedro se isso não tivesse nenhuma relevância. É evidente que Deus é soberano e age como quer e quando quer. A morte de Tiago, irmão de João, é mencionada anteriormente e não temos uma explicação no texto bíblico do porquê Tiago não foi libertado (Atos 12.2). Contudo, esse evento certamente causou um impacto na Igreja, levando-a a orar ainda mais fervorosamente por Pedro. Deus respondeu à oração da igreja e libertou Pedro.

3. O valor da oração. Essa passagem bíblica, assim como muitas outras, mostra o grande valor da oração. Enquanto os cristãos oravam, o lugar em que estavam tremeu (Atos 4.31); quando Paulo orava, teve uma visão com Ananias de Damasco orando pela cura dele (Atos 9.11,12); enquanto Cornélio orava, um anjo se apresentou a ele (Atos 10.3) e os apóstolos oravam para que os cristãos fossem batizados no Espírito Santo (Atos 8.15). Não podemos subestimar o poder da oração. A conhecida frase “muita oração, muito poder; pouca oração pouco poder” ainda continua atual. 

SINOPSE II
Mesmo em meio à perseguição, Deus manifestou seu poder de proteção.

III – A IGREJA DESTEMIDA
1. Testemunho com poder. Tão logo foram libertos, os apóstolos começaram a testemunhar de sua fé (Atos 5.25). De nenhuma forma se sentiram intimidados. Estavam capacitados pelo poder do alto. Não é por acaso que o livro de Atos já foi denominado por antigos escritores de os “Atos do Espírito Santo". Vemos o Espírito Santo operando por todo o livro, mesmo quando o seu nome não é mencionado. Ele é a fonte de poder da Igreja. Sem o Espírito Santo a Igreja perde o seu testemunho e se torna inoperante.

2. Convictos de sua fé. Lucas registra a ousadia do testemunho de Pedro (Atos 5.29). Nesse texto temos uma clara defesa dos valores cristãos. Ele mostra que a Igreja Primitiva não negociava sua fé, mesmo que isso lhe custasse caro. A mesma referência também é muitas vezes usada para justificar a desobediência civil por parte da igreja em relação ao Estado quando este age contrariamente aos princípios adotados por aquela. De fato, isso está em foco. Contudo, não se trata de uma mera desobediência civil ou rebeldia, mas de uma defesa consciente daquilo que a igreja crê como fazendo parte da sua natureza e essência e que, por conta disso, não pode, de forma alguma, ser negociado.

SINOPSE III
O Espírito Santo capacitou os crentes a testemunhar com ousadia.

■ CONCLUSÃO
Vimos como uma igreja capacitada pelo Espírito enfrenta perseguições. O cristão, portanto, não deve se assustar com elas. No contexto do Cristianismo Bíblico essa é a regra, não a exceção. Ninguém gosta de ser perseguido; contudo, as Escrituras nos previnem a respeito da realidade da perseguição na jornada cristã (João 16.33). Isso não significa que o sofrimento deve ser um alvo a ser alcançado, mas que devemos estar conscientes de que não podemos evitá-lo. Portanto, o nosso foco deve estar em Deus, pois Ele é quem pode nos guardar e capacitar no meio do sofrimento.

REVISANDO O CONTEÚDO

1. Quais eram os três grupos que faziam oposição à Igreja?
Os três grupos que faziam oposição à Igreja eram os sacerdotes, os saduceus e o capitão do templo.

2. Em quais esferas a igreja sofria perseguição?
A igreja sofria perseguição em duas esferas: a religiosa e a política.

3. O que não é incomum no Livro de Atos?
A presença de anjos não é incomum no Livro de Atos.

4. Cite três eventos como resultado de oração conforme demonstrado na lição.
Três eventos como resultado de oração demonstrados na lição são: os cristãos oravam e o lugar em que estavam tremeu (Atos 4.31); Paulo teve uma visão com Ananias de Damasco orando pela cura dele (Atos 9.11,12); enquanto Cornélio orava, um anjo se apresentou a ele (Atos 10.3).

5. O que Atos 5.29 mostra em relação à Primeira Igreja?
Atos 5.29 registra a ousadia do testemunho de Pedro e uma clara defesa dos valores cristãos por parte da primeira igreja.


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LIÇÃO 6 - UMA IGREJA NÃO CONIVENTE COM A MENTIRA

 3° TRIMESTRE DE 2025  EBD ADULTOS


TEXTO ÁUREO
“Disse, então, Pedro: Ananias, porque encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e retivesses parte do preço da herdade?”
(Atos 5.3)

VERDADE PRÁTICA
Como toda forma de engano, a mentira é pecado. Devemos, pois, andar sempre na luz da verdade.

LEITURA DIÁRIA

 Segunda – Tito 1.2
 ■ A mentira não faz parte da natureza divina

 Terça – Provérbios 12.22 
 ■ Deus abomina a mentira

 Quarta – João 8.44
 ■ O Diabo é o pai da mentira

 Quinta – Efésios 4.25
 ■  O cristão deve abandonar a mentira

 Sexta – Apocalipse 22.15
 ■ Os mentirosos ficarão de fora do Céu

 Sábado – Provérbios 23.23
 ■ Devemos valorizar a verdade e não praticar a mentira

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Atos 5.1-11

1 - Mas um certo varão chamado Ananias, com Safira, sua mulher, vendeu uma propriedade
2 - e reteve parte do preço, sabendo-o também sua mulher; e, levando uma parte, a depositou aos pés dos apóstolos.
3 - Disse, então, Pedro: Ananias, porque encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e retivesses parte do preço da herdade?
4 - Guardando-a, não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus.
5 - E Ananias, ouvindo estas palavras, caiu e expirou. E um grande temor veio sobre todos os que isto ouviram.
6 - E, levantando-se os jovens, cobriram o morto e, transportando-o para fora, o sepultaram.
7 - E, passando um espaço de quase três horas, entrou também sua mulher, não sabendo o que havia acontecido.
8-E disse-lhe Pedro: Dize-me, vendestes por tanto aquela herdade? E ela disse: Sim, por tanto.
9 - Então, Pedro lhe disse: Por que é que entre vós vos concertastes para tentar o Espírito do Senhor? Eis aí à porta os pés dos que sepultaram o teu marido, e também te levarão a ti.
10 - E logo caiu aos seus pés e expirou. E, entrando os jovens, acharam-na morta e a sepultaram junto de seu marido.
11 - E houve um grande temor em toda a igreja e em todos os que ouviram estas coisas.

Hinos Sugeridos: 77 • 302 • 388 da Harpa Cristã

■ INTRODUÇÃO
Um casal, aparentemente despretensioso, achou que podia lucrar às custas da santidade da Igreja. Ao combinarem um ardil para enganar os apóstolos, Ananias e Safira estavam, na verdade, a serviço do Diabo, o pai da mentira. Nesta lição, aprenderemos que é possível um crente não vigilante estar a serviço do Diabo em vez de agir em favor do Reino de Deus. Foi exatamente isso o que aconteceu com Ananias e Safira tentaram obter lucro negociando valores do Reino. Como crentes não podemos usar de engano porque Deus sonda os corações. Cabe, portanto, a nós, nos afastarmos do pecado pelo temor do Senhor.


Palavra-Chave: Mentira

– O DIABO, O PAI DA MENTIRA
1. É da natureza satânica mentir. A Escritura afirma que Satanás induziu Ananias a mentir: “Disse, então, Pedro: Ananias, porque encheu Satanás o teu coração…?” (Atos 5.3). Motivado pela cobiça, pelo desejo de obter lucro fácil, Ananias deu lugar ao Diabo, que o levou a mentir. Jesus já havia afirmado que o Diabo é o pai da mentira (João 8.44). Satanás está por trás de toda mentira e engano (2 Tessalonicenses 2.9,10). O apóstolo Paulo viu esse espírito de engano quando enfrentou Elimas, o mágico (Atos 13.10). O Diabo será sempre mentiroso, nunca mudará.

2. A mentira como um ardil maligno. Satanás não obrigou nem forçou Ananias a mentir, mas, evidentemente plantou a semente do engano e da mentira em seu coração. A mentira é um dos seus ardis. A Escritura é bem clara: “não deis lugar ao diabo” (Efésios 4.27). Por certo, Ananias sabia disso, pois estava numa igreja doutrinada pelos apóstolos (Atos 2.42). A questão, portanto, não estava em não saber fazer a coisa certa, mas em subestimar o ardil do Inimigo que possui a capacidade de induzir a fazer a coisa errada. É possível que o casal tenha flertado com a possibilidade de ganhar lucro e fama fingindo estar fazendo a coisa certa. Duas coisas que não são em si mesmas pecaminosas, mas quando buscadas com a intenção errada, se tornam pecado.

Para haver responsabitidade moral é necessário que os nossos atos sejam feitos livremente [ ...].

3. Não superestime o Inimigo! O apóstolo Paulo orienta os crentes a perdoarem e a não guardarem nenhuma raiz de amargura (2 Coríntios 2.10,11). Se por um lado não podemos superestimar o inimigo, visto ele ter sido derrotado na cruz (Colossenses 2.15); por outro lado, não podemos subestimá-lo. Paulo orienta os crentes a se revestirem de toda armadura de Deus para que possam ficar firmes contra as “astutas ciladas do diabo” (Efésios 6.11). A expressão grega “astutas ciladas” traduz o termo grego methodeias, de onde procede nosso termo português “método”. O Diabo é meticuloso e trabalha metodicamente para enganar os cristãos. Vigiemos! 

SINOPSE I
Satanás é a origem do engano e usa a mentira para afastar as pessoas de Deus.

II – O CRISTÃO E A MENTIRA
1. Mentir é uma escolha. Um fato fica evidente em Atos 5.1-11: tanto Ananias quanto sua mulher, Safira, agiram livremente na questão envolvendo a venda de uma propriedade (Atos 5.1,2). Isso fica ainda mais claro quando Pedro, sob o discernimento do Espírito Santo, reprova Ananias por ter tentado enganar a igreja acerca do real valor da propriedade (v.3). Ananias não foi obrigado, nem tampouco constrangido, a agir da forma como agiu. Tanto ele como sua esposa, que foi conivente com a ação dele, tomaram uma decisão livre. Mentir é uma escolha que envolve a natureza moral. Ora, para haver responsabilidade moral é necessário que os nossos atos sejam feitos livremente, isto é, não estejam sob nenhuma força externa que nos obrigue a praticá-los. Nesse aspecto, como veremos mais à frente, eles não poderiam culpar ninguém, nem mesmo o Diabo, pelo que fizeram.


Ninguém pode agir na Igreja de Deus da forma que achar mais conveniente, pensando que não estará sujeito ao julgamento divino.

2. Atraídos pela mentira. Se por um lado Ananias e Safira tomaram decisões livres, por outro lado, sofreram implicações de suas decisões: “E Ananias, ouvindo estas palavras, caiu e expirou” (Atos 5.5). Não podemos saber o que se passou pela cabeça de Ananias e Safira para agirem como agiram. O certo é que quiseram obter vantagem com a negociação feita. É possível que, ao verem os demais crentes fazendo ações louváveis, quando doavam seus bens, tivessem visto nesse gesto uma oportunidade de obterem, além do reconhecimento, o lucro pelo patrimônio que fora vendido e, supostamente, doado.

3. Mentir tem consequências. Ao agirem assim, Ananias e Safira não pensaram nas consequências de suas ações. Mesmo fazendo parte de uma igreja pentecostal, onde os dons do Espírito Santo estavam em evidência, se expuseram a uma ação mesquinha quando resolveram mentir, não somente aos apóstolos, mas ao próprio Deus. Contudo, o preço pago por essas ações foi muito caro custou-lhes suas próprias vidas. Antes de se praticar qualquer ação de natureza pecaminosa, é necessário pensar nas consequências que isso produzirá. Quantos crentes, muitos deles experientes, hoje lamentam por não terem levado em conta as consequências de suas ações? Vigiemos! 

SINOPSE II
O crente deve rejeitar toda falsidade, pois a mentira compromete seu testemunho e comunhão com Deus.

III – A IGREJA QUE REPELE A MENTIRA
1. Uma igreja temente. Lucas destaca que os fatos ocorridos com Ananias e Safira trouxeram um grande temor dentro e fora da Igreja (Atos 5.11). A palavra “temor” traduz o termo grego phobos, que também aparece no versículo 5 deste mesmo capítulo. Muitas vezes essa palavra é traduzida com o sentido de “medo” (Mateus 28.4 • Lucas 21.26  João 7.13). Contudo, aqui nesse contexto o sentido é de “reverência” e “respeito” como em Atos 2.43 e outras passagens neotestamentárias (cf Atos 9.31; 19.17 • 1 Coríntios 2.3 • 2 Coríntios 7.1 • 2 Coríntios 7.15). Se Deus não tivesse usado Pedro para parar o intento daquele casal, o pecado teria entrado na Primeira Igreja e, sem dúvidas, causado danos irreparáveis. Esse julgamento de Deus, além do fato de punir o pecado do casal, serviu para mostrar quão séria é a Igreja de Deus. Ninguém pode agir na Igreja de Deus da forma que achar mais conveniente, pensando que não estará sujeito ao julgamento divino.

2. Uma igreja forte. Mais uma vez, Lucas destaca que “muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos” (Atos 5.12). Isso mostra que uma igreja santa, que trata o pecado como pecado e não arranja desculpas para justificá-lo, é uma igreja forte. A prova disso é a manifestação dos dons espirituais que levou os apóstolos a fazerem milagres extraordinários. Uma igreja fraca, anêmica por falta de disciplina espiritual e que aprendeu a tolerar o pecado em seu meio, torna-se inoperante.

SINOPSE III
A Igreja deve zelar pela verdade, pois Deus exige santidade e transparência em seu povo.

■ CONCLUSÃO
É possível um crente pecar e se acostumar com o pecado sem se arrepender. É possível que ele encontre até mesmo justificativas plausíveis para comportamentos notadamente pecaminosos. Contudo, uma coisa é certa: não é possível escapar do juízo divino. No caso da igreja de Jerusalém, o juízo divino veio de forma rápida e precisa. Contudo, em outros, como no caso de Corinto, o apóstolo Paulo cobrou uma ação enérgica por parte da igreja que havia se tornado tolerante em relação ao comportamento pecaminoso de um crente (1 Coríntios 5.1-13). Em outra situação, Paulo deixou claro que Deus exerceu seu direito de juiz com aqueles que haviam pecado (1 Coríntios 11.30-32). Fica o alerta: ninguém é capaz de enganar a Deus.

REVISANDO O CONTEÚDO

1. Segundo a lição, o que motivou Ananias a mentir? Motivado pela cobiça, pelo desejo de obter lucro fácil, Ananias deu lugar ao Diabo que o levou a mentir.

2. O que Satanás semeou no coração de Ananias?
Satanás não obrigou nem forçou Ananias a mentir, mas, evidentemente semeou a semente do engano e da mentira em seu coração.

3. O que fica evidente em Atos 5.1-11? 
Um fato fica evidente em Atos 5.1-11: tanto Ananias quanto sua mulher, Safira, agiram livremente na questão envolvendo a venda de uma propriedade.

4. O que é necessário pensar antes de qualquer prática de natureza pecaminosa?
É necessário pensar nas consequências que isso produzirá, ou seja, as consequências espirituais e morais do pecado.

5. O que, de acordo com a lição e o contexto de Atos 5.1-11, Atos 5.12 mostra? 
Isso mostra que uma igreja santa, que trata o pecado como pecado e não arranja desculpas para justificá-lo é uma igreja forte..


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LIÇÃO 5 - UMA IGREJA CHEIA DE AMOR

 3° TRIMESTRE DE 2025  EBD ADULTOS


TEXTO ÁUREO
“E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns.”
(Atos 4.32)

VERDADE PRÁTICA
O amor é o elo que mantém a unidade da igreja local. Sem o amor, não existe relacionamento cristão saudável.

LEITURA DIÁRIA

 Segunda – João 13.34
 ■ O amor como mandamento divino

 Terça – Romanos 5.5
 ■ O amor de Deus derramado nos corações

 ■ O amor como um dever cristão da fraternidade

 Quinta – Mateus 22.39
 ■  Amando o próximo como a nós mesmos

 Sexta – 1 João 3.18
 ■ Amando de coração

 Sábado – 1 Pedro 4.8
 ■ O amor cobre a multidão de pecados

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

32 - E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns.
33 - E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça.
34 - Não havia, pois, entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido e o depositavam aos pés dos apóstolos.
35 - E repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha.
36 - Então, José, cognominado, pelos apóstolos, Barnabé (que, traduzido, é Filho da Consolação), levita, natural de Chipre
37 - possuindo uma herdade, vendeu-a, e trouxe o preço, e o depositou aos pés dos apóstolos.

Hinos Sugeridos: 247 • 400 • 482 da Harpa Cristã

■ INTRODUÇÃO
Nesta lição, veremos como o amor de Deus se manifesta numa igreja genuinamente cristã. Ele capacita a igreja a enxergar os mais necessitados e a buscar caminhos para que suas carências sejam atendidas. Esse amor, contudo, não é um mero sentimento humano. Em vez disso, ele é a expressão máxima da graça de Deus que foi derramada abundantemente nos corações daqueles que creem em Jesus. Somente através do amor de Deus o cristão aprende a ser solidário e generoso com aqueles que precisam ter suas necessidades supridas.


Palavra-Chave: Amor

– O AMOR MANIFESTADO NA COMUNHÃO CRISTÃ
1. O crescimento da Igreja Cristã. Nesse ponto de sua narrativa, Lucas se refere à igreja como a “multidão dos que criam” (v.32). Essa expressão pode ser entendida com o sentido de um “grande número” ou “assembleia”. A Igreja que havia começado com 120 discípulos, agora é uma grande multidão. Uma igreja pequena possui a mesma natureza e essência de uma igreja grande. Assim como uma igreja grande, uma pequena igreja também enfrenta seus problemas e desafios. Contudo, os desafios e problemas de um grande povo são maiores em proporção em relação a uma pequena. Eles se tornam mais complexos e, portanto, mais desafiadores.

2. Os desafios do crescimento. Assim, vemos a Igreja de Jerusalém crescer em escala geométrica. Ela se multiplicava (Atos 6.7) e com isso os desafios também eram maiores. Como essa igreja, que até pouco tempo não passava de um pequeno número, se comportaria com o novo formato adquirido? Ela manteria a unidade em meio à complexidade? Somente o amor poderia manter o elo fraterno entre os crentes. De fato, Paulo dirá que o “amor de Deus” foi derramado nos corações dos crentes pelo Espírito Santo (Romanos 5.5); aos colossenses, o apóstolo dos gentios disse que o amor “é o vínculo da perfeição” (Colossenses 3.14). Somente através do amor cristão a igreja pode manter-se unida. Quando uma igreja se fragmenta e se divide, isso significa que o egoísmo tomou o lugar do amor em algum ponto.

3. A vida interior. A expressão “era um o coração e a alma” (Atos 4.32) mostra a igreja em sua essência, revelando sua união interna. O Espírito Santo capacitou poderosamente os cristãos para cumprir a missão fora da igreja (Atos 1.8), para a tarefa do evangelismo (Atos 4.31,33; 8.6,7), mantendo os crentes unidos internamente. 

SINOPSE I
A união e o amor entre os cristãos, impulsionados pelo Espírito Santo, fortalecem a Igreja e sua missão.

Quando uma igreja se fragmenta e se divide, isso significa que o egoísmo tomou o lugar do amor […].”

II – O AMOR COMO MANIFESTAÇÃO DA GRAÇA
1. A graça como manifestação do Espírito. O melhor ambiente para a manifestação dos dons do Espírito é em uma igreja onde o amor de Deus está presente. Lucas nos informa que “os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus” (Atos 4.33). O contexto nos mostra que o Espírito opera em um ambiente que lhe é propício, isto é, onde a igreja está banhada no amor cristão. Muitos podem cair na tentação de achar que o segredo para ter uma igreja imersa no Espírito, isto é, onde os dons espirituais se manifestam com regularidade, tem a ver com cumprir determinadas regras e normas estabelecidas. Regras são importantes e não podemos viver sem elas. Contudo, o Espírito opera no ambiente onde há comunhão entre os irmãos. Às vezes, podemos quebrar a comunhão com os outros, achando que não tem importância, mas Jesus ensina que, para ser perdoado por Deus, devemos perdoar sinceramente nossos irmãos (Mateus 6.15; 18.35). Qualquer ensino contrário a isso é falso.

2. A graça como favor imerecido. Há ainda um outro aspecto da graça de Deus revelada neste texto: “em todos eles havia abundante graça” (Atos 4.33). Isso significa que a graça de Deus estava manifestada tanto nos apóstolos como em toda a igreja. Esse texto não se encontra deslocado, mas é posto aqui com o propósito de mostrar a razão ou motivo daquele contagiante ambiente cristão. Uma igreja dinâmica, que demonstra amor para com seu próximo e na qual o Espírito Santo se manifesta de forma abundante, é uma igreja que reflete a graça de Deus. Na Bíblia, podemos perceber que a graça de Deus gerou entre os crentes um sentimento de gratidão por terem sido, sem merecimento algum, capacitados por Deus para viverem uma vida abundante. Isso se torna um padrão nas demais igrejas do Novo Testamento (1 Tessalonicenses 4.9). Vemos, por exemplo, esse sentimento de gratidão como uma resposta à graça de Deus na pessoa do apóstolo Paulo (1 Coríntios 15.10). Somente a graça gera tamanho sentimento de gratidão. 

SINOPSE II
A graça de Deus se revela no amor cristão, capacitando os crentes a viverem equilibradamente entre a comunhão e a prática dos dons espirituais.

III – A MANIFESTAÇÃO DO AMOR NA SOLIDARIEDADE CRISTÃ
1. A busca pela equidade. O Dicionário Aurélio de Língua Portuguesa conceitua “equidade” como a “disposição de reconhecer igualmente o direito de cada um”. Assim, diferentemente da igualdade, a equidade não enxerga as pessoas como sendo todas iguais e, por isso, busca formas de ajustar o desequilíbrio entre elas. Em Jerusalém não havia nivelamento social, nem todos possuíam as mesmas condições. Havia pessoas mais abastadas, e havia pobres também. Estes, geralmente, em maior número. Logo, a igreja demonstrou ser sensível a essa realidade, procurando tratar dessa situação (Atos 4.34), sendo solidária com a situação dos menos favorecidos.

2. Propriedade e compartilhamento. Estudiosos observam que a igreja de Jerusalém vivia uma comunidade de compartilhamento, não de domínio. Os crentes mantinham a propriedade de seus bens, mas os disponibilizavam conforme a necessidade de cada um. Desse modo, eles compartilhavam tudo o que tinham. Isso pode ser observado com Maria, mãe de João Marcos. Ela também pertencia à igreja de Jerusalém e em vez de vender sua casa, a pôs a serviço da igreja, transformando-a em uma casa de oração onde a igreja se reunia (Atos 12.12). A prática da generosidade pode mudar de acordo com o tempo, lugar e circunstâncias; contudo, o princípio que a governa permanece o mesmo. Podemos fazer o bem a quem necessita de uma forma ou de outra.

3. Um exemplo da voluntariedade. Lucas destaca que “os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido e o depositavam aos pés dos apóstolos” (Atos 4.34). Nada aqui foi feito de forma obrigatória. Ninguém contribuiu porque foi constrangido a isso. O texto bíblico deixa claro que havia voluntariedade nos crentes em ajudar uns aos outros. Havia uma consciência de pertencimento e, por isso, ninguém deseja ver o outro excluído. Isso era a manifestação do grande amor de Deus derramado nos corações daqueles crentes.

SINOPSE III
O amor se expressa na prática da solidariedade, onde os cristãos cuidam dos necessitados e buscam a equidade na comunidade.

■ CONCLUSÃO
Chegamos à conclusão de mais uma lição bíblica. Vimos como o amor de Deus, derramado nos corações da Primeira Igreja, mobilizou os crentes a socorrer os mais necessitados. Isso aconteceu de forma voluntária quando cada um, de acordo com suas posses, se prontificava a dar do que lhe pertencia. Não há igreja cristã verdadeira sem essa identificação com o outro. Ninguém pode fechar os olhos diante da necessidade alheia e se autointitula de cristão. O verdadeiro amor se realiza no atendimento da necessidade do próximo.

REVISANDO O CONTEÚDO

1. Como o evangelista Lucas se refere à igreja?
Lucas se refere à igreja como a “multidão dos que criam”.

2. O que a expressão “era um o coração e a alma” mostra?
A expressão “um coração e alma” mostra a igreja em sua essência, revelando sua união interna.

3. De acordo com a lição, qual é o melhor ambiente para a manifestação dos dons do Espírito?
De acordo com a lição, o melhor ambiente para a manifestação dos dons do Espírito é em uma igreja onde o amor de Deus está presente.

4. O que a equidade busca fazer?
A equidade busca ajustar o desequilíbrio entre as pessoas, reconhecendo igualmente o direito de cada um, diferentemente da igualdade.

5. O que o texto bíblico deixa claro em relação aos crentes de Atos 4?
O texto bíblico deixa claro que havia voluntariedade nos crentes em ajudar uns aos outros.


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LIÇÃO 4 - UMA IGREJA CHEIA DO ESPÍRITO SANTO

 3° TRIMESTRE DE 2025  EBD ADULTOS


TEXTO ÁUREO
"E, tendo orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo e anunciavam com ousadia a palavra de Deus.”
(Atos 4.31)

VERDADE PRÁTICA
Uma igreja cheia do Espírito Santo suporta aflições, ora com poder e ousa no testemunho cristão.

LEITURA DIÁRIA

 Segunda – Mateus 10.19,23
 ■ Suportando as provações

 Terça – Efésios 5.18,19
 ■ Adorando no Espírito

 Quarta – Atos 13.9,10
 ■ Autoridade espiritual

 Quinta – Romanos 8.11,12
 ■  Poder sobre o pecado

 Sexta – Romanos 5.5
 ■ Capacidade de amar

 Sábado – Atos 4.31
 ■ Orando com poder

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

24 - E, ouvindo eles isto, unânimes levantaram a voz a Deus, e disseram: Senhor, tu és o Deus que fizeste o céu, e a terra, e o mar e tudo o que neles há;
25 - Que disseste pela boca de Davi, teu servo: Por que bramaram os gentios, e os povos pensaram coisas vãs? 
26 - Levantaram-se os reis da terra, E os príncípes se ajuntaram à uma, contra a Senhor e contra o seu Ungido. 27 - Porque verdadeiramente contra o teu santo Filho Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncío Pilatos, com os gentios e os povos de lsrael; 
28 - Para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer.
29 - Agora, pois, ó Senhor, olha para os suas ameaças, e concede aos teus servos que falem com toda a ousadia a tua palavra; 
30 - Enquanto estendes a tua mão para curar, e para que se façam sinais e prodígios pelo nome de teu santo Filho Jesus. 
31 - E, tendo orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheias do Espírito Santo, e anunciavam com ousadia a palavra de Deus.

Hinos Sugeridos: 126 • 224 • 387 da Harpa Cristã

■ INTRODUÇÃO
Nesta lição, veremos como uma igreja cheia do Espírito Santo se comporta. A partir do capítulo 4.24-31 do livro de Atos dos Apóstolos, encontramos uma das principais marcas que caracterizam a igreja de Jerusalém: a perseverança. Uma igreja perseverante é capacitada para dar testemunho de sua fé mesmo que em meio ao fogo da provação (1 Pedro 4.12). Essa igreja suporta as provações porque é cheia do Espírito. Por causa do Evangelho, ela renuncia seu próprio bem-estar e não aceita ficar na "zona de conforto". Na verdade, sem a capacitação do Espírito o Corpo de Cristo não suporta as provas para cumprir sua missão no mundo. Outra marca uma igreja cheia do Espírito Santo é a sua capacidade de orar com poder e, por isso, impactar o mundo ao seu redor. Essa oração fortalece a igreja, capacita-a a testemunhar de maneira eficaz. Da mesma forma, uma igreja cheia do Espírito Santo é marcada pela ousadia para proclamar o Evangelho com poder. E, por isso, se tornar relevante para o mundo.

A ordem era clara, mas os apóstolos estavam dispostos a pagarem o preço de não segui-la. Eles suportariam tudo por amor a Jesus.

 

Palavra-Chave: Espírito Santo

– UMA IGREIA PERSEVERANTE
1. Suporta o sofrimento. Após sua pregação junto à Porta Formosa, Pedro e João são levados presos (Atos 4.3) e, posteriormente, ameaçados por pregarem o nome de Jesus (Atos 4.17). Foi dito a eles que não falassem nem ensinassem no nome do Senhor (Atos 4.18). A ordem era clara, mas os apóstolos estavam dispostos a pagarem o preço de não segui-la. Eles suportariam tudo por amor a Jesus. Agiam com perseverança. Isso só foi possível porque Pedro, que falava por si e pelos demais apóstolos, havia sido cheio do Espírito Santo (Atos 4.8). O tempo verbal do grego usado no versículo 8 (tendo sido cheio) demonstra que o apóstolo, que já havia sido batizado no Espírito Santo, no Pentecostes (Atos 2.4), foi revestido novamente do poder do alto. Uma igreja continuamente cheia do Espírito suporta as provas e o sofrimento. 

2. Não negocia seus valores. Quando a classe sacerdotal intimou os apóstolos e lhes deram ordem expressa para que eles não falassem nem ensinassern no nome de Jesus, a resposta dos apóstolos foi: "julgai vós se é justo, diante de Deus, ouvir-vos antes a vós do que a Deus" (Atos 4.19). Em outras palavras, os apóstolos afirmaram que não negociariam a sua fé. Não abririam mão dos valores da fé que haviam recebido, pois eles são inegociáveis. Uma das marcas de uma igreja que perdeu ou está perdendo o poder do Espírito é a sua aceitação de princípios e práticas que afrontam as Escrituras. 

3. Está convicta de sua fé. Uma igreja cheia do Espírito Santo está convicta de sua fé. Não se apoia em suposições, mas em fatos (Atos 4.20). Os primeiros cristãos não apenas ouviram sobre Deus, mas também testemunharam suas obras. Quando Filipe pregou em Samaria, os samaritanos se convenceram porque "ouviam" e "viam" os sinais que Filipe fazia (Atos 8.6). Alguém já disse que Deus é plenamente obedecido no céu porque lá Ele é visto, enquanto na terra, muitas vezes, é desobedecido por ser apenas ouvido. No entanto, a igreja cheia do Espírito não apenas proclama a Palavra, mas também manifesta a obra de Deus (Romanos 5.18,19). Jesus foi poderoso tanto em palavras quanto em obras (Lucas 24.19). 

SINOPSE I
A igreja primitiva enfrentou perseguições, mas permaneceu firme na fé e na missão.

[...] Uma igreja verdadeiramente bíblica sofrerá rejeição e oposição [...]

II – UMA IGREJA QUE ORA COM PODER
1. Orando com propósito. Observamos na oração do capítulo 4.24-30 de Atos dos Apóstolos que os crentes oram para que Deus seja glorificado por meio de um evangelismo de poder. Eles oraram com um propósito e, por isso, foram específicos. Não foi, portanto, uma oração vaga. Nela, eles oraram para que Deus exercesse a sua soberania e agisse por meio deles dando-lhes poder para testemunhar do Senhor Jesus. Nesse sentido, o propósito da oração foi para que Deus fosse glorificado na resposta.

2. Orando em unidade. “E, ouvindo eles isto, unânimes levantaram a voz a Deus” (Atos 4.24). A Concordância de Strong explica que a palavra “unânimes” vem do termo grego homothymadon, que significa um grupo de pessoas agindo com o mesmo propósito e em total harmonia. Isso mostra que havia unidade e concordância na oração. Uma igreja cheia do Espírito Santo é unida. Ela sabe respeitar as diferenças e entende que unidade não significa que todos são iguais. No meio da igreja, há crentes mais experientes e outros que ainda estão aprendendo; há aqueles que são maduros na fé e há os que ainda estão amadurecendo na caminhada cristã. Mas nada disso impede que a igreja se una em oração, buscando a Deus com o mesmo propósito.

3. Orando fundamentada na Palavra de Deus. Ao orarem, os crentes citaram o Salmos 2.1,2: “que disseste pela boca de Davi, teu servo: Porque bramaram as gentes, e os povos pensaram coisas vās?” (Atos 4.25). Não basta orar. É preciso orar tomando por base a Palavra de Deus. Orar fundamentado na Palavra é orar crendo e afirmando as suas verdades. Uma oração feita fora da Palavra de Deus não terá nenhuma garantia de ser respondida porque Ele vela pela sua Palavra para a cumprir (Jeremias 1.12). Não há dúvidas de que a falta de fundamentação bíblica pode estar por trás do fracasso na vida de oração. 

SINOPSE II
A oração foi e é a base espiritual da igreja, trazendo direção, coragem e poder de Deus.

III – UMA IGREJA OUSADA NO SEU TESTEMUNHO
1. Ousadia para enfrentar oposição ao Evangelho. Os crentes oraram conscientes dos obstáculos que estavam enfrentando: “Olha para suas ameaças” (v.29). Já foi dito que uma igreja cheia do Espírito é uma igreja perseverante. Ela suporta a oposição e o sofrimento por causa do Evangelho. Deve ser destacado ainda que uma igreja verdadeiramente bíblica sofrerá rejeição e oposição: “E na verdade todos os que querem viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2 Timóteo 3.12). Uma igreja que procura se ajustar à agenda do Estado perdeu a sua autoridade espiritual e sua legitimidade bíblica.

2. Ousadia no exercício dos dons espirituais. O evangelista nos informa que, tendo eles orado, todos “foram cheios do Espírito Santo” (Atos 4.31). No ensino de Lucas (como em Paulo, cf. 1 Coríntios 14.12; Efésios 5.18), o enchimento do Espírito está diretamente relacionado à prática dos dons espirituais na igreja cristã. Não se trata, portanto, apenas do uso de uma frase de efeito. No  livro de Atos dos Apóstolos, é o Espírito Santo quem dá o crescimento da Igreja e opera milagres extraordinários, não somente por meio dos apóstolos, mas também pelos demais cristãos. É a ação do Espírito de Deus entre eles que realiza essas obras (Atos 6.3,5Atos 8.5-7; 13.9). Devemos, portanto, nos encher do Espírito Santo para que seus dons tragam edificação à Igreja.

3. Ousadia na exposição da Palavra. As Escrituras dizem que, após a oração da igreja, “todos foram cheios do Espírito Santo e anunciavam com ousadia a palavra de Deus” (Atos 4.31). É interessante observarmos o uso da palavra “ousadia” nesse texto. Ela aparece, por exemplo, em Atos 4.13 para se referir à coragem de Pedro e João quando foram interrogados pelos anciãos e escribas. O cristão cheio do Espírito se torna corajoso em sua vida cristã. Ele prega a Palavra de Deus com poder.

SINOPSE III
Movida pelo Espírito Santo, a igreja anunciava o Evangelho com ousadia, sem temer oposição.

■ CONCLUSÃO
Nesta lição, vimos o que caracteriza, de fato, uma igreja pentecostal. Suas características se tornam visíveis e estão diretamente associadas à plenitude do Espírito Santo. A Primeira Igreja não foi perfeita, como o livro de Atos deixa bem claro. Contudo, suas limitações eram superadas por um viver diário sob a capacitação do Espírito Santo. Se queremos, de fato, ser uma igreja relevante, devemos nos deixar encher do Espírito Santo.

REVISANDO O CONTEÚDO

1. Suportar provas e sofrimento é uma marca de que tipo de igreja?
De uma igreja perseverante, que permanece firme na fé mesmo diante das adversidades.

2. Cite uma das marcas da igreja que perdeu ou está perdendo o poder do Espírito.
Uma dessas marcas é a aceitação de princípios e práticas que afrontam as Escrituras.

3. O que podemos observar em Atos 4.24-30?
A igreja reunida clamando para que Deus seja glorificado por meio de um evangelismo de poder.

4. No ensino de Lucas, de acordo com a lição, a que o enchimento do Espírito está relacionado?
Está relacionado à prática dos dons espirituais na igreja cristã.

5. A palavra “ousadia” se refere a quê em relação a Pedro e João?
Refere-se à coragem de Pedro e João quando foram interrogados pelos anciãos e escribas.


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