Este Blog tem por objetivo explorar temas relacionados à Educação Cristã e ao Ensino Bíblico. Acredito que o conhecimento das Escrituras é essencial para o crescimento espiritual e a formação de discípulos comprometidos. Neste espaço, compartilho insights, reflexões e recursos para enriquecer sua jornada de fé.
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terça-feira, 23 de julho de 2024

LIÇÃO 4 - O ENCONTRO DE RUTE COM BOAZ

 3° TRIMESTRE DE 2024  EBD ADULTOS


TEXTO ÁUREO

“O Senhor galardoe o teu feito, e seja cumprido o teu galardão do Senhor, Deus de Israel, sob cujas asas te vieste abrigar.” (Rute 2.12)

VERDADE PRÁTICA

O verdadeiro e puro modelo de bondade é servir uns aos outros de coração, confiando na fidelidade e justiça de Deus.

LEITURA DIÁRIA


Segunda – Gênesis 38.6 • Deuteronômio 25.5-10
■ O costume do casamento conforme a Lei

Terça  – Mateus 5.13-16
 ■ A importância do testemunho pessoal em todas as áreas da vida.

Quarta – Marcos 2.15-17 • João 4.3-27 
■  Jesus, o homem puro que interagia com todos

Quinta – Mateus 11.19
■ Humildade e mansidão como virtudes cristãs essenciais

 Sexta – 2 Coríntios 9.6 • Gálatas 6.7 
■  A inflexível lei da semeadura na vida.

Sábado – Jó 14.7-9
■ Quando a esperança brota em meio às tormentas da vida

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Rute 2.1-4; 11, 12, 14

1 - E tinha Noemi um parente de seu marido, homem valente e poderoso, da família de Elimeleque; e era o seu nome Boaz.

2 - E Rute, a moabita, disse a Noemi: Deixa-me ir ao campo, e apanharei espigas atrás daquele em cujos olhos eu achar graça. E ela disse: Vai, minha filha.

3  - Foi, pois, e chegou, e apanhava espigas no campo após os segadores; e caiu-lhe em sorte uma parte do campo de Boaz, que era da família de Elimeleque.

4 - E eis que Boaz veio de Belém, e disse aos segadores: O Senhor seja convosco. E disseram-lhe eles: O Senhor te abençoe.

...

11 - E respondeu Boaz, e disse-lhe: Bem se me contou quanto fizeste à tua sogra, depois da morte de teu marido; e deixaste a teu pai e a tua mãe, e a terra onde nasceste, e vieste para um povo que antes não conheceste.

12 - O Senhor retribua o teu feito; e te seja concedido pleno galardão da parte do Senhor Deus de Israel, sob cujas asas te vieste abrigar.

...

14 - E, sendo já hora de comer, disse-lhe Boaz: Achega-te aqui, e come do pão, e molha o teu bocado no vinagre. E ela se assentou ao lado dos segadores, e ele lhe deu do trigo tostado, e comeu, e se fartou, e ainda lhe sobejou.


Hinos Sugeridos: 178 • 410 • 473 da Harpa Cristã

■ INTRODUÇÃO 

Na lição anterior, o assunto central foi a amizade entre Noemi e Rute, sogra e nora. Nesta, um novo personagem entra em cena: Boaz, o parente remidor. Veremos como o Deus da providência recompensa os que se doam a bons relacionamentos.

Palavra-Chave: Encontro

I - BOAZ, O REMIDOR

1. Um homem próspero. O capítulo 2 de Rute nos apresenta Boaz, um “homem valente e poderoso, da geração de Elimeleque” (Rute 2.1). Os termos “valente” e “poderoso” referem-se ao caráter íntegro e à influência de Boaz, além de seu poder econômico. Um grande produtor rural, Boaz tinha plantações de cevada e trigo, e muitos trabalhadores a seu serviço (Rute 2.5,6,23). Reunia qualificações e condições para cumprir o papel de remidor.

2. “Goel” e “Levir”. A expressão “da geração de Elimeleque” não nos permite saber o grau de parentesco entre Boaz e o marido de Noemi. Segundo uma tradição rabínica, era sobrinho. Como parente próximo, poderia ser o “goel”, ou seja, o resgatador da terra que o falecido havia vendido (Rt 4.3), como também poderia cumprir o costume antigo do casamento (Gn 38.6-11). Eram duas prescrições distintas contidas na Lei de Moisés. A do resgatador previa que quando um israelita ficasse pobre e precisasse vender suas terras, seu parente mais próximo tinha o dever de comprá-las de volta e restituí-lhe. E se o hebreu fosse comprado como escravo por um estrangeiro, um parente tinha o dever de resgatá-lo (Lv 25.25-28; 47-59). Já a lei do levirato previa que o irmão do cunhado (“levir”) se casasse com a viúva e suscitasse descendência ao falecido (Dt 25.5-10; Mt 22.24-48). Tudo indica que essa prática foi ampliada, seguindo uma ordem de parentesco mais abrangente, semelhante à do resgatador (Lv 25.48,49). No caso de Boaz, havia um remidor “mais chegado” que ele (Rt 3.12).

3. Temor e respeito. A saudação de Boaz a seus empregados demonstra que ele temia a Deus. A invocação a Jeová (“o Senhor seja convosco”), dirigida a todos os segadores, indica, também, seu respeito aos que com ele trabalhavam. Os empregados lhe retribuem com uma saudação também amistosa e piedosa: “O Senhor te abençoe” (Rt 2.4). Patrões e empregados devem se tratar com mútua consideração, reconhecendo a posição e o papel próprios de cada um na relação de trabalho (Ef 6.5-9; Cl 3.22 – 4.1).

SINOPSE I
Boaz era um homem próspero e respeitado por todos que o cercavam.

II - O CARINHO DE BOAZ PARA COM RUTE

1. A pureza não exclui a ternura. Logo que chegou ao campo, Boaz notou a presença de uma moça diferente entre os que respigavam (Rt 2.5). Informado de que era Rute, dirigiu-se a ela de forma carinhosa. Chamando-a de filha, deu liberdade para continuar catando espigas em sua plantação e lhe assegurou de que seria tratada com o devido respeito: “não dei ordem aos moços, que te não toquem?” (Rt 2.9). Boaz se preocupou com a segurança de Rute. Assédio moral e sexual são atitudes pecaminosas e perturbadoras no ambiente laboral e em qualquer área da vida. Boaz era um cavalheiro, muito educado com todos. Um viver santo não exige que sejamos rudes e descorteses (2 Rs 4.8,9). Jesus, o mais puro dos homens, convivia com todos (Mc 2.15-17; Jo 4.3-27).

2. Deus estava agindo. A atitude de Boaz surpreendeu Rute. Como estrangeira e pobre, certamente ela tinha receio de como seria tratada. Agia com educação e muita discrição (Rt 2.7). Impressionada com o gesto de Boaz, inclinou-se ao chão e, de forma humilde, reconheceu ser indigna do tratamento que recebeu (Rt 2.10). Havia uma motivação especial na conduta de Boaz: ele já conhecia a bela história de Rute (Rt 2.11). Um bom testemunho nos abre muitas portas.

Assédio moral e sexual são atitudes pecaminosas e perturbadoras no ambiente laboral e em qualquer área da vida. 
[...] Um viver santo não exige que sejamos rudes e descorteses.

3. Sensível e espiritual. Boaz conciliava firmeza moral e sensibilidade; ternura e espiritualidade. O versículo chave do livro é uma declaração feita por ele a Rute (Rt 2.12). Boaz tinha uma profunda compreensão espiritual. Ele reconhecia que o Deus dos hebreus não estava limitado a fronteiras territoriais ou barreiras étnicas. E como servo de Yahweh, estava sendo usado para abençoar uma piedosa moabita. Suas palavras tocaram profundamente o coração de Rute e lhe deram grande conforto (Rt 2.13).

SINOPSE II
Boaz tratou Rute com ternura, respeito e sensibilidade espiritual.

III – A COLHEITA DE RUTE E A SUA SOBREVIVÊNCIA

1. A lei da semeadura. Uma cosmovisão secular produz a ilusão de que vivemos em um mundo “dos homens”, apartados de Deus e não afetados por Ele. Isso é fruto de uma incredulidade crescente (Lc 18.1-8; 1 Tm 4.1).Essa visão dualista em nada condiz com as Escrituras e com a realidade dos que confiam no Senhor da Providência. Rute decidiu servir ao Deus de Israel, em vez de Quemós, o deus dos moabitas, cuja adoração incluía o sacrifício de crianças (Nm 21.29; 1 Rs 11.7; 2 Rs 3.26,27). Agora, ela começava a experimentar a mão invisível de Jeová-Jireh agindo graciosamente em seu favor. A lei da semeadura funciona integralmente (2 Co 9.6; Gl 6.7).

2. Os “acasos” de Deus. O primeiro sinal da ação de Deus foi a escolha aparentemente aleatória que Rute fez, indo apanhar espigas no campo de Boaz (Rt 2.3). Para ela, era apenas uma casualidade, quando, na verdade, era um inequívoco ato da providência divina. Deus tem o controle de tudo e age em favor dos que o amam (Rm 8.28). Quando Rute retornou para casa e contou onde havia trabalhado, Noemi não escondeu sua exultação (Rt 2.2o). Uma esperança brotou no coração da pobre viúva (Jó 14.7-9).

Para ela, era apenas uma casualidade, quando, na verdade, era um inequívoco ato da providência divina. Deus tem o controle de tudo e age em favor dos que o amam.

3. O resultado da colheita. Alguns frutos de nossas ações são colhidos de imediato. Outros levam tempo para aparecer. Pela forma graciosa como era tratada, Rute colhia cereais em abundância diariamente nos campos de Boaz (Rt 2.17,21). A colheita garantia sua sobrevivência e de sua sogra. O trabalho árduo durou toda a estação: entre março e abril colheu cevada; e de abril a junho, trigo. Concluído o trabalho, ficou com a sogra (Rt 2.23). Uma ‘colheita” ainda maior seria feita por ela em tempo oportuno (Ec 3.1). Nosso Deus trabalha por aqueles que nEle esperam (Is 64.4).

SINOPSE III
A história de Rute com Boaz revela a validação da lei da semeadura e o bom plano de Deus em sua vida e no mundo.

■ CONCLUSÃO

A atitude de fé de Rute estava sendo recompensada. Sua prontidão em cuidar da sogra levou-a a encontrar conforto e proteção naquele que seria o resgatador de toda a família e que a incluiria na genealogia do Redentor da humanidade. O Deus de Rute é o nosso Deus. Ele continua agindo por aqueles que decidem se abrigar debaixo de suas asas. Confiar nEle e viver fazendo o que lhe agrada é o meio infalível de alcançar sua misericórdia e favor.

REVISANDO O CONTEÚDO

1. Quem era Boaz?
Um “homem valente e poderoso, da geração de Elimeleque” (Rt 2.1). Um grande produtor rural, Boaz tinha plantações de cevada e trigo, e muitos trabalhadores a seu serviço (Rt 2.5,6,23).

2. Qual o significado de “goel” e “Levir”?
“Goel”, ou seja, o resgatador da terra que o falecido havia vendido (Rt 4.3). “levir”, o irmão do cunhado.

3. Qual o versículo chave do livro de Rute?
O versículo chave do livro é uma declaração feita por ele a Rute: “O Senhor galardoe o teu feito, e seja cumprido o teu galardão do Senhor, Deus de Israel, sob cujas asas te vieste abrigar” (2.11).

4. O que motivou Boaz a tratar Rute com tanta generosidade?
Boaz tinha uma profunda compreensão espiritual. Ele reconhecia que o Deus dos hebreus não estava limitado a fronteiras territoriais ou barreiras étnicas.

5. Qual a reação de Noemi quando Rute lhe informou sobre Boaz?
Quando Rute retornou para casa e contou onde havia trabalhado, Noemi não escondeu sua exultação: “Bendito seja do Senhor, que ainda não tem deixado a sua beneficência nem para com os vivos nem para com os mortos […]: Este homem é nosso parente chegado e um dentre os nossos remidores” (Rt 2.20).

VOCABULÁRIO

Respigavam: apanhavam no campo as espigas que ali ficavam; colhiam.

Laboral: Relativo ao trabalho.

Cosmovisão: Visão de mundo; forma de viver


LIÇÃO        1     2    3    4    5    6    7    8    9    10    11    12    13 


segunda-feira, 22 de julho de 2024

LIÇÃO 3 - RUTE E NOEMI: ENTRELAÇADAS PELO AMOR

 3° TRIMESTRE DE 2024  EBD ADULTOS


TEXTO ÁUREO

“Disse, porém, Rute: Não me instes para que te deixe e me afaste de ti; porque, aonde quer que tu fores, irei eu e, onde quer que pousares à noite, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus.” (Rute 1:16)

VERDADE PRÁTICA

Amar uns aos outros sem nada exigir em troca evidência que Deus está em nós e nos une em relacionamentos fortes e duradouros.

LEITURA DIÁRIA


Segunda – Hebreus 11.32-34
■ Tirando força da fraqueza, batalhando e se esforçando

Terça  – Provérbios 20.11
 ■ Quando a manipulação sutil se manifesta desde a infância

Quarta – Provérbios 17.17
■  Quando um amigo é mais chegado que um irmão

Quinta – Mateus 6.19-21 • 1 Timóteo 6.17-19 • Tiago 5.1-6
■ A situação do rico diante do princípio da Palavra de Deus

 Sexta – Tito 2.3-5
■  O papel das mulheres mais velhas na orientação das mais novas

Sábado – Lucas 24.1-10 • João 20.11-18
■ As mulheres como testemunhas no ministério de Jesus

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Rute 1.6-8 • Rute 1.14-19

6 - Então se levantou ela com as suas noras, e voltou dos campos de Moabe, porquanto na terra de Moabe ouviu que o Senhor tinha visitado o seu povo, dando-lhe pão.

7 - Por isso saiu do lugar onde estivera, e as suas noras com ela. E, indo elas caminhando, para voltarem para a terra de Judá,

8 - Disse Noemi às suas noras: Ide, voltai cada uma à casa de sua mãe; e o Senhor use convosco de benevolência, como vós usastes com os falecidos e comigo.

...

14 - Então levantaram a sua voz, e tornaram a chorar; e Orfa beijou a sua sogra, porém Rute se apegou a ela.

15 - Por isso disse Noemi: Eis que voltou tua cunhada ao seu povo e aos seus deuses; volta tu também após tua cunhada.

16 - Disse, porém, Rute: Não me instes para que te abandone, e deixe de seguir-te; porque aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus

17 - Onde quer que morreres morrerei eu, e ali serei sepultada. Faça-me assim o Senhor, e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti.

18 - Vendo Noemi, que de todo estava resolvida a ir com ela, deixou de lhe falar.

19 - Assim, pois, foram-se ambas, até que chegaram a Belém; e sucedeu que, entrando elas em Belém, toda a cidade se comoveu por causa delas, e diziam: Não é esta Noemi?


Hinos Sugeridos: 198 • 200 • 344 da Harpa Cristã

■ INTRODUÇÃO 

Já fizemos uma visão panorâmica do livro de Rute. Agora, vamos caminhar por seus capítulos e versículos, focados nos principais personagens da obra: Rute, Noemi e Boaz. Nesta lição, estudaremos o relacionamento entre Noemi e Rute, duas mulheres unidas por um amor profundo e uma intensa mutualidade. O caráter voluntário da doação pessoal de sogra e nora é um extraordinário exemplo de abnegação e amizade sincera.

Palavra-Chave: Amor

I - A PROPOSTA DE NOEMI

1. Uma crise em família. É importante considerar as circunstâncias da vida de Noemi para entender o valor e o significado de seus atos. Principal provedor da casa, seu marido Elimeleque (no hebraico, “Meu Deus é Rei”) havia morrido. Seus filhos Malom (“doença”) e Quiliom (“definhamento”) casaram-se e tiveram morte prematura, deixando viúvas as moabitas Rute (“amizade”) e Órfã (“pescoço”). Considerando a expressão que os nomes tinham na Antiguidade, é bastante provável que Malom e Quiliom não tivessem boas condições de saúde desde o nascimento. A vida de Noemi (“agradável”) tornou-se amarga, como ela mesma diria tempos depois, preferindo ser chamada de Mara (“amargosa”) (Rut2 1.20).

2. Tirando força da fraqueza. Todas as pessoas, inclusive as cristãs, estão sujeitas a dias maus (Ec 7.14). A diferença é como cada uma se comporta em meio às tempestades da vida (Ef 6.13; Mt 7.24-27).Noemi não escondeu seus sentimentos, mas também não os explorou, com autopiedade ou autocomiseração. Quando soube que Deus havia abençoado o seu povo, “se Ievantou” com suas noras para voltar a Belém (Rt 1.6,7). Ela teve uma atitude de liderança, mesmo em meio à tristeza e dor que sentia pela perda do marido e dos filhos. A distância entre os campos de Moabe e Belém era superior a 120 quilômetros. Idosa, Noemi soube tirar força da fraqueza subindo e descendo das montanhas, em tempos tão remotos (Hb 11.34). Se tivesse se entregado aos seus sentimentos, jamais teria tomado uma decisão tão desafiadora. Os problemas da vida não podem nos paralisar (Pv 24.10).

3. Sem manipulação emocional. Rute e Orfa decidiram prontamente acompanhar a sogra. Mas tão logo começaram a viagem, Noemi decidiu liberá-las, para que voltassem à casa dos pais (Rt 1.7,8; 2.11). Mesmo de avançada idade, Noemi pensou primeiro em suas noras e no futuro delas. De volta às suas origens, Rute e Orfa poderiam casar novamente e constituírem família (Rt 1.8-13). Noemi assumiu sua condição pessoal, sem apelar aos sentimentos das noras. Esse tipo de conduta é fundamental para a construção de relacionamentos saudáveis. A manipulação emocional é sutil e costuma se manifestar desde a infância (Pv 20.11). O pecado não escolhe idade. Pessoas emocional e espiritualmente sadias não são manipuladoras.

SINOPSE I
A crise familiar de Noemi traz lições a respeito da perseverança e do bem-estar emocional.

II - A CONVICÇÃO AMOROSA

1. Uma amizade provada e aprovada. Órfã amava Noemi, mas seu sentimento e força moral não eram tão fortes quanto os de Rute. Quando a sogra disse pela segunda vez que voltassem para a casa dos pais, Órfã se convenceu de que isso era o melhor para ela. Chorando, abraçou Noemi e voltou para seu povo. Rute, porém, se apegou a Noemi (Rt 1.14). A firmeza e o altruísmo de Noemi novamente se revelam. Ela insiste para que Rute faça o mesmo que sua cunhada (Rt 1.15). A atitude de Noemi extraiu o que havia no mais íntimo de Rute: uma convicção amorosa por sua sogra, além de uma declaração de fé no Deus de Israel: “[…] aonde quer que tu fores, irei eu e, onde quer que pousares à noite, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus” (Rt 1.16). As verdadeiras amizades resistem às mais intensas provas.

2. Amizade na adversidade. A convicção amorosa de Rute é mesmo surpreendente. Salomão escreveu que “o amigo ama em todos os momentos; é um irmão na adversidade” (Pv 17.17). Rute estava disposta a enfrentar toda e qualquer dificuldade ao lado da sogra viúva e idosa. As expressões “onde quer que pousares à noite, ali pousarei eu” e “onde quer que morreres, morrerei eu” (Rt 1.16,17) demonstravam o grau de companheirismo e comprometimento da jovem moabita. E isso não ficou somente em palavras; transformou-se em atitudes concretas por toda a vida. Nesses dias de tanto individualismo, qual tem sido o nível de nossos relacionamentos?

3. Um amor prático. Chegando a Belém, Rute não ficou parada, envolta em expectativas fantasiosas. Encarando a realidade, prontificou-se a um trabalho humilde e penoso, que era feito por pessoas pobres e necessitadas: ir às plantações e catar espigas que caíam e ficavam no chão durante a colheita, como instituído nos dias de Moisés (Rt 2.2; Lv 19.9,10; 23.22.; Dt 24.19). Na Palavra de Deus, o princípio básico é: os ricos não podem reter para si toda a riqueza, devendo inclusive auxiliar os necessitados (Mt 6.19-21; 1Tm 6.17-19; Tg 5.1-6); mas também não são obrigados a alimentar o ócio dos pobres, que devem ir ao campo e trabalhar duro para garantir o seu sustento, pois, exceto nos casos de incapacidade física ou mental, o mesmo princípio vige até hoje (Gn 3.19; 2 Ts 3.3.10-13). Rute trabalhou – e muito nos campos de Boaz. Seu esforço impressionou o chefe dos trabalhadores. No fim do dia, recolhia tudo e levava para a sogra (Rt 2.7,17,18). Rute não apenas dizia amar, ela praticava o amor (1 Jo 3.18).

SINOPSE II
A convicção amorosa de Rute nos ensina a respeito do amor prático.

III - A CONVICÇÃO DA MULHER: "O TEU DEUS É O MEU DEUS"

1. Uma fé fervorosa. Rute é um exemplo de fé fervorosa. Sua declaração convicta perante Noemi – “o teu Deus é o meu Deus” demonstra sua profunda devoção ao Deus de Israel, sob cujas asas decidiu se abrigar (Rt 2.12). Seu fervor é demonstrado em suas atitudes. Rute renunciou ao modelo de vida frívolo dos moabitas, e não seguiu caminhos fáceis entre os belemitas (Rt 3.10). Manteve uma vida austera e disciplinada e, assim, alcançou uma excelente reputação: “Toda a cidade do meu povo sabe que és mulher virtuosa” (Rt 3.11).

2. Uma fé que inspira. A fé de Rute foi inspirada na vida e crença de sua sogra. Ao referir-se ao Deus de Noemi, dava testemunho de sua fé. Em todos os tempos, as mulheres mais velhas têm a missão de resistir aos ventos da superficialidade espiritual, sendo piedosas, dedicadas a Deus e à família, a despeito das pressões da sociedade mundana. Somente assim poderão inspirar e ensinar as mais novas (Tt 2.3-5).

3. Sensibilidade sob liderança. As Escrituras evidenciam a profunda sensibilidade espiritual da mulher. Um exemplo disso é o fato de terem sido as primeiras a testemunhar e crer na ressurreição de Jesus (Lc 24.1-10; Jo 20.11-18). É de grande valor quando esse extraordinário potencial feminino é reconhecido e floresce sob uma liderança séria, que orienta o trabalho da mulher, evitando que ela seja explorada em sua fé (Fp 4.3; Rm 16.12; Mc 12.38-40; 2 Tm 3.6,7).

SINOPSE III
A convicção de Rute nos apresenta uma Fé fervorosa e que inspira.

■ CONCLUSÃO

O relacionamento de Noemi e Rute nos ensina quão precioso para Deus é o amor altruísta. Ao pensarem uma na outra e se dedicarem ao cuidado mútuo, ambas foram alcançadas pelo favor divino (Rt 4.13-17). Em um mundo tão narcisista, o Senhor espera que nos doemos mais uns aos outros. A família é o primeiro ambiente no qual o amor deve ser praticado (1Tm 5.8). O segundo, nossa igreja local.

REVISANDO O CONTEÚDO

1. Que atitudes de Noemi revelam seu altruísmo?
Noemi decidiu liberá-las, para que voltassem à casa dos pais (Rt 1.7,8; 2.11). Mesmo de avançada idade, Noemi pensou primeiro em suas noras e no futuro delas.

2. O que a insistência de Noemi extraiu de Rute?
A atitude de Noemi extraiu o que havia no mais íntimo de Rute: uma convicção amorosa por sua sogra, além de uma declaração de fé no Deus de Israel.

3. Como se revelou o amor prático de Rute?
Rute trabalhou – e muito – nos campos de Boaz. Seu esforço impressionou o chefe dos trabalhadores. No fim do dia, recolhia tudo e levava para a sogra (Rt 2.7,17,18). Rute não apenas dizia amar, ela praticava o amor (1 Jo 3.18).

4. Qual a missão das mulheres mais velhas em relação às mais novas?
As mulheres mais velhas têm a missão de resistir aos ventos da superficialidade espiritual, sendo piedosas, dedicadas a Deus e à família, a despeito das pressões da sociedade mundana. Somente assim poderão inspirar e ensinar as mais novas (Tt 23-5).

5. Qual a importância da liderança em relação à sensibilidade espiritual da mulher?
E de grande valor quando esse extraordinário potencial feminino é reconhecido e floresce sob uma liderança séria, que orienta o trabalho da mulher, evitando que ela seja explorada em sua fé (Fp 4.3; Rm 16.12; Mc 12.18- 40; 2 Tm 3.6,7).

VOCABULÁRIO

Ócio: falta de ocupação, cessação de trabalho.

Frívolo: que é ou tem pouca importância; inconsistente, inútil, superficial. 


LIÇÃO         1     2    3    4    5    6    7    8    9    10    11    12    13


terça-feira, 9 de julho de 2024

LIÇÃO 2 - O LIVRO DE RUTE

 3° TRIMESTRE DE 2024  EBD ADULTOS

TEXTO ÁUREO

“E sucedeu que, nos dias em que os juízes julgavam, houve uma fome na terra; pelo que um homem de Belém de Judá saiu a peregrinar nos campos de Moabe, ele, e sua mulher, e seus dois filhos.” 
(Rute 1.1)

VERDADE PRÁTICA

Servir a Deus não nos isenta de crises. Em qualquer circunstância, o segredo é permanecer fiel, confiando na providência divina.

LEITURA DIÁRIA


Segunda – Rute 1.1 • Rute 4.21,22
■ O contexto do Livro de Rute remete aos juízes

Terça  – Juízes 1.7-19
 ■ Um contexto de anarquia e infidelidade do povo hebreu

Quarta – Juízes 2.7-13 • Juízes 3.5-7
■  Israel atraído à idolatria dos cananeus

Quinta – Salmos 103.8 • Joel 2.13 • Romanos 2.4
■ Longanimidade e misericórdia de Deus

 Sexta – Gênesis 49.10
■  O cetro não se afastará da tribo de Judá

Sábado – cf. Efésios 2.11-16
■ Boaz e Rute: O prenúncio da derrubada da parede de separação

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Rute 1.1-5

Rute 1


1 – E sucedeu que, nos dias em que os juízes julgavam, houve uma fome na terra; pelo que um homem de Belém de Judá saiu a peregrinar nos campos de Moabe, ele, e sua mulher, e seus dois filhos.

2 – E era o nome deste homem Elimeleque, e o nome de sua mulher, Noemi, e os nomes de seus dois filhos, Malom e Quiliom, efrateus, de Belém de Judá; e vieram aos campos de Moabe e ficaram ali.

3 – E morreu Elimeleque, marido de Noemi; e ficou ela com os seus dois filhos,

4 – os quais tomaram para si mulheres moabitas; e era o nome de uma Orfa, e o nome da outra, Rute; e ficaram ali quase dez anos.

5 – E morreram também ambos, Malom e Quiliom, ficando assim esta mulher desamparada dos seus dois filhos e de seu marido.


Hinos Sugeridos: 33 • 459 • 511 da Harpa Cristã

■ INTRODUÇÃO 

O livro de Rute se destaca não apenas por sua beleza literária mas, principalmente, pela profundidade espiritual de sua mensagem. Fonte de inspiração para judeus e cristãos ao longo dos séculos, o livro narra uma história de amizade, amor e redenção. Uma extraordinária demonstração de como o Todo-poderoso trabalha em meio às crises para cumprir seus desígnios eternos. Ele transforma tristeza em alegria, perdas em ganhos, derrotas em vitórias. Rute nos apresenta Jeová-Jireh, o Deus que provê (Gênesis 22.14).

Palavra-Chave: Providência

I - A ORGANIZAÇÃO DO LIVRO

1. Na Bíblia Hebraica. O Livro de Rute pertence à terceira divisão ou seção da Tanakh, a Bíblia Hebraica, que é composta apenas dos livros do Antigo Testamento da Bíblia Cristã. Essa terceira seção é chamada Ketuvim ou Hagiógrafos (Escritos). A primeira seção é a Torá (Pentateuco) e a segunda é a Neviim (Profetas) (Lc 24.44). Dentre os Escritos, que são onze livros, estão os Megillot (cinco rolos), livros curtos lidos publicamente nas festas judaicas anuais: Cântico dos Cânticos, Rute, Lamentações, Eclesiastes e Ester. Em função de narrar fatos ocorridos durante a colheita, a leitura litúrgica de Rute era tradicionalmente feita durante o Shovuot (Pentecoste), a festa da colheita.

2. Na Bíblia Cristã. Enquanto a Bíblia Hebraica está dividida em três seções (Pentateuco, Profetas e Escritos), o Antigo Testamento da Bíblia Cristã é composto de quatro: Pentateuco, Poéticos, Históricos e Proféticos. Rute está categorizado como um livro histórico, por seu evidente gênero narrativo. Mas é identificado também por sua extraordinária beleza poética. Empregando estilo e linguagem próprios do hebraico clássico, o autor expõe aspectos subjetivos da vida dos personagens (Rt 1.12-21; 2.13,20; 3.1; 4.16). A obra está organizada em quatro capítulos, somando 85 versículos.

3. Autoria e data. Há uma diversidade de opiniões entre os eruditos acerca da autoria e data do Livro de Rute. Samuel é o autor mais provável. O Talmude, obra milenar de regulamentos e tradições judaicas, atribui a ele a autoria. A forma como o autor se refere a Jessé e Davi, parece indicar contemporaneidade e familiaridade com os personagens, o que também aponta para Samuel (Rt 4.17). Além disso, as características gerais da obra indicam uma atmosfera própria do início do período da monarquia de Israel. Sendo assim, o livro teria sido escrito no século X a.C.

SINOPSE I
Rute está categorizado como um livro histórico por causa do seu evidente gênero narrativo.

II - O CONTEXTO HISTÓRICO

1. No tempo dos juízes. Não há uma data precisa para os fatos narrados em Rute. O que sabemos é que ocorreram três gerações antes de Davi, nos dias dos juízes (Rt 1.1; 4.21,22). Esse período (dos juízes) durou mais três séculos. Começou depois da morte de Josué (por volta de 1375 a.C.) e se estendeu até o início da monarquia de Israel, com a ascensão de Saul ao trono (1050 a.C.). Foi marcado por uma grande anarquia e uma profunda apostasia e infidelidade do povo hebreu (Jz 1.7-19). Uma frase que identifica bem aquela época sombria é: “cada qual fazia o que parecia direito aos seus olhos” (Jz 17.6). Sem uma sábia direção, o povo perece (Pv 11.14).

2. Secularismo, hedonismo e idolatria. Depois da morte de Josué e dos demais líderes de seu tempo, levantou-se uma geração que não tinha uma profunda comunhão com Deus e não conhecia o que Ele havia feito ao povo hebreu. Israel cedeu ao estilo de vida pecaminoso dos cananeus e foi atraído à adoração dos seus deuses (Jz 2.7-13; 3.5-7). Secularismo e hedonismo sempre levam a grandes tragédias morais e espirituais. O pervertido culto a Baal (o deus da chuva) e a Astarote (a deusa do sexo e da guerra) passou a set praticado pela nação hebreia, em um degradante nível de imoralidade e idolatria. A falta de uma liderança espiritualmente madura e temente a Deus causa prejuízos incalculáveis ao povo. No Reino de Deus, não basta ter carisma para liderar; é preciso ter caráter aprovado (1 Tm 3.2-13; 2 Tm 2.15; Tt 2.7,8).

3. Opressão, clamor e livramento. A apostasia tornou Israel presa fácil de seus inimigos, que atacavam e saqueavam suas cidades e terras, e mantinham o povo sob domínio opressor por longos períodos (Jz 3.7-9;12-14; 4.1-3; 6.1-6). Afligida, a nação clamava a Deus, e o Senhor levantava juízes para libertar o seu povo. Esses juízes (heb. shophetim) não eram magistrados civis, como os que conhecemos hoje, que julgam em fóruns e tribunais. Eram libertadores geralmente líderes militares, como Otniel, Baraque e Gideão (Jz 3.9-11; 4.1o-15; 7.16-25) – , poderosamente usados por Deus para “julgar” a causa de Israel, livrando-o de seus opressores. Apesar dos repetidos ciclos de infidelidade da nação, Deus ouvia o gemido do seu povo em seus momentos de dor e aflição (Jz 2.18). O Senhor é longânimo e cheio de misericórdia (Sl 1o3.8; Jl 2.13; Rm 2.4; Lm 3.22). Ele ouve os que a Ele clamam (Jr 29.12,13; Is 55.6).

SINOPSE II
Os fatos narrados em Rute têm como contexto maior os dias dos juízes, caracterizados pela frase: “cada um fazia o que bem queria”.

III - PROPÓSITO E MENSAGEM

1. O cetro de Judá. Vários propósitos são atribuídos ao Livro de Rute. O principal e mais evidente deles é apresentar Davi como descendente de Judá, a tribo real da qual viria o Messias, “o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi” (Ap 5.5; cf . Rt 4.18 -22). Gênesis 49.10 diz: “O cetro não se arredará de Judá, nem o legislador dentre seus pés, até que venha Siló; e a ele se congregarão os povos”. Embora Rúben fosse o primogênito de Jacó, seu ato de desonra ao leito do pai, deitando-se com sua concubina , fez com que perdesse a primogenitura – a posição de liderança (Gn 35.22; 49.4). A promessa feita a Abraão seguia, agora, pela descendência de Iudá. Sendo Samuel o autor do livro de Rute, o propósito de registrar a genealogia de Davi ganha ainda mais sentido, já que naquele tempo o rei de Israel era Saul, uffi benjamita (1Sm 9.1,2; 25.1).A ancestralidade de Davi o legitimava para o trono.

2. Amor e redenção. A mensagem principal de Rute é o amor de Deus e seu plano de redenção da humanidade. Como representantes de judeus e gentios, respectivamente, Boaz e Rute prenunciam a derrubada da parede de separação (Ef 2.11-16). A redenção é vista, o livro, nos sentidos literal e tipológico. Boaz é o parente remidor que preservou a descendência de EIimeleque, mas é, também, um tipo de Cristo, nosso Redentor (Is 59.20; Lc 1.68; Ef 1.7; Tt 2.14).

3. Fidelidade e altruísmo. O livro de Rute abre uma janela que nos permite ver que nem tudo eram trevas nos dias dos juízes. Havia um remanescente fiel, que temia a Deus e foi usado por Ele para cumprir seus propósitos (Jó 42.2). Em um mundo de crescente iniquidade, o justo vive pela fé (Hc 2.4; cf. Mt 24.12,13). Outra eloquente mensagem do livro é o valor do altruísmo em que predominava o egoísmo. Nos dias dos juízes, a maioria vivia segundo os seus próprios padrões e interesses (Jz 21.25). Noemi e Rute destoaram dessa máxima individualista. Sogra e nora não pensavam em si mesmas. O amor não é egoísta (1Co 13.5).

SINOPSE III
O Cetro de Judá, o Amor, a redenção, a fidelidade e o altruísmo são temas que se destacam ao longo do livro.

■ CONCLUSÃO

O livro de Rute nos ensina que, a despeito da incredulidade e dos pecados do homem, Deus sempre trabalha para cumprir os seus desígnios. Sem violar o princípio do livre-arbítrio humano, o Todo-poderoso conduz a história e executa seu plano eterno de redenção. O livro também nos mostra como a fidelidade de Deus se aplica às circunstâncias comuns da vida. Em tudo Ele é fiel (Is 64.4).

REVISANDO O CONTEÚDO

1. Como o livro de Rute é classificado na Bíblia Hebraica?
O Livro de Rute pertence à terceira divisão ou seção da Tanakh, a Bíblia Hebraica: Ketuvim ou Hagiógrafos (Escritos).

2. Como e por que o livro é categorizado na Bíblia Cristã?
Rute está categorizado como um livro histórico, por seu evidente gênero narrativo.

3. Que evidências apontam para a autoria de Samuel?
O Talmude, obra milenar de regulamentos e tradições judaicas, atribui a ele a autoria. A forma como o autor se refere a Jessé e Davi parece indicar contemporaneidade e familiaridade com os personagens, o que também aponta para Samuel (Rt 4.17).

4. Qual o contexto histórico de Rute?
O tempo dos Juízes.

5. Qual a principal mensagem do livro?
Vários propósitos são atribuídos ao Livro de Rute. O principal e mais evidente deles é apresentar Davi como descendente de Judá, a tribo real da qual viria o Messias, “o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi” (Ap 5.5; cf. Rt 4.18 -22).


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segunda-feira, 1 de julho de 2024

LIÇÃO 1 - DUAS IMPORTANTES MULHERES NA HISTÓRIA DE UM POVO

 3° TRIMESTRE DE 2024  EBD ADULTOS


TEXTO ÁUREO
Então, as mulheres disseram a Noemi: Bendito seja o Senhor, que não deixou, hoje, de te dar remidor, e seja o seu nome afamado em Israel.
(Rute 4.14)

VERDADE PRÁTICA
Conhecidas ou anônimas, muitas mulheres foram fundamentais no plano divino de redenção da humanidade.

LEITURA DIÁRIA

Segunda – Mateus 1.5-17 • Lucas 3.32
■ Rute: uma ascendente direta de Davi

Terça  – Rute 4.13-15
 ■ Rute gera um filho de Boaz, seu remidor

Quarta – Ester 2.5-7,15
■  Ester foi criada pelo primo, Mardoqueu

Quinta – Ester 2.16,17
■ Ester se torna rainha: um ato da providência divina

Sexta – Rute 1.11-13
■  Mulheres sábias compreendem o seu papel no Reino de Deus

Sábado – Ester 2.15-17
■ Mulheres que se portam de maneira humilde

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Rute 4.13-22 • Ester 7-1.7

Rute 4


13 – Assim, tomou Boaz a Rute, e ela lhe foi por mulher; e ele entrou a ela, e o Senhor lhe deu conceição, e ela teve um filho.
14 – Então, as mulheres disseram a Noemi: Bendito seja o Senhor, que não deixou, hoje, de te dar remidor, e seja o seu nome afamado em Israel.
15 – Ele te será recriador da alma e conservará a tua velhice, pois tua nora, que te ama, o teve, e ela te é melhor do que sete filhos.
16 – E Noemi tomou o filho, e o pôs no seu regaço, e foi sua ama.
17 – E as vizinhas lhe deram um nome, dizendo: A Noemi nasceu um filho. E Chamaram o seu nome, Obede. Este é o pai de Jessé, pai de Davi.
18 – Estas são, pois, as gerações de Perez: Perez gerou a Esrom,
19 – e Esrom gerou a Arão, e Arão gerou a Aminadabe,
20 – e Aminadabe gerou a Naassom, e Naassom gerou a Salmom,
21 – e Salmom gerou a Boaz, e Boaz gerou a Obede,
22 – e Obede gerou a Jessé, e Jessé gerou a Davi.

Rute 7

1 – Vindo, pois, o rei com Hamã, para beber com a rainha Ester,
2 – disse também o rei a Ester, no segundo dia, no banquete do vinho: Qual é a tua petição, rainha Ester? E se te dará. E qual é o teu requerimento? Até metade do reino se fará.
3 – Então, respondeu a rainha Ester e disse: Se, ó rei, achei graça aos teus olhos, e se bem parecer ao rei, dê-se-me a minha vida como minha petição e o meu povo como meu requerimento.
4 – Porque estamos vendidos, eu e o meu povo, para nos destruírem, matarem e lançarem a perder; se ainda por servos e por servas nos vendessem, calar meia, ainda que o opressor não recompensaria a perda do rei.
5 – Então, falou o rei Assuero e disse à rainha Ester: Quem é esse? E onde está esse cujo coração o instigou a fazer assim?
6 – E disse Ester: O homem, o opressor e o inimigo é este mau Hamã. Então, Hamã se perturbou perante o rei e a rainha.
7 – E o rei, no seu furor, se levantou do banquete do vinho para o jardim do palácio; e Hamã se pôs em pé, para rogar à rainha Ester pela sua vida; porque viu que já o mal lhe era determinado pelo rei.

Hinos Sugeridos: 115 • 298 • 515 da Harpa Cristã

■ INTRODUÇÃO 

Rute e Ester são os dois livros da Bíblia que levam o nome de mulheres. Registram duas das mais belas, extraordinárias e dramáticas histórias sagradas. A primeira, ocorrida em Moabe e Belém, no período dos juízes, que durou, aproximadamente, de 1375 a 1050 a.C. A segunda, na Pérsia, depois do cativeiro a.C. Rute e Ester viveram em épocas, circunstâncias e contextos muito diferentes, mas expressaram as mesmas virtudes espirituais e morais: fé, convicção, humildade, coragem, obediência, simplicidade, pureza, abnegação, temor a Deus e disposição de servir. Essas duas mulheres foram fundamentais para a preservação do povo judeu, a descendência piedosa de Abraão. Suas vidas continuam sendo fontes de profunda inspiração para todos que desejam agradar a Deus e viver para a sua glória (Sl 147.11; 1 Co 10.31; Hb 11.6).

Palavra-Chave: Mulheres

I - RUTE: UMA MULHER IMPORTANTE PARA A LINHAGEM DE DAVI

1. Uma moabita. Descendentes de Moabe, filho da relação incestuosa de Ló, o sobrinho de Abraão, com sua filha mais velha (Gn 19.30-37), os moabitas eram um povo pagão, hostil a Israel desde os dias do rei Balaque (Nm 22.1-6; Dt 23.3,4; Jz 11.17). Habitavam a leste do mar Morto (atual Jordânia) e eram dados à idolatria e à imoralidade sexual (Nm 25.1,2; Ap 2.14). Pertencendo a este povo, era de todo improvável que Rute fizesse parte da linhagem de Davi, família da qual viria o Messias, o Salvador do mundo (Gn 49.8-10; Is 11.1,10; Mq 5.2; Ap 5.5). Mas os caminhos de Deus são mais altos que os nossos; estão muito acima de nossa compreensão (Is 55.8,9; Rm 11.33). Ele é soberano (Jó 42.2). Faz do improvável, provável e do impossível, possível quando cremos nEle, o tememos e obedecemos sem impor-lhe qualquer condição (Gn 18.14-16; Hb 11.8-11).

2. A família belemita. A história de Rute muda a partir de seu ingresso em uma piedosa família de Belém de Judá, que peregrinava nos campos de Moabe por causa da fome que assolava a terra de Israel (Rt 1.1). Eram Elimeleque, sua mulher, Noemi, e os filhos Malom e Quiliom. Depois de algum tempo na terra dos moabitas, Elimeleque morre, ficando Noemi na companhia de seus dois filhos (Rt 1.2,3). Rute se casou com Malom, o mais velho deles (Rt 4.10). Ao final de quase 10 anos, também Malom e seu irmão Quiliom morreram. Viúva e sem filhos, Noemi decide voltar a Belém, motivada pela notícia de que a fome havia cessado em sua terra. Embora pudesse permanecer em Moabe – como decidiu Orfa, viúva de Quiliom –, Rute escolhe ir com sua sogra Noemi, declarando sua fé no Deus de Israel (Rt 1.4,6,16).

3. Matrimônio e maternidade. Esta síntese biográfica tem seu ápice em Belém, com dois eventos que foram fundamentais para que o propósito de Deus se cumprisse na vida dessa moabita. Apegada à sua sogra e sempre disposta a obedecê-la e servi-la, Rute alcança o favor do Deus de Israel, “sob cujas asas te vieste abrigar” (Rt 2.12). O casamento com Boaz, parente de Elimeleque, e o nascimento de seu filho Obede (heb. “servo”) fazem de Rute uma ascendente direta de Davi (de quem foi bisavó) e integrante da genealogia de Jesus (Rt 4.1-22; Mt 1.5-17; Lc 3.32). Honrar o casamento e a geração de filhos traz a bênção de Deus para muitas gerações (Hb 13.4; Sl 127.3-5).

SINOPSE I
Rute era uma mulher moabita, de família belemita, que escolheu viver com sua sogra após a morte de seu esposo.

II - ESTER: A MULHER QUE AGIU PARA A SOBREVIVÊNCIA DOS JUDEUS

1. De Belém para Susã. Cerca de cinco séculos depois de Rute, a Bíblia nos apresenta outra mulher notável, Ester, também usada providencialmente por Deus para a preservação do povo de Israel. Filha de Abiail, tio de Mardoqueu, Ester era judia. Órfã de pai e mãe, foi criada pelo primo Mardoqueu (Et 2.5-7,15). Seu nome hebraico era Hadassa, que significa “murta”, uma das plantas favoritas do mundo antigo, de folhas perfumadas e flores brancas ou rosadas, usadas para perfumar ambientes e fazer grinaldas para os nobres nos banquetes. Já o nome persa Ester (stara) significa “estrela”. Ester fazia parte da geração de judeus nascidos no cativeiro. Conforme Isaías e Jeremias haviam profetizado, o fim do cativeiro babilônico foi decretado por Ciro, rei da Pérsia, no ano 538 a.C. (Is 44.26,28; 45.1,4,5,13; Jr 29.10-14). No entanto, a maioria dos judeus permaneceu na Babilônia, sob domínio persa.

2. De órfã a rainha. Susã era a capital do novo império (Et 1.1,2). Lá viviam Ester e Mardoqueu, dentre milhares de outros judeus. Dotada de rara beleza, Ester integrou o grupo de moças virgens que se candidataram para suceder a rainha Vasti, deposta pelo rei Assuero por sua desobediência, como escreve o historiador judeu Flávio Josefo. Vasti se recusou a comparecer a um banquete oferecido pelo rei nos jardins de seu palácio (Et 1.5-8,10-12,21,22). Em um inequívoco ato da providência divina, Ester se tornou rainha em seu lugar (Et 2.16,17). Cinco anos depois, essa jovem judia, agindo com sabedoria e muita coragem, obteve de Assuero um decreto que livrou da morte o povo judeu de todo o império (Et 8 e 9). Como diz Matthew Henry, “ainda que o nome de Deus não se encontre [no livro de Ester], o mesmo não se pode dizer de sua mão, guiando minuciosamente os fatos que culminaram na libertação de seu povo”.

3. No campo ou no palácio. Assim como Rute, Ester é um exemplo inspirativo do quanto valem a fidelidade e a confiança em Deus, seja qual for o contexto em que vivamos. Os princípios divinos são absolutos e imutáveis; sufi cientes para orientar nossa conduta em qualquer tempo e lugar (Sl 19.7-9; 119.89-91).

SINOPSE II
Ester é a mulher judia de Belém; era órfã, mas foi para Susã, capital do império, para se tornar rainha.

III - MULHERES DE DEUS COMO PROTAGONISTAS DA HISTÓRIA

1. O protagonismo feminino. A liderança masculina, instituída por Deus (Gn 1.26; cf. Ef 5.22,23), não anula o propósito divino com a mulher, nem lhe retira a possibilidade de, em muitas circunstâncias, ser protagonista da história. Isso não implica, todavia, na necessidade de confundir ou inverter os papéis entre homem e mulher. Os exemplos de Rute e Ester são eloquentes neste sentido. Não foi a altivez, mas a humildade, a submissão e a obediência que tornaram, tão relevante, a vida dessas mulheres.

2. Cumprindo os papéis. Noemi dá testemunho de que Rute cumpriu bem a função de esposa (Rt 1.8). Seu extraordinário relacionamento com a sogra não nos permite outra conclusão. Ambas eram mulheres sábias, que conheciam bem os seus papéis (Rt 1.11-13), o que é fundamental para uma boa convivência em família, inclusive entre nora e sogra (Pv 14.1).

3. Educação familiar. Não foi apenas a beleza de Ester que lhe fez ser escolhida rainha, mas também sua humildade e seu bom comportamento no palácio (Et 2.15-17). Apesar de órfã, Ester havia recebido uma boa educação de Mardoqueu, a quem devotava obediência e profundo respeito (Et 2.10; 4.1-4). É no lar que somos forjados para os grandes desafios da vida (Pv 29.15,17; 30.17).

SINOPSE III
A Bíblia apresenta mulheres como protagonista da história, cumprindo devidamente o papel estabelecido por Deus.

■ CONCLUSÃO

Deus continua usando mulheres para cumprir seus propósitos. Algumas se tornam conhecidas e têm seus nomes registrados na história, como Rute e Ester. Outras, como a mulher de Noé, vivem a vida toda no anonimato (Gn 6.10,18; 7.7,13; 8.15,16), mas nem por isso deixam de ser importantes. O que seria do patriarca sem uma companheira fiel ao seu lado enquanto cumpria a missão divina que recebera? No Reino de Deus, seja homem, seja mulher, o que importa não é o quanto a pessoa aparece, pois o Senhor olha para o coração (1 Sm 16.7; 1 Co 3.12-15).

REVISANDO O CONTEÚDO

1. A quais períodos históricos estão ligados os livros de Rute e Ester?

O Livro de Rute, ocorrida em Moabe e Belém, no período dos juízes, que durou, aproximadamente, de 1375 a 1050 a.C. O Livro de Ester, na Pérsia, depois do cativeiro babilônico, entre 483 e 473 a.C.

2. Quem eram os moabitas?

Os moabitas eram um povo pagão, hostil a Israel desde os dias do rei Balaque (Nm 22.1-6; Dt 23.3,4; Jz 11.17).

3. Que eventos representam o ápice da história de Rute quanto aos propósitos de Deus em sua vida?

Esta síntese biográfica tem seu ápice em Belém, com dois eventos que foram fundamentais para que o propósito de Deus se cumprisse na vida dessa moabita: apego a sua sogra e o casamento com Boaz.

4. Como a providência divina se manifesta no livro de Ester?

Em um inequívoco ato da providência divina, Ester se tornou rainha em seu lugar (Et 2.16,17). Cinco anos depois, essa jovem judia, agindo com sabedoria e muita coragem, obteve de Assuero um decreto que livrou da morte o povo judeu de todo o império (Et 8 e 9).

5. Para ser protagonista da história a mulher precisa desempenhar papel masculino?

Não. Os exemplos de Rute e Ester são eloquentes neste sentido. Não foi a altivez, mas a humildade, a submissão e a obediência que fizeram tão relevante a vida dessas mulheres.

VOCABULÁRIO

Incestuoso: Relativo ao incesto; relação sexual entre parentes dentro dos graus em que a lei, a moral ou a religião proíbe e condena.

Ascendente: Diz-se de pessoa de quem se descende.


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