Pastor Ademar Rodrigues

Este Blog tem por objetivo explorar temas relacionados à Educação Cristã e ao Ensino Bíblico. Acredito que o conhecimento das Escrituras é essencial para o crescimento espiritual e a formação de discípulos comprometidos. Neste espaço, compartilho insights, reflexões e recursos para enriquecer sua jornada de fé.
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segunda-feira, 22 de julho de 2024

LIÇÃO 3 - RUTE E NOEMI: ENTRELAÇADAS PELO AMOR

 3° TRIMESTRE DE 2024  EBD ADULTOS


TEXTO ÁUREO

“Disse, porém, Rute: Não me instes para que te deixe e me afaste de ti; porque, aonde quer que tu fores, irei eu e, onde quer que pousares à noite, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus.” (Rute 1:16)

VERDADE PRÁTICA

Amar uns aos outros sem nada exigir em troca evidência que Deus está em nós e nos une em relacionamentos fortes e duradouros.

LEITURA DIÁRIA


Segunda – Hebreus 11.32-34
■ Tirando força da fraqueza, batalhando e se esforçando

Terça  – Provérbios 20.11
 ■ Quando a manipulação sutil se manifesta desde a infância

Quarta – Provérbios 17.17
■  Quando um amigo é mais chegado que um irmão

Quinta – Mateus 6.19-21 • 1 Timóteo 6.17-19 • Tiago 5.1-6
■ A situação do rico diante do princípio da Palavra de Deus

 Sexta – Tito 2.3-5
■  O papel das mulheres mais velhas na orientação das mais novas

Sábado – Lucas 24.1-10 • João 20.11-18
■ As mulheres como testemunhas no ministério de Jesus

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Rute 1.6-8 • Rute 1.14-19

6 - Então se levantou ela com as suas noras, e voltou dos campos de Moabe, porquanto na terra de Moabe ouviu que o Senhor tinha visitado o seu povo, dando-lhe pão.

7 - Por isso saiu do lugar onde estivera, e as suas noras com ela. E, indo elas caminhando, para voltarem para a terra de Judá,

8 - Disse Noemi às suas noras: Ide, voltai cada uma à casa de sua mãe; e o Senhor use convosco de benevolência, como vós usastes com os falecidos e comigo.

...

14 - Então levantaram a sua voz, e tornaram a chorar; e Orfa beijou a sua sogra, porém Rute se apegou a ela.

15 - Por isso disse Noemi: Eis que voltou tua cunhada ao seu povo e aos seus deuses; volta tu também após tua cunhada.

16 - Disse, porém, Rute: Não me instes para que te abandone, e deixe de seguir-te; porque aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus

17 - Onde quer que morreres morrerei eu, e ali serei sepultada. Faça-me assim o Senhor, e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti.

18 - Vendo Noemi, que de todo estava resolvida a ir com ela, deixou de lhe falar.

19 - Assim, pois, foram-se ambas, até que chegaram a Belém; e sucedeu que, entrando elas em Belém, toda a cidade se comoveu por causa delas, e diziam: Não é esta Noemi?


Hinos Sugeridos: 198 • 200 • 344 da Harpa Cristã

■ INTRODUÇÃO 

Já fizemos uma visão panorâmica do livro de Rute. Agora, vamos caminhar por seus capítulos e versículos, focados nos principais personagens da obra: Rute, Noemi e Boaz. Nesta lição, estudaremos o relacionamento entre Noemi e Rute, duas mulheres unidas por um amor profundo e uma intensa mutualidade. O caráter voluntário da doação pessoal de sogra e nora é um extraordinário exemplo de abnegação e amizade sincera.

Palavra-Chave: Amor

I - A PROPOSTA DE NOEMI

1. Uma crise em família. É importante considerar as circunstâncias da vida de Noemi para entender o valor e o significado de seus atos. Principal provedor da casa, seu marido Elimeleque (no hebraico, “Meu Deus é Rei”) havia morrido. Seus filhos Malom (“doença”) e Quiliom (“definhamento”) casaram-se e tiveram morte prematura, deixando viúvas as moabitas Rute (“amizade”) e Órfã (“pescoço”). Considerando a expressão que os nomes tinham na Antiguidade, é bastante provável que Malom e Quiliom não tivessem boas condições de saúde desde o nascimento. A vida de Noemi (“agradável”) tornou-se amarga, como ela mesma diria tempos depois, preferindo ser chamada de Mara (“amargosa”) (Rut2 1.20).

2. Tirando força da fraqueza. Todas as pessoas, inclusive as cristãs, estão sujeitas a dias maus (Ec 7.14). A diferença é como cada uma se comporta em meio às tempestades da vida (Ef 6.13; Mt 7.24-27).Noemi não escondeu seus sentimentos, mas também não os explorou, com autopiedade ou autocomiseração. Quando soube que Deus havia abençoado o seu povo, “se Ievantou” com suas noras para voltar a Belém (Rt 1.6,7). Ela teve uma atitude de liderança, mesmo em meio à tristeza e dor que sentia pela perda do marido e dos filhos. A distância entre os campos de Moabe e Belém era superior a 120 quilômetros. Idosa, Noemi soube tirar força da fraqueza subindo e descendo das montanhas, em tempos tão remotos (Hb 11.34). Se tivesse se entregado aos seus sentimentos, jamais teria tomado uma decisão tão desafiadora. Os problemas da vida não podem nos paralisar (Pv 24.10).

3. Sem manipulação emocional. Rute e Orfa decidiram prontamente acompanhar a sogra. Mas tão logo começaram a viagem, Noemi decidiu liberá-las, para que voltassem à casa dos pais (Rt 1.7,8; 2.11). Mesmo de avançada idade, Noemi pensou primeiro em suas noras e no futuro delas. De volta às suas origens, Rute e Orfa poderiam casar novamente e constituírem família (Rt 1.8-13). Noemi assumiu sua condição pessoal, sem apelar aos sentimentos das noras. Esse tipo de conduta é fundamental para a construção de relacionamentos saudáveis. A manipulação emocional é sutil e costuma se manifestar desde a infância (Pv 20.11). O pecado não escolhe idade. Pessoas emocional e espiritualmente sadias não são manipuladoras.

SINOPSE I
A crise familiar de Noemi traz lições a respeito da perseverança e do bem-estar emocional.

II - A CONVICÇÃO AMOROSA

1. Uma amizade provada e aprovada. Órfã amava Noemi, mas seu sentimento e força moral não eram tão fortes quanto os de Rute. Quando a sogra disse pela segunda vez que voltassem para a casa dos pais, Órfã se convenceu de que isso era o melhor para ela. Chorando, abraçou Noemi e voltou para seu povo. Rute, porém, se apegou a Noemi (Rt 1.14). A firmeza e o altruísmo de Noemi novamente se revelam. Ela insiste para que Rute faça o mesmo que sua cunhada (Rt 1.15). A atitude de Noemi extraiu o que havia no mais íntimo de Rute: uma convicção amorosa por sua sogra, além de uma declaração de fé no Deus de Israel: “[…] aonde quer que tu fores, irei eu e, onde quer que pousares à noite, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus” (Rt 1.16). As verdadeiras amizades resistem às mais intensas provas.

2. Amizade na adversidade. A convicção amorosa de Rute é mesmo surpreendente. Salomão escreveu que “o amigo ama em todos os momentos; é um irmão na adversidade” (Pv 17.17). Rute estava disposta a enfrentar toda e qualquer dificuldade ao lado da sogra viúva e idosa. As expressões “onde quer que pousares à noite, ali pousarei eu” e “onde quer que morreres, morrerei eu” (Rt 1.16,17) demonstravam o grau de companheirismo e comprometimento da jovem moabita. E isso não ficou somente em palavras; transformou-se em atitudes concretas por toda a vida. Nesses dias de tanto individualismo, qual tem sido o nível de nossos relacionamentos?

3. Um amor prático. Chegando a Belém, Rute não ficou parada, envolta em expectativas fantasiosas. Encarando a realidade, prontificou-se a um trabalho humilde e penoso, que era feito por pessoas pobres e necessitadas: ir às plantações e catar espigas que caíam e ficavam no chão durante a colheita, como instituído nos dias de Moisés (Rt 2.2; Lv 19.9,10; 23.22.; Dt 24.19). Na Palavra de Deus, o princípio básico é: os ricos não podem reter para si toda a riqueza, devendo inclusive auxiliar os necessitados (Mt 6.19-21; 1Tm 6.17-19; Tg 5.1-6); mas também não são obrigados a alimentar o ócio dos pobres, que devem ir ao campo e trabalhar duro para garantir o seu sustento, pois, exceto nos casos de incapacidade física ou mental, o mesmo princípio vige até hoje (Gn 3.19; 2 Ts 3.3.10-13). Rute trabalhou – e muito nos campos de Boaz. Seu esforço impressionou o chefe dos trabalhadores. No fim do dia, recolhia tudo e levava para a sogra (Rt 2.7,17,18). Rute não apenas dizia amar, ela praticava o amor (1 Jo 3.18).

SINOPSE II
A convicção amorosa de Rute nos ensina a respeito do amor prático.

III - A CONVICÇÃO DA MULHER: "O TEU DEUS É O MEU DEUS"

1. Uma fé fervorosa. Rute é um exemplo de fé fervorosa. Sua declaração convicta perante Noemi – “o teu Deus é o meu Deus” demonstra sua profunda devoção ao Deus de Israel, sob cujas asas decidiu se abrigar (Rt 2.12). Seu fervor é demonstrado em suas atitudes. Rute renunciou ao modelo de vida frívolo dos moabitas, e não seguiu caminhos fáceis entre os belemitas (Rt 3.10). Manteve uma vida austera e disciplinada e, assim, alcançou uma excelente reputação: “Toda a cidade do meu povo sabe que és mulher virtuosa” (Rt 3.11).

2. Uma fé que inspira. A fé de Rute foi inspirada na vida e crença de sua sogra. Ao referir-se ao Deus de Noemi, dava testemunho de sua fé. Em todos os tempos, as mulheres mais velhas têm a missão de resistir aos ventos da superficialidade espiritual, sendo piedosas, dedicadas a Deus e à família, a despeito das pressões da sociedade mundana. Somente assim poderão inspirar e ensinar as mais novas (Tt 2.3-5).

3. Sensibilidade sob liderança. As Escrituras evidenciam a profunda sensibilidade espiritual da mulher. Um exemplo disso é o fato de terem sido as primeiras a testemunhar e crer na ressurreição de Jesus (Lc 24.1-10; Jo 20.11-18). É de grande valor quando esse extraordinário potencial feminino é reconhecido e floresce sob uma liderança séria, que orienta o trabalho da mulher, evitando que ela seja explorada em sua fé (Fp 4.3; Rm 16.12; Mc 12.38-40; 2 Tm 3.6,7).

SINOPSE III
A convicção de Rute nos apresenta uma Fé fervorosa e que inspira.

■ CONCLUSÃO

O relacionamento de Noemi e Rute nos ensina quão precioso para Deus é o amor altruísta. Ao pensarem uma na outra e se dedicarem ao cuidado mútuo, ambas foram alcançadas pelo favor divino (Rt 4.13-17). Em um mundo tão narcisista, o Senhor espera que nos doemos mais uns aos outros. A família é o primeiro ambiente no qual o amor deve ser praticado (1Tm 5.8). O segundo, nossa igreja local.

REVISANDO O CONTEÚDO

1. Que atitudes de Noemi revelam seu altruísmo?
Noemi decidiu liberá-las, para que voltassem à casa dos pais (Rt 1.7,8; 2.11). Mesmo de avançada idade, Noemi pensou primeiro em suas noras e no futuro delas.

2. O que a insistência de Noemi extraiu de Rute?
A atitude de Noemi extraiu o que havia no mais íntimo de Rute: uma convicção amorosa por sua sogra, além de uma declaração de fé no Deus de Israel.

3. Como se revelou o amor prático de Rute?
Rute trabalhou – e muito – nos campos de Boaz. Seu esforço impressionou o chefe dos trabalhadores. No fim do dia, recolhia tudo e levava para a sogra (Rt 2.7,17,18). Rute não apenas dizia amar, ela praticava o amor (1 Jo 3.18).

4. Qual a missão das mulheres mais velhas em relação às mais novas?
As mulheres mais velhas têm a missão de resistir aos ventos da superficialidade espiritual, sendo piedosas, dedicadas a Deus e à família, a despeito das pressões da sociedade mundana. Somente assim poderão inspirar e ensinar as mais novas (Tt 23-5).

5. Qual a importância da liderança em relação à sensibilidade espiritual da mulher?
E de grande valor quando esse extraordinário potencial feminino é reconhecido e floresce sob uma liderança séria, que orienta o trabalho da mulher, evitando que ela seja explorada em sua fé (Fp 4.3; Rm 16.12; Mc 12.18- 40; 2 Tm 3.6,7).

VOCABULÁRIO

Ócio: falta de ocupação, cessação de trabalho.

Frívolo: que é ou tem pouca importância; inconsistente, inútil, superficial. 


LIÇÃO         1     2    3    4    5    6    7    8    9    10    11    12    13


terça-feira, 9 de julho de 2024

LIÇÃO 2 - O LIVRO DE RUTE

 3° TRIMESTRE DE 2024  EBD ADULTOS

TEXTO ÁUREO

“E sucedeu que, nos dias em que os juízes julgavam, houve uma fome na terra; pelo que um homem de Belém de Judá saiu a peregrinar nos campos de Moabe, ele, e sua mulher, e seus dois filhos.” 
(Rute 1.1)

VERDADE PRÁTICA

Servir a Deus não nos isenta de crises. Em qualquer circunstância, o segredo é permanecer fiel, confiando na providência divina.

LEITURA DIÁRIA


Segunda – Rute 1.1 • Rute 4.21,22
■ O contexto do Livro de Rute remete aos juízes

Terça  – Juízes 1.7-19
 ■ Um contexto de anarquia e infidelidade do povo hebreu

Quarta – Juízes 2.7-13 • Juízes 3.5-7
■  Israel atraído à idolatria dos cananeus

Quinta – Salmos 103.8 • Joel 2.13 • Romanos 2.4
■ Longanimidade e misericórdia de Deus

 Sexta – Gênesis 49.10
■  O cetro não se afastará da tribo de Judá

Sábado – cf. Efésios 2.11-16
■ Boaz e Rute: O prenúncio da derrubada da parede de separação

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Rute 1.1-5

Rute 1


1 – E sucedeu que, nos dias em que os juízes julgavam, houve uma fome na terra; pelo que um homem de Belém de Judá saiu a peregrinar nos campos de Moabe, ele, e sua mulher, e seus dois filhos.

2 – E era o nome deste homem Elimeleque, e o nome de sua mulher, Noemi, e os nomes de seus dois filhos, Malom e Quiliom, efrateus, de Belém de Judá; e vieram aos campos de Moabe e ficaram ali.

3 – E morreu Elimeleque, marido de Noemi; e ficou ela com os seus dois filhos,

4 – os quais tomaram para si mulheres moabitas; e era o nome de uma Orfa, e o nome da outra, Rute; e ficaram ali quase dez anos.

5 – E morreram também ambos, Malom e Quiliom, ficando assim esta mulher desamparada dos seus dois filhos e de seu marido.


Hinos Sugeridos: 33 • 459 • 511 da Harpa Cristã

■ INTRODUÇÃO 

O livro de Rute se destaca não apenas por sua beleza literária mas, principalmente, pela profundidade espiritual de sua mensagem. Fonte de inspiração para judeus e cristãos ao longo dos séculos, o livro narra uma história de amizade, amor e redenção. Uma extraordinária demonstração de como o Todo-poderoso trabalha em meio às crises para cumprir seus desígnios eternos. Ele transforma tristeza em alegria, perdas em ganhos, derrotas em vitórias. Rute nos apresenta Jeová-Jireh, o Deus que provê (Gênesis 22.14).

Palavra-Chave: Providência

I - A ORGANIZAÇÃO DO LIVRO

1. Na Bíblia Hebraica. O Livro de Rute pertence à terceira divisão ou seção da Tanakh, a Bíblia Hebraica, que é composta apenas dos livros do Antigo Testamento da Bíblia Cristã. Essa terceira seção é chamada Ketuvim ou Hagiógrafos (Escritos). A primeira seção é a Torá (Pentateuco) e a segunda é a Neviim (Profetas) (Lc 24.44). Dentre os Escritos, que são onze livros, estão os Megillot (cinco rolos), livros curtos lidos publicamente nas festas judaicas anuais: Cântico dos Cânticos, Rute, Lamentações, Eclesiastes e Ester. Em função de narrar fatos ocorridos durante a colheita, a leitura litúrgica de Rute era tradicionalmente feita durante o Shovuot (Pentecoste), a festa da colheita.

2. Na Bíblia Cristã. Enquanto a Bíblia Hebraica está dividida em três seções (Pentateuco, Profetas e Escritos), o Antigo Testamento da Bíblia Cristã é composto de quatro: Pentateuco, Poéticos, Históricos e Proféticos. Rute está categorizado como um livro histórico, por seu evidente gênero narrativo. Mas é identificado também por sua extraordinária beleza poética. Empregando estilo e linguagem próprios do hebraico clássico, o autor expõe aspectos subjetivos da vida dos personagens (Rt 1.12-21; 2.13,20; 3.1; 4.16). A obra está organizada em quatro capítulos, somando 85 versículos.

3. Autoria e data. Há uma diversidade de opiniões entre os eruditos acerca da autoria e data do Livro de Rute. Samuel é o autor mais provável. O Talmude, obra milenar de regulamentos e tradições judaicas, atribui a ele a autoria. A forma como o autor se refere a Jessé e Davi, parece indicar contemporaneidade e familiaridade com os personagens, o que também aponta para Samuel (Rt 4.17). Além disso, as características gerais da obra indicam uma atmosfera própria do início do período da monarquia de Israel. Sendo assim, o livro teria sido escrito no século X a.C.

SINOPSE I
Rute está categorizado como um livro histórico por causa do seu evidente gênero narrativo.

II - O CONTEXTO HISTÓRICO

1. No tempo dos juízes. Não há uma data precisa para os fatos narrados em Rute. O que sabemos é que ocorreram três gerações antes de Davi, nos dias dos juízes (Rt 1.1; 4.21,22). Esse período (dos juízes) durou mais três séculos. Começou depois da morte de Josué (por volta de 1375 a.C.) e se estendeu até o início da monarquia de Israel, com a ascensão de Saul ao trono (1050 a.C.). Foi marcado por uma grande anarquia e uma profunda apostasia e infidelidade do povo hebreu (Jz 1.7-19). Uma frase que identifica bem aquela época sombria é: “cada qual fazia o que parecia direito aos seus olhos” (Jz 17.6). Sem uma sábia direção, o povo perece (Pv 11.14).

2. Secularismo, hedonismo e idolatria. Depois da morte de Josué e dos demais líderes de seu tempo, levantou-se uma geração que não tinha uma profunda comunhão com Deus e não conhecia o que Ele havia feito ao povo hebreu. Israel cedeu ao estilo de vida pecaminoso dos cananeus e foi atraído à adoração dos seus deuses (Jz 2.7-13; 3.5-7). Secularismo e hedonismo sempre levam a grandes tragédias morais e espirituais. O pervertido culto a Baal (o deus da chuva) e a Astarote (a deusa do sexo e da guerra) passou a set praticado pela nação hebreia, em um degradante nível de imoralidade e idolatria. A falta de uma liderança espiritualmente madura e temente a Deus causa prejuízos incalculáveis ao povo. No Reino de Deus, não basta ter carisma para liderar; é preciso ter caráter aprovado (1 Tm 3.2-13; 2 Tm 2.15; Tt 2.7,8).

3. Opressão, clamor e livramento. A apostasia tornou Israel presa fácil de seus inimigos, que atacavam e saqueavam suas cidades e terras, e mantinham o povo sob domínio opressor por longos períodos (Jz 3.7-9;12-14; 4.1-3; 6.1-6). Afligida, a nação clamava a Deus, e o Senhor levantava juízes para libertar o seu povo. Esses juízes (heb. shophetim) não eram magistrados civis, como os que conhecemos hoje, que julgam em fóruns e tribunais. Eram libertadores geralmente líderes militares, como Otniel, Baraque e Gideão (Jz 3.9-11; 4.1o-15; 7.16-25) – , poderosamente usados por Deus para “julgar” a causa de Israel, livrando-o de seus opressores. Apesar dos repetidos ciclos de infidelidade da nação, Deus ouvia o gemido do seu povo em seus momentos de dor e aflição (Jz 2.18). O Senhor é longânimo e cheio de misericórdia (Sl 1o3.8; Jl 2.13; Rm 2.4; Lm 3.22). Ele ouve os que a Ele clamam (Jr 29.12,13; Is 55.6).

SINOPSE II
Os fatos narrados em Rute têm como contexto maior os dias dos juízes, caracterizados pela frase: “cada um fazia o que bem queria”.

III - PROPÓSITO E MENSAGEM

1. O cetro de Judá. Vários propósitos são atribuídos ao Livro de Rute. O principal e mais evidente deles é apresentar Davi como descendente de Judá, a tribo real da qual viria o Messias, “o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi” (Ap 5.5; cf . Rt 4.18 -22). Gênesis 49.10 diz: “O cetro não se arredará de Judá, nem o legislador dentre seus pés, até que venha Siló; e a ele se congregarão os povos”. Embora Rúben fosse o primogênito de Jacó, seu ato de desonra ao leito do pai, deitando-se com sua concubina , fez com que perdesse a primogenitura – a posição de liderança (Gn 35.22; 49.4). A promessa feita a Abraão seguia, agora, pela descendência de Iudá. Sendo Samuel o autor do livro de Rute, o propósito de registrar a genealogia de Davi ganha ainda mais sentido, já que naquele tempo o rei de Israel era Saul, uffi benjamita (1Sm 9.1,2; 25.1).A ancestralidade de Davi o legitimava para o trono.

2. Amor e redenção. A mensagem principal de Rute é o amor de Deus e seu plano de redenção da humanidade. Como representantes de judeus e gentios, respectivamente, Boaz e Rute prenunciam a derrubada da parede de separação (Ef 2.11-16). A redenção é vista, o livro, nos sentidos literal e tipológico. Boaz é o parente remidor que preservou a descendência de EIimeleque, mas é, também, um tipo de Cristo, nosso Redentor (Is 59.20; Lc 1.68; Ef 1.7; Tt 2.14).

3. Fidelidade e altruísmo. O livro de Rute abre uma janela que nos permite ver que nem tudo eram trevas nos dias dos juízes. Havia um remanescente fiel, que temia a Deus e foi usado por Ele para cumprir seus propósitos (Jó 42.2). Em um mundo de crescente iniquidade, o justo vive pela fé (Hc 2.4; cf. Mt 24.12,13). Outra eloquente mensagem do livro é o valor do altruísmo em que predominava o egoísmo. Nos dias dos juízes, a maioria vivia segundo os seus próprios padrões e interesses (Jz 21.25). Noemi e Rute destoaram dessa máxima individualista. Sogra e nora não pensavam em si mesmas. O amor não é egoísta (1Co 13.5).

SINOPSE III
O Cetro de Judá, o Amor, a redenção, a fidelidade e o altruísmo são temas que se destacam ao longo do livro.

■ CONCLUSÃO

O livro de Rute nos ensina que, a despeito da incredulidade e dos pecados do homem, Deus sempre trabalha para cumprir os seus desígnios. Sem violar o princípio do livre-arbítrio humano, o Todo-poderoso conduz a história e executa seu plano eterno de redenção. O livro também nos mostra como a fidelidade de Deus se aplica às circunstâncias comuns da vida. Em tudo Ele é fiel (Is 64.4).

REVISANDO O CONTEÚDO

1. Como o livro de Rute é classificado na Bíblia Hebraica?
O Livro de Rute pertence à terceira divisão ou seção da Tanakh, a Bíblia Hebraica: Ketuvim ou Hagiógrafos (Escritos).

2. Como e por que o livro é categorizado na Bíblia Cristã?
Rute está categorizado como um livro histórico, por seu evidente gênero narrativo.

3. Que evidências apontam para a autoria de Samuel?
O Talmude, obra milenar de regulamentos e tradições judaicas, atribui a ele a autoria. A forma como o autor se refere a Jessé e Davi parece indicar contemporaneidade e familiaridade com os personagens, o que também aponta para Samuel (Rt 4.17).

4. Qual o contexto histórico de Rute?
O tempo dos Juízes.

5. Qual a principal mensagem do livro?
Vários propósitos são atribuídos ao Livro de Rute. O principal e mais evidente deles é apresentar Davi como descendente de Judá, a tribo real da qual viria o Messias, “o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi” (Ap 5.5; cf. Rt 4.18 -22).


LIÇÃO        1     2    3    4    5    6    7    8    9    10    11    12    13


segunda-feira, 1 de julho de 2024

LIÇÃO 1 - DUAS IMPORTANTES MULHERES NA HISTÓRIA DE UM POVO

 3° TRIMESTRE DE 2024  EBD ADULTOS


TEXTO ÁUREO
Então, as mulheres disseram a Noemi: Bendito seja o Senhor, que não deixou, hoje, de te dar remidor, e seja o seu nome afamado em Israel.
(Rute 4.14)

VERDADE PRÁTICA
Conhecidas ou anônimas, muitas mulheres foram fundamentais no plano divino de redenção da humanidade.

LEITURA DIÁRIA

Segunda – Mateus 1.5-17 • Lucas 3.32
■ Rute: uma ascendente direta de Davi

Terça  – Rute 4.13-15
 ■ Rute gera um filho de Boaz, seu remidor

Quarta – Ester 2.5-7,15
■  Ester foi criada pelo primo, Mardoqueu

Quinta – Ester 2.16,17
■ Ester se torna rainha: um ato da providência divina

Sexta – Rute 1.11-13
■  Mulheres sábias compreendem o seu papel no Reino de Deus

Sábado – Ester 2.15-17
■ Mulheres que se portam de maneira humilde

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Rute 4.13-22 • Ester 7-1.7

Rute 4


13 – Assim, tomou Boaz a Rute, e ela lhe foi por mulher; e ele entrou a ela, e o Senhor lhe deu conceição, e ela teve um filho.
14 – Então, as mulheres disseram a Noemi: Bendito seja o Senhor, que não deixou, hoje, de te dar remidor, e seja o seu nome afamado em Israel.
15 – Ele te será recriador da alma e conservará a tua velhice, pois tua nora, que te ama, o teve, e ela te é melhor do que sete filhos.
16 – E Noemi tomou o filho, e o pôs no seu regaço, e foi sua ama.
17 – E as vizinhas lhe deram um nome, dizendo: A Noemi nasceu um filho. E Chamaram o seu nome, Obede. Este é o pai de Jessé, pai de Davi.
18 – Estas são, pois, as gerações de Perez: Perez gerou a Esrom,
19 – e Esrom gerou a Arão, e Arão gerou a Aminadabe,
20 – e Aminadabe gerou a Naassom, e Naassom gerou a Salmom,
21 – e Salmom gerou a Boaz, e Boaz gerou a Obede,
22 – e Obede gerou a Jessé, e Jessé gerou a Davi.

Rute 7

1 – Vindo, pois, o rei com Hamã, para beber com a rainha Ester,
2 – disse também o rei a Ester, no segundo dia, no banquete do vinho: Qual é a tua petição, rainha Ester? E se te dará. E qual é o teu requerimento? Até metade do reino se fará.
3 – Então, respondeu a rainha Ester e disse: Se, ó rei, achei graça aos teus olhos, e se bem parecer ao rei, dê-se-me a minha vida como minha petição e o meu povo como meu requerimento.
4 – Porque estamos vendidos, eu e o meu povo, para nos destruírem, matarem e lançarem a perder; se ainda por servos e por servas nos vendessem, calar meia, ainda que o opressor não recompensaria a perda do rei.
5 – Então, falou o rei Assuero e disse à rainha Ester: Quem é esse? E onde está esse cujo coração o instigou a fazer assim?
6 – E disse Ester: O homem, o opressor e o inimigo é este mau Hamã. Então, Hamã se perturbou perante o rei e a rainha.
7 – E o rei, no seu furor, se levantou do banquete do vinho para o jardim do palácio; e Hamã se pôs em pé, para rogar à rainha Ester pela sua vida; porque viu que já o mal lhe era determinado pelo rei.

Hinos Sugeridos: 115 • 298 • 515 da Harpa Cristã

■ INTRODUÇÃO 

Rute e Ester são os dois livros da Bíblia que levam o nome de mulheres. Registram duas das mais belas, extraordinárias e dramáticas histórias sagradas. A primeira, ocorrida em Moabe e Belém, no período dos juízes, que durou, aproximadamente, de 1375 a 1050 a.C. A segunda, na Pérsia, depois do cativeiro a.C. Rute e Ester viveram em épocas, circunstâncias e contextos muito diferentes, mas expressaram as mesmas virtudes espirituais e morais: fé, convicção, humildade, coragem, obediência, simplicidade, pureza, abnegação, temor a Deus e disposição de servir. Essas duas mulheres foram fundamentais para a preservação do povo judeu, a descendência piedosa de Abraão. Suas vidas continuam sendo fontes de profunda inspiração para todos que desejam agradar a Deus e viver para a sua glória (Sl 147.11; 1 Co 10.31; Hb 11.6).

Palavra-Chave: Mulheres

I - RUTE: UMA MULHER IMPORTANTE PARA A LINHAGEM DE DAVI

1. Uma moabita. Descendentes de Moabe, filho da relação incestuosa de Ló, o sobrinho de Abraão, com sua filha mais velha (Gn 19.30-37), os moabitas eram um povo pagão, hostil a Israel desde os dias do rei Balaque (Nm 22.1-6; Dt 23.3,4; Jz 11.17). Habitavam a leste do mar Morto (atual Jordânia) e eram dados à idolatria e à imoralidade sexual (Nm 25.1,2; Ap 2.14). Pertencendo a este povo, era de todo improvável que Rute fizesse parte da linhagem de Davi, família da qual viria o Messias, o Salvador do mundo (Gn 49.8-10; Is 11.1,10; Mq 5.2; Ap 5.5). Mas os caminhos de Deus são mais altos que os nossos; estão muito acima de nossa compreensão (Is 55.8,9; Rm 11.33). Ele é soberano (Jó 42.2). Faz do improvável, provável e do impossível, possível quando cremos nEle, o tememos e obedecemos sem impor-lhe qualquer condição (Gn 18.14-16; Hb 11.8-11).

2. A família belemita. A história de Rute muda a partir de seu ingresso em uma piedosa família de Belém de Judá, que peregrinava nos campos de Moabe por causa da fome que assolava a terra de Israel (Rt 1.1). Eram Elimeleque, sua mulher, Noemi, e os filhos Malom e Quiliom. Depois de algum tempo na terra dos moabitas, Elimeleque morre, ficando Noemi na companhia de seus dois filhos (Rt 1.2,3). Rute se casou com Malom, o mais velho deles (Rt 4.10). Ao final de quase 10 anos, também Malom e seu irmão Quiliom morreram. Viúva e sem filhos, Noemi decide voltar a Belém, motivada pela notícia de que a fome havia cessado em sua terra. Embora pudesse permanecer em Moabe – como decidiu Orfa, viúva de Quiliom –, Rute escolhe ir com sua sogra Noemi, declarando sua fé no Deus de Israel (Rt 1.4,6,16).

3. Matrimônio e maternidade. Esta síntese biográfica tem seu ápice em Belém, com dois eventos que foram fundamentais para que o propósito de Deus se cumprisse na vida dessa moabita. Apegada à sua sogra e sempre disposta a obedecê-la e servi-la, Rute alcança o favor do Deus de Israel, “sob cujas asas te vieste abrigar” (Rt 2.12). O casamento com Boaz, parente de Elimeleque, e o nascimento de seu filho Obede (heb. “servo”) fazem de Rute uma ascendente direta de Davi (de quem foi bisavó) e integrante da genealogia de Jesus (Rt 4.1-22; Mt 1.5-17; Lc 3.32). Honrar o casamento e a geração de filhos traz a bênção de Deus para muitas gerações (Hb 13.4; Sl 127.3-5).

SINOPSE I
Rute era uma mulher moabita, de família belemita, que escolheu viver com sua sogra após a morte de seu esposo.

II - ESTER: A MULHER QUE AGIU PARA A SOBREVIVÊNCIA DOS JUDEUS

1. De Belém para Susã. Cerca de cinco séculos depois de Rute, a Bíblia nos apresenta outra mulher notável, Ester, também usada providencialmente por Deus para a preservação do povo de Israel. Filha de Abiail, tio de Mardoqueu, Ester era judia. Órfã de pai e mãe, foi criada pelo primo Mardoqueu (Et 2.5-7,15). Seu nome hebraico era Hadassa, que significa “murta”, uma das plantas favoritas do mundo antigo, de folhas perfumadas e flores brancas ou rosadas, usadas para perfumar ambientes e fazer grinaldas para os nobres nos banquetes. Já o nome persa Ester (stara) significa “estrela”. Ester fazia parte da geração de judeus nascidos no cativeiro. Conforme Isaías e Jeremias haviam profetizado, o fim do cativeiro babilônico foi decretado por Ciro, rei da Pérsia, no ano 538 a.C. (Is 44.26,28; 45.1,4,5,13; Jr 29.10-14). No entanto, a maioria dos judeus permaneceu na Babilônia, sob domínio persa.

2. De órfã a rainha. Susã era a capital do novo império (Et 1.1,2). Lá viviam Ester e Mardoqueu, dentre milhares de outros judeus. Dotada de rara beleza, Ester integrou o grupo de moças virgens que se candidataram para suceder a rainha Vasti, deposta pelo rei Assuero por sua desobediência, como escreve o historiador judeu Flávio Josefo. Vasti se recusou a comparecer a um banquete oferecido pelo rei nos jardins de seu palácio (Et 1.5-8,10-12,21,22). Em um inequívoco ato da providência divina, Ester se tornou rainha em seu lugar (Et 2.16,17). Cinco anos depois, essa jovem judia, agindo com sabedoria e muita coragem, obteve de Assuero um decreto que livrou da morte o povo judeu de todo o império (Et 8 e 9). Como diz Matthew Henry, “ainda que o nome de Deus não se encontre [no livro de Ester], o mesmo não se pode dizer de sua mão, guiando minuciosamente os fatos que culminaram na libertação de seu povo”.

3. No campo ou no palácio. Assim como Rute, Ester é um exemplo inspirativo do quanto valem a fidelidade e a confiança em Deus, seja qual for o contexto em que vivamos. Os princípios divinos são absolutos e imutáveis; sufi cientes para orientar nossa conduta em qualquer tempo e lugar (Sl 19.7-9; 119.89-91).

SINOPSE II
Ester é a mulher judia de Belém; era órfã, mas foi para Susã, capital do império, para se tornar rainha.

III - MULHERES DE DEUS COMO PROTAGONISTAS DA HISTÓRIA

1. O protagonismo feminino. A liderança masculina, instituída por Deus (Gn 1.26; cf. Ef 5.22,23), não anula o propósito divino com a mulher, nem lhe retira a possibilidade de, em muitas circunstâncias, ser protagonista da história. Isso não implica, todavia, na necessidade de confundir ou inverter os papéis entre homem e mulher. Os exemplos de Rute e Ester são eloquentes neste sentido. Não foi a altivez, mas a humildade, a submissão e a obediência que tornaram, tão relevante, a vida dessas mulheres.

2. Cumprindo os papéis. Noemi dá testemunho de que Rute cumpriu bem a função de esposa (Rt 1.8). Seu extraordinário relacionamento com a sogra não nos permite outra conclusão. Ambas eram mulheres sábias, que conheciam bem os seus papéis (Rt 1.11-13), o que é fundamental para uma boa convivência em família, inclusive entre nora e sogra (Pv 14.1).

3. Educação familiar. Não foi apenas a beleza de Ester que lhe fez ser escolhida rainha, mas também sua humildade e seu bom comportamento no palácio (Et 2.15-17). Apesar de órfã, Ester havia recebido uma boa educação de Mardoqueu, a quem devotava obediência e profundo respeito (Et 2.10; 4.1-4). É no lar que somos forjados para os grandes desafios da vida (Pv 29.15,17; 30.17).

SINOPSE III
A Bíblia apresenta mulheres como protagonista da história, cumprindo devidamente o papel estabelecido por Deus.

■ CONCLUSÃO

Deus continua usando mulheres para cumprir seus propósitos. Algumas se tornam conhecidas e têm seus nomes registrados na história, como Rute e Ester. Outras, como a mulher de Noé, vivem a vida toda no anonimato (Gn 6.10,18; 7.7,13; 8.15,16), mas nem por isso deixam de ser importantes. O que seria do patriarca sem uma companheira fiel ao seu lado enquanto cumpria a missão divina que recebera? No Reino de Deus, seja homem, seja mulher, o que importa não é o quanto a pessoa aparece, pois o Senhor olha para o coração (1 Sm 16.7; 1 Co 3.12-15).

REVISANDO O CONTEÚDO

1. A quais períodos históricos estão ligados os livros de Rute e Ester?

O Livro de Rute, ocorrida em Moabe e Belém, no período dos juízes, que durou, aproximadamente, de 1375 a 1050 a.C. O Livro de Ester, na Pérsia, depois do cativeiro babilônico, entre 483 e 473 a.C.

2. Quem eram os moabitas?

Os moabitas eram um povo pagão, hostil a Israel desde os dias do rei Balaque (Nm 22.1-6; Dt 23.3,4; Jz 11.17).

3. Que eventos representam o ápice da história de Rute quanto aos propósitos de Deus em sua vida?

Esta síntese biográfica tem seu ápice em Belém, com dois eventos que foram fundamentais para que o propósito de Deus se cumprisse na vida dessa moabita: apego a sua sogra e o casamento com Boaz.

4. Como a providência divina se manifesta no livro de Ester?

Em um inequívoco ato da providência divina, Ester se tornou rainha em seu lugar (Et 2.16,17). Cinco anos depois, essa jovem judia, agindo com sabedoria e muita coragem, obteve de Assuero um decreto que livrou da morte o povo judeu de todo o império (Et 8 e 9).

5. Para ser protagonista da história a mulher precisa desempenhar papel masculino?

Não. Os exemplos de Rute e Ester são eloquentes neste sentido. Não foi a altivez, mas a humildade, a submissão e a obediência que fizeram tão relevante a vida dessas mulheres.

VOCABULÁRIO

Incestuoso: Relativo ao incesto; relação sexual entre parentes dentro dos graus em que a lei, a moral ou a religião proíbe e condena.

Ascendente: Diz-se de pessoa de quem se descende.


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quarta-feira, 26 de junho de 2024

LIÇÃO 13: O AMOR DO PAI POR SEUS FILHOS

 2° TRIMESTRE DE 2024  EBD ADOLESCENTES

LEITURA BÍBLICA
Lucas 15.11-32

A MENSAGEM 

Então saiu dali e voltou para a casa do pai. Quando o rapaz ainda estava Longe de casa, o pai o avistou. E, com muita pena do filho, correu, e o abraçou, e beijou. 

Lucas 15.20

DEVOCIONAL

Segunda  ■ João 3.16-18

Terça        ■ Apocalipse 2.5

Quarta      ■ Efésios 2.17

Quinta      ■ 1 João 4.8

Sexta        ■ 1 Pedro 4.8

Sábado     ■ Romanos 5.8

Hora de Aprender

Por vezes nos Evangelhos vemos os escribas e fariseus censurando Jesus por causa de alguma coisa. Às vezes em função de algo que falou (Mc 2.5-7), outras por algo que fez no sábado (Mc 2.23,24; Lc 6.6-11), e outras ainda por ignorar a tradição (Mc 7.1-6). Desta vez, eles o criticam porque comia com os “cobradores de impostos e outras pessoas de má fama” (Lc 15.1). É com base nesse contexto que Jesus Lhes conta esta história que ficou conhecida como a “Parábola do Filho Pródigo”.

I - O FILHO PERDIDO QUE PARTIU

Esta história é sobre um pai que tem dois filhos e está prestes a vivenciar, talvez, a cena mais dramática que se poderia imaginar no mundo da época de Jesus: um filho solicitar sua herança com o pai ainda vivo. Tal atitude era o equivalente a desejar a morte do pai. Diante do pedido, o pai divide a herança entre os dois filhos e o mais moço, após arrumar suas malas, vai embora para “um país que ficava muito longe” (v.13), e 3C passa a viver uma vida cheia de pecado, desperdiçando tudo o que tinha. Jesus descreve a trajetória do filho mais novo em quatro fases:

1°) Da rebeldia: ocorre quando ele escolhe pedir sua herança e ir para uma terra distante e viver como se o pai não existisse (vv. 11-13);

2°) Das consequências: acontece quando o período de escassez chega ao país e uma grande fome assola a população. O filho mais novo ficou só, sem dinheiro e com fome. Passou a trabalhar em uma fazenda, cuidando de porcos no chiqueiro e sendo tratado pior que os animais por causa da escolha errada que fez (vv.14-16);

3°) Do arrependimento: quando ele “cai em si”, ou seja, percebendo o equívoco de ter saído de casa e desprezado seu pai, ele então decide voltar arrependido; Ele decide pedir pela misericórdia do pai, a fim ser apenas um empregado em sua casa (vv.17-19);

4°) Da alegria: ao chegar em casa, ele percebe que ao invés de acusação e castigo, o pai o recebe com perdão e acolhimento. Nesse momento, o pai organiza uma grande festa para celebrar o seu retorno e lhe devolve todos os direitos de filho (vv.20-24).

Deus está pronto para oferecer perdão para o filho que se arrepende

O filho mais novo desta parábola representa os cobradores de impostos e as outras pessoas de má fama, que se distanciaram da presença do Senhor; àqueles que se iludiram com o mundo fora dos limites da casa do Pai celestial. Jesus estava ensinando aos seus ouvintes que, apesar das escolhas erradas que fizeram, o arrependimento é o único caminho possível para aqueles que querem voltar para Deus (Pv 28.13; Mt 4.17; Ap 2.5). Ou seja, Deus está sempre pronto para oferecer perdão e acolhimento para o filho que se arrepende e muda de vida.

II - O FILHO PERDIDO QUE FICOU DENTRO DE CASA

O filho mais velho sempre foi fiel ao pai e nunca se rebelou ou saiu de casa. Ao receber a notícia do retorno do seu irmão e ver a festa que o pai estava promovendo, ele ficou indignado. Ele criticou a atitude misericordiosa do pai, em resposta ao retorno do filho que estava perdido (vv. 25-28).

O filho mais velho demonstrou profunda decepção com tudo que estava acontecendo e, irritado, escolheu ficar do lado de fora da casa, reclamando de ter trabalhado toda a vida como um “escravo” e nunca ter recebido um cabrito para festejar (vv.28-30). 

Na cabeça dele, o pai jamais poderia perdoar aquele que demonstrou tamanha ingratidão pela família. Ele estava decidido a não perdoar o pai pelo que fez, e a não perdoar o irmão pelos seus erros; ele se sentiu injustiçado pelo pai. Na parábola, esse jovem está tão perdido quanto o seu irmão, a diferença é que ele não consegue enxergar o quão distante está do pai. Ele é filho, mas se vê como escravo (v.29); é rico, pois o que é do pai, é dele também, porém, age como miserável; tem a companhia diária do pai, mas anda solitário (v.31). Que tristeza, ele está perdido na casa do pai!

O filho mais velho da história representa os escribas e fariseus que se consideravam santos demais e desprezavam os outros. Eles conhecem as Escrituras e são até mestres, mas se distanciaram do Pai. Jesus está ensinando que o Pai ama a todos os seus filhos. Os que estão perto e os que estão longe. Há perdão para todos.

Além disso, Ele mostra que não devemos ficar tristes e ressentidos com a generosidade do Pai Celestial, muito menos com os pródigos que creram e voltaram. Pelo contrário, nosso dever é nos alegrar e festejar a volta daqueles que estavam perdidos e foram achados, estavam mortos e voltaram a viver (v. 32).

O Pai ama a todos os seus filhos

III - O  PAI AMOROSO

Essa parábola, do começo ao fim, aponta em direção ao amor de um pai que, apesar das atitudes erradas de seus filhos, está sempre disposto a perdoar e acolher na comunhão da família os que se arrependem. Por essa razão, o pai apresentado pela parábola representa Deus, o Pai Celestial, aquele que “[…] amou o mundo tanto, que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). 

Como vimos, o mesmo pai que foi ao encontro do filho mais novo para abraçá-lo e recebê-lo, sai também ao encontro do filho mais velho para conciliá-lo e convencê-lo a entrar e se ajuntar à comemoração.

O amor que Deus demonstra aos cobradores de impostos e pecadores em nada nega ou anula seu amor pelos escribas e fariseus. Pelo contrário, tal amor lembra-nos da natureza radical da graça salvadora que vem ao nosso encontro (Ef 2.8-10), mesmo sem merecermos, quando nós ainda éramos inimigos de Deus (Rm 5.10) e nos oferece generosamente vida abundante (Jo 10.10) e reconciliação eterna com o Pai. 

Existe um Deus amoroso que chama a todos para perto de si

Não importa a situação que você ou algum amigo esteja vivenciando, dentro ou fora da comunhão da igreja local, saiba que existe um Deus amoroso que chama a todos para perto de si. Basta, perante um arrependimento sincero e confissão dos pecados, clamar ao Senhor Jesus.

CONCLUSÃO

Definitivamente não há como ficar indiferente ao tamanho amor revelado por nós. O Pai Celestial continua amando e chamando pecadores ao arrependimento, a fim de que possam desfrutar dos benefícios de sua paternidade. Compartilhe essa boa notícia com seus amigos e creia que o Espírito Santo irá convencê-los que o Pai os ama.

VAMOS PRATICAR

1. De acordo com a lição, quais as quatro fases da vida do filho mais novo?
As quatro fases são da rebeldia, das consequências, do arrependimento e da alegria.

2. Com quem podemos identificar cada um dos três personagens principais da parábola?
O filho pródigo representa os cobradores de impostos e outras pessoas de má fama; o filho mais velho representa os escribas e fariseus; e o pai representa o próprio Deus.

3. Você se sente amado (a) por Deus?
Resposta pessoal.

Pense Nisso

Você conhece o Pai celestial? Nosso Deus ama você completamente. Ele lhe conhece desde o ventre da sua mãe e o seu amor não tem fim. Honre esse Pai maravilhoso, dedique-se a conhecê-lo, seja fiel a Ele e a cada dia desfrute do seu amor e da sua bondade.

Lembrete!

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