▶ 3° TRIMESTRE DE 2025 ▶ EBD ADULTOS
A lição trata de um dos momentos mais decisivos da Igreja Primitiva: o Concílio de Jerusalém. Diante da controvérsia sobre a salvação dos gentios e a exigência da circuncisão, os apóstolos e líderes da igreja se reuniram para buscar uma solução guiada pelo Espírito Santo.
TEXTO ÁUREO
“Na verdade, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias.”
(Atos 15.28)
Este versículo nos ensina sobre a importância de ouvir
o Espírito Santo nas decisões da igreja, de evitar legalismos desnecessários e
de promover uma fé centrada na graça e na verdade.
VERDADE PRÁTICA
Em sua essência, a Igreja é tanto um organismo quanto uma organização e, como tal, precisa seguir princípios e regras para funcionar plenamente.
LEITURA DIÁRIA
Segunda – 1 Coríntios 12.12
■ A igreja local como um organismo vivo
Terça – Tito 1.5
■ A igreja como organização
Quarta – Atos 14.23
■ Estabelecendo líderes
Quinta – Atos 15.28
■ Dando voz à igreja
Sexta – Atos 15.30,31
■ A necessidade de possuir parâmetros
Sábado – 1 Coríntios 14.40
■ Tudo com decência e ordem
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
22 — Então, pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos, com toda a igreja, eleger varões dentre eles e enviá-los com Paulo e Barnabé a Antioquia, a saber: Judas, chamado Barsabás, e Silas, varões distintos entre os irmãos. 23 — E por intermédio deles escreveram o seguinte: Os apóstolos, e os anciãos, e os irmãos, aos irmãos dentre os gentios que estão em Antioquia,
Síria e
Cilícia, saúde.
24 — Porquanto ouvimos que alguns que saíram dentre nós vos perturbaram com palavras e transtornaram a vossa alma (não lhes tendo nós dado mandamento),
25 — pareceu-nos bem, reunidos concordemente, eleger alguns varões e enviá-los com os nossos amados Barnabé e Paulo,
27 — Enviamos, portanto, Judas e Silas, os quais de boca vos anunciarão também o mesmo.
28 — Na verdade, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias:
29 — Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da fornicação; destas coisas fareis bem se vos guardardes. Bem vos vá.
30 — Tendo-se eles, então, despedido, partiram para Antioquia e, ajuntando a multidão, entregaram a carta.
31 — E, quando a leram, alegraram-se pela exortação.
32 — Depois, Judas e Silas, que também eram profetas, exortaram e confirmaram os irmãos com muitas palavras.
Hinos Sugeridos: 144 • 162 • 167 da Harpa Cristã
■ INTRODUÇÃO
Com esta lição, terminamos mais um trimestre de estudos sobre a igreja de Jerusalém. Aqui veremos como a igreja agiu para resolver seus conflitos de natureza doutrinária. Um grupo composto por fariseus convertidos à fé insistia que os gentios convertidos deveriam guardar a Lei, especialmente o rito da circuncisão. No entendimento dos apóstolos, se isso fosse exigido, a salvação deixaria de ser totalmente pela graça, o que era inaceitável. Devido à dimensão da questão e à sua importância para o futuro da Igreja, os líderes se reuniram em Jerusalém para buscar uma solução para o problema. Lucas deixa claro que a decisão tomada pela Igreja naquele momento foi guiada pelo Espírito Santo. É isso que veremos agora. Palavra-Chave: Assembleia
I – A QUESTÃO DOUTRINÁRIA
A exigência da circuncisão gerou um sério debate sobre a natureza da salvação. Paulo e Barnabé relataram que os gentios foram salvos pela graça, sem imposição da Lei.
1. O relatório missionário. A questão doutrinária que se tornou objeto de discussão no Concílio de Jerusalém, abordada no capítulo 15 de Atos dos Apóstolos, teve seu início na igreja de Antioquia. Ela começou quando Paulo e Barnabé apresentaram à igreja de Antioquia um relatório sobre a
Primeira Viagem Missionária que haviam realizado. Nesse relatório, os missionários narraram o que Deus havia feito entre os gentios e como estes aceitaram a fé (
Atos 14.27). O relatório deixa implícito que a salvação dos gentios ocorreu inteiramente pela graça de Deus, sem que nenhuma exigência da Lei, como a circuncisão, fosse imposta a eles. Tanto Paulo quanto Barnabé viam a ação de Deus — manifestada por meio de milagres extraordinários entre os gentios — como um sinal de sua aprovação, demonstrando que nenhuma outra exigência, além da fé em Jesus, era necessária para a salvação. Em outras palavras, a salvação é um dom de Deus, concedido inteiramente por sua graça.
2. O legalismo judaizante. Lucas mostra que um grupo de judaizantes se sentiu incomodado com o relatório dos missionários (
Atos 15.1). Esse grupo, composto por fariseus supostamente convertidos à fé, que haviam vindo de Jerusalém para Antioquia, se opôs ao ingresso de gentios na Igreja sem que estes, antes, cumprissem as exigências da Lei. Houve, portanto, um confronto entre esse grupo judaizante e os missionários Paulo e Barnabé. A questão tomou grandes proporções, correndo o risco até mesmo de dividir a igreja em Antioquia, o que exigia uma resposta rápida por parte da liderança. Contudo, por se tratar de um tema complexo e de amplo alcance, a igreja de Antioquia considerou adequado remeter a questão para Jerusalém, a igreja-mãe, onde o assunto seria analisado e amplamente discutido pelos apóstolos e presbíteros (
Atos 15.2).
SINOPSE I
A exigência da circuncisão aos gentios gerou um sério questionamento sobre a natureza da salvação em Cristo.
II – O DEBATE DOUTRINÁRIO
Pedro relembra a experiência com Cornélio, onde o Espírito Santo foi derramado sobre gentios sem exigência legal. Tiago reforça que não se deve impor um jugo que nem os judeus conseguiram suportar.
1. Uma questão crucial. A questão gentílica chegou a Jerusalém para ser tratada. Contudo, judaizantes, que ali se encontravam, deixaram claro que a igreja deveria circuncidar os gentios convertidos e ordenar que eles “guardassem a lei de Moisés” (
Atos 15.5). No entendimento desse grupo, sem a observância da Lei, ninguém podia se salvar. Pedro é o primeiro a ver a gravidade da questão e percebe que ela não pode ser tratada de forma subjetiva. A questão deveria ser tratada com a objetividade que o caso exigia, e a experiência da salvação dos gentios em
Cesareia, ocorrida anos antes, deveria servir de parâmetro (
Atos 10.1-46). Pedro, então, evoca a experiência pentecostal gentílica como prova da aceitação deles por Deus: “E Deus, que conhece os corações, lhes deu testemunho, dando-lhes o Espírito Santo, assim como também a nós” (
Atos 15.8).
2. A experiência do Pentecostes na fé dos gentios. O derramamento do Espírito sobre os gentios, anos antes, em Cesareia, na casa de Cornélio (Atos 10), havia sido uma experiência objetiva, física e observável por todos os presentes ali (
Atos 10.44-46 • Atos 2.4). Pedro espera que seu argumento seja aceito da mesma forma que fora aceito, anos antes, pelos judeus que haviam questionado a salvação dos gentios de Cesareia. Convém lembrar que esse mesmo argumento de Pedro já havia sido usado pelo apóstolo Paulo por ocasião de seu debate com os crentes da Galácia. Da mesma forma, ali, Paulo deixou claro que o recebimento do Espírito era um fato observável e que todos, portanto, tinham consciência de que o haviam recebido (
Gálatas 3.5).
3. A fundamentação profética da fé gentílica. Enquanto Pedro recorreu à experiência do Pentecostes como sinal de validação da fé gentílica. Por outro lado, Tiago, o irmão do Senhor Jesus, recorre às profecias para fundamentar sua defesa da aceitação dos gentios na Igreja. Para ele, a inclusão dos gentios na igreja estava predita nos profetas: “E com isto concordam as palavras dos profetas” (Atos 15.15). A aceitação dos gentios na Igreja não era uma inovação sem respaldo nas Escrituras. Pelo contrário, Deus já havia mostrado aos antigos profetas que os gentios também fariam parte de seu povo. Esse era um favor divino, fruto de sua graça, e que nada mais precisava ser acrescentado.
SINOPSE II
Os apóstolos usaram experiências espirituais e fundamentos proféticos para afirmar a aceitação dos gentios por Deus.
III – A DECISÃO DA ASSEMBLEIA DE JERUSALÉM
Guiados pelo Espírito Santo, os líderes decidiram não impor mais encargos aos gentios, exceto por algumas instruções básicas (Atos 15.28-29), preservando a unidade da fé e a doutrina da graça.
1. O Espírito na Assembleia. É digno de nota o papel atribuído ao Espírito Santo na tomada de decisões da Igreja: “[…] pareceu bem ao Espírito Santo e a nós” (Atos 15.28). O Espírito Santo não era apenas visto como uma doutrina na Igreja, mas como uma pessoa com participação ativa nela. Esse texto faz um paralelo com Atos 5.32, onde também se destaca a participação ativa do Espírito Santo na vida da Igreja: “E nós somos testemunhas acerca destas palavras, nós e o Espírito Santo, que Deus deu àqueles que lhe obedecem” (v.32).
2. A orientação do Espírito na Assembleia. O texto de Atos 15.28 não nos diz como era feita a orientação do Espírito na primeira Igreja; contudo, a observação feita por Lucas, de que Judas e Silas “eram profetas” (Atos 15.32) e que eles fizeram parte da comissão que levou a carta com a decisão tomada pela Assembleia, indica que o Espírito Santo se manifestava na Igreja por meio de seus dons (cf. Atos 13.1-4). Isso explica por que as coisas funcionavam na primeira Igreja. Esse era o padrão da Igreja Primitiva e deve ser também o padrão na Igreja de hoje.
3. O parecer final da Assembleia. Depois dos intensos debates, o parecer da Assembleia foi de que os gentios deveriam se abster “das coisas sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada e da fornicação” (Atos 15.29). Fica óbvio que a Igreja procurou resolver a questão mantendo-se rigorosamente fiel à doutrina da salvação pela graça, isto é, sem os elementos do legalismo judaico, mas evitando os extremos de rejeitar os irmãos judeus que também compartilhavam da mesma fé. O legalismo deveria ser rejeitado, os crentes judeus, não. Assim, ficou demonstrado que os gentios eram salvos pela graça, mas deveriam impor alguns limites à sua liberdade cristã, a fim de que o convívio com seus irmãos judeus não fosse conflituoso.
SINOPSE III
Guiada pelo Espírito Santo, a Igreja decidiu preservar a graça e promover a comunhão entre judeus e gentios convertidos.
A Igreja sempre será desafiada a enfrentar os problemas que surgem em seu meio. No capítulo 6 de Atos, vimos como ela resolveu um conflito de natureza social, provocado por reclamações de crentes helenistas (hebreus de fala grega). Aqui, o problema foi de natureza doutrinária: uma questão melindrosa que requeria muita habilidade por parte da liderança para ser resolvida. Graças ao parecer de uma liderança sábia e orientada pelo Espírito Santo, a Igreja tomou a decisão certa. A unidade da Igreja foi preservada e Deus foi glorificado.
APLICAÇÕES PRÁTICAS
• A lição nos ensina que decisões na igreja devem ser tomadas
com oração, submissão ao Espírito Santo e fidelidade à Palavra. A unidade da fé
não pode ser sacrificada por tradições humanas.
• A importância da unidade na diversidade: Na igreja primitiva, havia judeus e gentios com culturas e
tradições diferentes. A decisão de não impor a Lei de Moisés aos gentios
mostrou que a unidade da fé é mais importante do que uniformidade
cultural.
Aplicação prática: A igreja hoje
deve acolher pessoas de diferentes origens, respeitando suas particularidades,
sem exigir que todos se encaixem em um molde cultural específico.
• A busca pela direção do Espírito Santo: A frase “pareceu bem ao Espírito Santo e a nós” mostra que
as decisões não foram apenas humanas, mas espiritualmente discernidas.
Aplicação prática: A igreja
moderna precisa depender da oração, da Palavra e da sensibilidade ao Espírito
Santo para tomar decisões, especialmente em tempos de conflito ou mudança.
• Evitar o legalismo: Os líderes decidiram não impor regras desnecessárias,
focando no essencial para a fé e a comunhão.
Aplicação prática: Muitas igrejas
ainda lutam com legalismo — regras humanas que não têm base bíblica. A lição
nos chama a focar na graça, no amor e na santidade verdadeira, sem
sobrecarregar os fiéis com tradições que não edificam.
• A resolução de conflitos com diálogo e sabedoria: A assembleia foi um exemplo de como tratar divergências
doutrinárias com respeito, escuta e base bíblica.
Aplicação prática: Em tempos de
polarização, a igreja deve ser um espaço de diálogo saudável, onde líderes e
membros busquem juntos a verdade, sem divisões desnecessárias.
• A valorização da liderança espiritual: Pedro, Paulo, Barnabé e Tiago exerceram liderança com
humildade e sabedoria, guiando o povo com base na experiência e na
revelação.
Aplicação prática: A igreja
moderna precisa de líderes que sejam guiados por Deus, que escutem o povo e que
tomem decisões com responsabilidade espiritual.
REVISANDO O CONTEÚDO
1. Como a questão doutrinária da salvação dos gentios se tornou objeto de discussão do Concilio de Jerusalém?
Começou quando Paulo e Barnabé apresentaram à Igreja de Antioquia um relatório sobre a primeira viagem missionária.
2. O que Lucas mostra a respeito de um grupo de judaizantes?
Lucas mostra que esse grupo, formado por fariseus convertidos, insistia que os gentios só poderiam ser salvos se guardassem a Lei, especialmente a circuncisão, promovendo confusão e divisão na Igreja.
3. O que Pedro evoca como prova da aceitação dos gentios por Deus?
Pedro evoca a experiência pentecostal gentílica como prova da aceitação deles por Deus (Atos 15.8).
4. A que o apóstolo Tiago recorre para fundamentar a defesa da aceitação dos gentios na Igreja?
Tiago recorre às profecias para fundamentar sua defesa da aceitação dos gentios na Igreja. Para Tiago, a inclusão dos gentios na igreja estava predita nos profetas (Atos 15.15).
5. Qual foi o parecer da Assembleia de Jerusalém?
O parecer da Assembleia foi de que os gentios deveriam se abster “das coisas sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada e da fornicação” (Atos 15.29).
NÃO SAIA SEM ANTES
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