Pastor Ademar Rodrigues

Este Blog tem por objetivo explorar temas relacionados à Educação Cristã e ao Ensino Bíblico. Acredito que o conhecimento das Escrituras é essencial para o crescimento espiritual e a formação de discípulos comprometidos. Neste espaço, compartilho insights, reflexões e recursos para enriquecer sua jornada de fé.
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sábado, 28 de dezembro de 2024

LIÇÃO 4 - DEUS É TRIÚNO

  

 1° TRIMESTRE DE 2025  EBD ADULTOS


TEXTO ÁUREO
“Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.”   
(Mateus 28.19)

VERDADE PRÁTICA
Desde a eternidade Deus é Pai, Filho e Espírito Santo e essa verdade está em toda a Bíblia.

LEITURA DIÁRIA

 Segunda – Gênesis 1.1 
 ■ Os primeiros vislumbres da Trindade

 Terça – Isaías 63.8-10
 ■ Javé, o Anjo de sua face e o Espírito de sua santidade são distinguíveis como três pessoas

 Quarta – 1 Coríntios 12.4-6
 ■ O Deus Triúno presente na distribuição dos dons espirituais

 Quinta – 2 Coríntios 13.13
 ■  A Santíssima Trindade presente na bênção apostólica

 Sexta – Efésios 4.4-6
 ■ Três pessoas: Pai é Pai, Filho é Filho e Espírito Santo é Espírito Santo

 Sábado – 1 Pedro 1.2
 ■ A Trindade atua na obra da salvação

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Mateus 3.15-17 • 28.19,20

Mateus 3
15 – Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então, ele o permitiu.
16 – E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele.
17 – E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.

Mateus 28
19 – Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;
20 – ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém!

Hinos Sugeridos: 185 • 307 • 553 da Harpa Cristã

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  • 185 – INVOCAÇÃO E LOUVOR
  • 307 – LOUVOR AO DEUS TRINO
  • 553 – OH! PAI, O SANTO ESPÍRITO

■ INTRODUÇÃO
O Novo Testamento mostra que os cristãos do período apostólico reconheciam o seu Deus como triúno sem precisar de formulação teológica, recurso a que a igreja mais tarde precisou recorrer para responder às idéias equivocadas sobre Deus. A Trindade é uma doutrina com sólidos fundamentos bíblicos e, mesmo sem conhecer essa terminologia, a “Trindade”, os cristãos do período apostólico reconheciam essa verdade.

Palavra-Chave: Trindade

I – COMO A BÍBLIA APRESENTA A SANTÍSSIMA TRINDADE
1. A Trindade e o monoteísmo judaico-cristão. As Escrituras ensinam que o Deus de Israel, revelado nas Escrituras dos judeus (Deuteronômio 6.4 • 2 Reis 19.15 • Neemias 9.6 • Salmos 83.18; 86.10), é o mesmo Deus do Novo Testamento (Marcos 12.29-32).
a) Cada uma das três pessoas é chamada “Deus”. A mesma Bíblia que ensina haver um só Deus, e que Deus é um só, ensina também que o Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus. O nome “Deus” se aplica ao Pai sozinho (Filipenses 2.11), da mesma forma ao Filho (Colossenses 2.9) e ao Espírito Santo (Atos 5.3,4).
b) Cada uma das três pessoas é cada “Senhor”. Isso também ocorre com o Tetragrama (as quatro consoantes do nome divino Yhwh), “Senhor”, pois aplica-se ao Pai sozinho (Salmos 110.1), ao Filho (Isaías 40.3 • Mateus 3.3), e ao Espírito Santo (Ezequiel 8.1,3). No entanto, aplica-se à Trindade (Deuteronômio 6.4 • Salmos 83.18).
c) O monoteísmo bíblico não contradiz a Trindade. “Ouve,  Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor” (Deuteronômio 6.4). Essa é a confissão de fé no Judaísmo. A palavra hebraica ’echad, traduzida como “único”, indica uma unidade composta, é o mesmo termo usado para afirmar que marido e mulher são ambos “uma só carne” (Gênesis 2.24). O termo ’echad, em Deuteronômio 6.4, indica que o monoteísmo judaico-cristão não contradiz a Trindade.

2. Evidência no Antigo Testamento. Essa doutrina está implícita desde o Antigo Testamento, pois há declarações que indicam claramente a pluralidade na unidade de Deus: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gênesis 1.26); “disse o Senhor Deus: Eis que o homem é como um de nós” (Gênesis 3.22); “e o Senhor disse: ... Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro” (Gênesis 11.6,7). E, não para por aí, em Isaías 63.8-14, o Espírito Santo aparece alternadamente com Javé e com o “Anjo de sua face”.

3. Revelada no Novo Testamento. A Trindade bíblica, ou seja, a Trindade em si mesma, pregada pelos cristãos, consiste em um só Deus que subsiste eternamente em três Pessoas distintas.
a) A Trindade em si mesma. A base bíblica da Trindade salta à vista de qualquer leitor do Novo Testamento a começar pela Grande Comissão (Mateus 28.19), na distribuição dos dons espirituais (1 Coríntios 12.4-6), na bênção apostólica, também conhecida como bênção trinitária (2 Coríntios 13.13), na unidade da igreja (Efésios 4.4-6), na obra da salvação (1 Pedro 1.2). Além das inúmeras passagens tripartidas que revelam a Trindade (Filipenses 3.3).
b) A Trindade dos credos. A Trindade é a união de três Pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo em uma só Divindade, iguais em poder, glória, majestade e eternidade, da mesma substância, embora distintas.

SINOPSE I
Embora o termo “Trindade” não esteja nas Escrituras, seu conceito e doutrina são demonstrados por toda a Bíblia.

II – AS HERESIAS CONTRA A DOUTRINA DA TRINDADE
São duas as principais heresias contra a Trindade: o Unicismo e o Unitarismo. Ambas são contrárias à Bíbia, condenadas pelas igrejas antigas e rejeitadas pelos principais ramos do Cristianismo. Nesta lição, trataremos do Unicismo.
l. O Unicismo. Esse movimento desde a sua origem no século 3 é conhecido como monarquianismo, modalismo, patripassianismo e sabelianismo. Os principais heresiarcas representantes desse movimento foram Noeto, Práxeas e Sabélio. O Unicismo não nega a deidade absoluta do Filho e nem a do Espírito Santo, mas negam a Trindade, pois confundem as pessoas. A heresia consiste em negar a Trindade, pois ensina ser o Pai, o Filho e o Espírito Santo uma única pessoa e não três pessoas distintas em uma só divindade. A Bíblia ensina o monoteísmo, ou seja, a existência de um só e único Deus eternamente subsistente em três pessoas distintas (Mateus 3.16,17 • 1 Pedro 1.2). É como afirma o nosso Cremos em nossa Declaração de Fé.

2. A verdade bíblica. Ninguém no mundo chega à conclusão unicista simplesmente pela leitura da Bíblia, pelo contrário, salta à vista de qualquer leitor a distinção dessas três pessoas da Trindade, a começar pelo batismo de Jesus (Mateus 3.16). Diversas vezes Jesus deixou claro que Ele é uma Pessoa e o Pai outra (João 8.16,17; 17.3), embora sejam Eles o mesmo Deus (João 10.30). Com frequência, Ele se dirigia ao Pai como outra Pessoa (Mateus 20.23 • Mateus 26.39, 42); também, nos seus discursos (João 5.18-23; 8.19; 10.18; 11.41,42); e, na oração sacerdotal em João 17. Trata-se de um relacionamento do tipo eu, tu, ele. Quando Jesus anuncia a vinda do Consolador, Ele emprega a terceira pessoa (João 14.16,26). A Bíblia ensina que Jesus é “o Filho do Pai” e não o próprio Pai (2 João 3). Isso significa que não pode ser o próprio Pai do mesmo Filho. 

SINOPSE II
O Unicismo e o Unitarismo são duas das principais heresias sobre a Trindade, condenadas biblicamente.


III – UNICISMO: UMA HERESIA ANTIGA NA ATUALIDADE 
1. O problema. Na atualidade, existem alguns movimentos evangélicos pentecostais que são unicistas e ensinam a respeito de um Deus diferente. De forma sutil e por meio da música, esses unicistas ensinam esse desvio doutrinário sobre Deus. Isso não é um mero jogo de palavras. Jesus disse que a vida eterna implica esta distinção: “E a vida eterna é esta: que conheçam a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17.3). Essa passagem mostra que a salvação envolve duas pessoas distintas e que esse conhecimento não é cognoscível, mas místico, espiritual, que implica comunhão, fé, obediência, adoração. Conhecer a Deus é o mesmo que conhecer a Cristo, em virtude da unidade de natureza do Pai e do Filho (João 10.30). Jesus disse que ninguém conhece o Filho sem o Pai e vice-versa (Mateus 11.27).

2. Uma reflexão bíblica. O que dizer de pessoas convertidas por meio do ministério dessas músicas unicistas? O poder é da Palavra, e não do tal movimento, a Palavra de Deus é a semente, mesmo sendo semeada por mãos enfermas e infeccionadas, a semente vai germinar. Jesus falou sobre isso no Sermão do Monte (Mateus 7.21-23). Alguns podem dizer que se sentem bem ao ouvir tais músicas. Assim, convém lembrar que ninguém está autorizado a fundar doutrinas com base em experiências humanas. As emoções caíram com a natureza humana no Éden (Jeremias 17.9), e não servem como instrumento aferidor da doutrina. A Bíblia é a única fonte de doutrina e não as nossas emoções, pois somos norteados pela Palavra na direção do Espírito (2 Pedro 1.19 • João 16.13).

3. A posição oficial. O Unicismo é condenado na Bíblia, considerado heresia pelas igrejas desde a sua origem e rejeitado pelos principais ramos do cristianismo e pela nossa Declaração de Fé (III.2). Temos um manifesto oficial contra o Unicismo e o uso de músicas de grupos unicistas em nossas igrejas. A maioria de nossa liderança tem se posicionado contra essa heresia. A importância dessa decisão é para evitar que se adore a outro Jesus, um Jesus falso, diferente do revelado no Novo Testamento (2 Coríntios 11.4). Mas devemos destacar que não somos contra os unicistas, mas contra o unicismo, a doutrina desviante. Devemos manter contato respeitoso no nosso dia a dia com essas pessoas, embora discordando de suas crenças com mansidão (2 João 10,11).

SINOPSE III
O Unicismo, embora seja uma heresia antiga, também está presente na atualidade.

■ CONCLUSÃO
A introdução do Credo de Atanásio resume a doutrina da Trindade: “Todo aquele que quer ser salvo, antes de tudo, deve professar a fé cristã. A qual é preciso que cada um guarde perfeita e inviolada ou terá com certeza de perecer para sempre. A fé cristã é esta: que adoremos um Deus em trindade, e trindade em unidade; Não confundimos as Pessoas, nem separamos a substância”. O problema é que os Unitaristas separam a substância e os Unicistas confundem as pessoas, e assim creem num Deus distinto do que é apresentado pela Bíblia.

REVISANDO O CONTEÚDO

1. O que indica o termo ’echad em Deuteronômio 6.4?
O termo ’echad, em Deuteronômio 6.4, indica que o monoteísmo judaico-cristão não contradiz a Trindade.

2. Cite quatro evidências no Antigo Testamento em favor da Trindade.
“Façamos o homem à nossa imagem” (Gênesis 1.26); “Eis que o homem é como um de nós” (Gênesis 3.22); “desçamos e confundamos ali a sua língua...” (Gênesis 11.6,7, o Espírito Santo aparece alternadamente com Javé e com o “Anjo de sua face” (Isaías 63.8-14).

3. Quais as passagens do Novo Testamento mais contundentes em favor da Trindade?
A Grande Comissão (Mateus 28.19), a distribuição dos dons espirituais (1 Coríntios 12.4-6), a bênção trinitariana (2 Coríntios 13.13), a unidade da igreja (Efésios 4.4-6), a obra da salvação (1 Pedro 1.2).

4. Em que consiste o Unicismo e quais os principais heresiarcas dessa heresia? 
A heresia consiste em negar a Trindade. Os principais heresiarcas representantes desse movimento foram Noeto, Práxeas e Sabélio.

5. O que João 17.3 mostra em relação a salvação?
Essa passagem mostra que a salvação envolve duas pessoas distintas e que conhecimento não é cognoscível, mas místico, que implica comunhão, fé, obediência, adoração.

VOCABULÁRIO

Cognoscível: que pode ser conhecido.


LIÇÃO        1     2    3    4    5    6    7    8    9    10    11    12    13  


LIÇÃO 3 - A ENCARNAÇÃO DO VERBO

  

 1° TRIMESTRE DE 2025  EBD ADULTOS


TEXTO ÁUREO
E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”  
(João 1.14)

VERDADE PRÁTICA
A vinda do Filho de Deus em forma humana é um fato presenciado por muitas testemunhas, por isso a negação da sua historicidade não se sustenta.

LEITURA DIÁRIA

 Segunda – Lucas 2.40,52 
 ■ O desenvolvimento físico, intelectual e espiritual de Jesus

 Terça – Romanos 1.3
 ■ O Filho de Deus nasceu da descendência de Davi segundo a carne

 Quarta – Romanos 8.3
 ■ Deus enviou o seu Filho em semelhança da carne

 Quinta – Filipenses 2.5-8
 ■  Jesus se fez semelhante aos homens

 Sexta – 1 Timóteo 3.16
 ■ O próprio Deus se manifestou em carne

 Sábado – Hebreus 4.15
 ■ Jesus participou da natureza humana, mas viveu sem pecado entre os homens

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
1 João 1.1-3 • 4.1-3 • 2 João 7
1 João 1
1 – O que era desde o princípio, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida
2 – (porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada),
3 – o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo.

1 João 4
1 – Amados, não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.
2 – Nisto conhecereis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus;
3 – e todo espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que está já no mundo.

2 João
7 – Porque já muitos enganadores entraram no mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne. Este tal é o enganador e o anticristo.

Hinos Sugeridos: 20 • 139 • 255 da Harpa Cristã

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  • 20 - OLHAI PARA O CORDEIRO DE DEUS
  • 139 - JESUS MEU ETERNO REDENTOR
  • 255 – MEU REDENTOR

■ INTRODUÇÃO
Vamos começar a apologética cristológica no presente trimestre com o tema “A Encarnação de Jesus”, uma doutrina sobre a humanidade de Cristo. O mesmo apóstolo João que se empenha em mostrar a deidade absoluta de Jesus se preocupa também em enfatizar que Jesus viveu entre nós, participou da natureza humana e teve corpo físico humano. A presente lição é uma apologia à sua humanidade plena.

Palavra-Chave: Docetismo

I – HERESIAS QUE NEGAM A CORPOREIDADE DE CRISTO
l. O que é Docetismo? O termo vem do grego dokeo, que significa “ter aparência”. O Docetismo é a mais antiga heresia da história da igreja e consiste em negar que Jesus tivesse tido corpo físico humano, sua humanidade era simplesmente uma aparência, como um fantasma.

2. O que os docetas ensinavam sobre Jesus? Os seguidores dessa heresia ensinavam muitas coisas fora das Escrituras e contrárias à Palavra de Deus. O nosso enfoque destaca a humanidade de Jesus, como o verdadeiro homem. Lucas descreve um começo muito humano. Jesus teve parentes e amigos, Zacarias e Isabel (Lucas 1.5), José e Maria (Lucas 2.4,5), vizinhos e primos (Lucas 1.36,58), pastores (Lucas 2.8), Simeão, Ana (Lucas 2.25,37). Isso sem contar o relato sagrado de sua infância, que enfoca o seu desenvolvimento físico, intelectual e espiritual (Lucas 2.40,52).

3. O que os principais docetas diziam sobre Jesus? Três dos principais heresiarcas negavam que Jesus Cristo tivesse vindo em carne. Cerinto negava o nascimento virginal de Jesus Cristo e ensinava o Docetismo. Ele foi contemporâneo do apóstolo João em Éfeso. Saturnino, o principal representante do Gnosticismo sírio, ensinava que Jesus Cristo não nasceu, não teve forma e nem corpo, foi simplesmente visto de forma humana em mera aparência. Marcião é outro heresiarca que negava ser Cristo verdadeiramente humano, mas quanto ao seu corpo, não se sabe se na opinião dele era apenas uma aparência ou de substância etérea. No entanto, a Bíblia declara de maneira direta que Jesus nasceu, mencionando até mesmo local, em Belém da Judeia (Mateus 2.1 • Lucas 2.11), e época, no reinado de César Augusto, imperador romano (Lucas 2.1). A Bíblia fala também do corpo físico de Jesus (João 2.21).

SINOPSE I
Jesus, mesmo sendo Deus, tornou-se homem e desenvolveu-se física, intelectual e espiritualmente.

II – A AFIRMAÇÃO APOSTÓLICA DA CORPOREIDADE DE JESUS
1. “O que era desde o princípio” (João 1.1) . Os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, denominados de Evangelhos Sinóticos, apresentam Jesus, ressaltando seus aspectos humanos, ao passo que João reforça o aspecto divino. Os três Evangelhos expõem Jesus exteriormente, ao passo que João o revela interiormente. Pode-se dizer que o Evangelho de João é uma interpretação de Jesus. A expressão “O que era desde o princípio” é uma reiteração daquilo que o apóstolo afirma na introdução do Evangelho que leva o seu nome: “No princípio era o Verbo” (João 1.1), isso significa que o Verbo já existia mesmo antes da criação (Gênesis 1.1). Mas João nunca perde de vista que “o Verbo se fez carne”. Não se contenta apenas com isso, mas apresenta detalhes importantes, é que o Verbo não somente se fez carne, para não deixar dúvida alguma, “e habitou entre nós”, mas também foi visto pelas pessoas (João 1.14).

2. A reafirmação apostólica (v.1b). O apóstolo reitera o que afirma na introdução do seu Evangelho: “o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida”. Isso pode parecer até uma redundância, “vimos com os nossos olhos”, mas o propósito é mostrar com muita ênfase, sem deixar dúvida alguma, que o Senhor Jesus veio em carne ao mundo, e que pôde ser tocado pelos que com Ele conviveram (João 20.27). Veja que a presença do nome de Pilatos no Credo dos Apóstolos o posiciona nos acontecimentos passados. Ele “sofreu sob Pôncio Pilatos”, ou seja, padeceu nas mãos de um personagem da história, logo, o Senhor Jesus só pode também ser alguém da história (Romanos 1.3).

3. Uma crença herética (1 João 4.2,3). João viveu seus últimos dias na cidade de Éfeso, que era a cidade de Cerinto, o doceta. Os escritos do apóstolo João, o Evangelho, as três Epístolas e o Livro de Apocalipse, foram produzidos na última década do primeiro século. Nessa época, o docetismo já se difundia entre os cristãos. Por isso, o apóstolo esclarece, e de maneira direta, que todo aquele que nega que Jesus veio em carne não é de Deus (1 João 4.3). Veja a gravidade dessa heresia, pois se Jesus não teve corpo físico real, Ele também não morreu, e se não morreu, também não ressuscitou, se não ressuscitou, logo não há esperança de salvação (1 Coríntios 15.1-3,17,18). Por essa razão, o apóstolo João foi contundente contra os docetas. Os expoentes de tal crença são chamados de “enganadores” (2 João 7). 

SINOPSE II
Os Evangelhos Sinóticos apresentam Jesus ressaltando os seus aspectos humanos, ao passo que o Evangelho de João revela o seu aspecto divino.

III – COMO ESSAS HERESIAS SE REVELAM HOJE
1. Quanto ao nascimento virginal de Jesus. Há movimentos que negam o nascimento virginal de Jesus, como os mórmons, a Igreja da Unificação, e ensinam que Ele não foi gerado pelo Espírito Santo. Negar a concepção e o nascimento virginal de Jesus é uma das marcas desses movimentos. É o ensino moderno de Cerinto e seus seguidores. A Bíblia anuncia de antemão a concepção e nascimento virginal de Jesus desde o Antigo Testamento (Isaías 7.14) e seu cumprimento histórico no Novo Testamento. Jesus foi gerado pelo Espírito Santo (Mateus 1.18,20); o anjo Gabriel disse a Maria: “Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra” (Lucas 1.35).

2. Quanto à morte e à ressurreição de Cristo. O heresiarca gnóstico do Egito, Basilides, negava a crucificação de Cristo, dizia que Simão, o cirineu, transfigurou-se e foi equivocadamente crucificado, e que o populacho o tomou por Jesus. Assim sendo, Cristo apenas presenciou a crucificação de Simão, seu suposto sósia. O Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos e sua principal fonte de autoridade espiritual, declara que o Senhor Jesus não foi crucificado, que tudo não passou de uma simulação (Alcorão 4.157). Nas notas explicativas de rodapé nas edições do Alcorão, eles afirmam que um sósia de Jesus foi levado à cruz. Isso se parece com a ideia de Basilides. Essa doutrina contraria todo o pensamento bíblico e os fatos históricos. A Bíblia ensina que Jesus morreu e ressuscitou dentre os mortos (1 Coríntios 15.3,4).

3. Confirmação histórica. A confirmação bíblica e histórica da morte de Jesus é fato incontestável. Historiadores não cristãos, judeus e romanos, atestaram a morte de Jesus. Flávio Josefo, historiador judeu (37-100 d.C.), disse: “acusaram-no perante Pilatos, e este ordenou que o crucificassem. Os que o haviam amado durante a sua vida não o abandonaram depois da morte”. O historiador romano Tácito (55-117 d.C.) escreveu: “Aquele de quem levavam o nome, Cristo, foi executado no reinado de Tibério pelo procurador Pôncio Pilatos”. A Bíblia declara que Jesus “depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas” (Atos 1.3).

SINOPSE III
A confirmação bíblica e histórica da morte de Jesus é fato incontestável.

■ CONCLUSÃO
As expressões “o Verbo se fez carne” e “Jesus Cristo veio em carne” significam uma resposta aos docetas. Os Evangelhos revelam vários atributos característicos do Jesus ser humano. Ele foi revestido do corpo físico porque o pecado entrou no mundo por um homem, e pela justiça de Deus tinha de ser vencido por um ser humano. Jesus se encarnou. Fez-se homem sujeito ao pecado, embora nunca houvesse pecado, e venceu o pecado como homem.

REVISANDO O CONTEÚDO

1. Como o Docetismo pode ser definido?
O Docetismo é a mais antiga heresia da história da igreja e consiste em negar que Jesus tivesse tido corpo físico humano, sua humanidade era simplesmente uma aparência, como um fantasma.

2. Quais os três principais heresiarcas docetas?
Cerinto, Saturnino e Marcião.

3. Qual a gravidade do Docetismo?
A gravidade dessa heresia está em afirmar que Jesus não teve corpo físico real. Então, Ele também não morreu, e se não morreu, também não ressuscitou, se não ressuscitou, logo não há esperança de salvação (1 Coríntios 15.1-3,17,18).

4. O que o apóstolo reitera na introdução do Evangelho de João?
O apóstolo reitera o que afirma na introdução do seu Evangelho: “o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida”.

5. Quem, na antiguidade e atualidade, nega a crucificação do Senhor Jesus?
O heresiarca gnóstico do Egito, Basilides, negava a crucificação de Cristo, dizia que Simão, o cirineu, transfigurou-se e foi equivocadamente crucificado, e que o populacho o tomou por Jesus. Atualmente, o Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos e sua principal fonte de autoridade espiritual, declara que o Senhor Jesus não foi crucificado, que tudo não passou de uma simulação (Alcorão 4.157).


LIÇÃO        1     2    3    4    5    6    7    8    9    10    11    12    13  



terça-feira, 24 de dezembro de 2024

LIÇÃO 2 - SOMOS CRISTÃOS

  

 1° TRIMESTRE DE 2025  EBD ADULTOS


TEXTO ÁUREO
Pelo que julgo que não se deve perturbar aqueles, dentre os gentios, que se convertem a Deus.” 
(Atos 15.19)

VERDADE PRÁTICA
O Cristianismo é uma religião de relacionamento pessoal com o Cristo ressuscitado e não um conjunto de regras e ritos.

LEITURA DIÁRIA

 Segunda – Mateus 9.16 
 ■ O Cristianismo Judaizante é remendo novo em vestidos velhos

 Terça – Atos 11.26
 ■ Ser cristão significa ser discípulo e seguidor de Cristo

 Quarta – Atos 15.1,5
 ■ Os judaizantes condicionavam a salvação à observância da Lei de Moisés

 Quinta – Romanos 3.28
 ■  O ser humano é justificado pela fé, sem as obras da Lei

 Sexta – Gálatas 1.8,9
 ■ Paulo chama essa doutrina judaizante de outro evangelho

 Sábado – Filipenses 3.5
 ■ O combate à tendência judaizante por uma autoridade de origem judaica

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Gálatas 2.1.9, 14

1 – Depois, passados catorze anos, subi outra vez a Jerusalém com Barnabé, levando também comigo Tito.
2 – E subi por uma revelação e lhes expus o evangelho que prego entre os gentios e particularmente aos que estavam em estima, para que de maneira alguma não corresse ou não tivesse corrido em vão.
3 – Mas nem ainda Tito, que estava comigo, sendo grego, foi constrangido a circuncidar-se.
4 – E isso por causa dos falsos irmãos que se tinham entremetido e secretamente entraram a espiar a nossa liberdade que temos em Cristo Jesus, para nos porem em servidão;
5 – aos quais, nem ainda por uma hora, cedemos com sujeição, para que a verdade do evangelho permanecesse entre vós.
6 – E, quanto àqueles que pareciam ser alguma coisa (quais tenham sido noutro tempo, não se me dá; Deus não aceita a aparência do homem), esses, digo, que pareciam ser alguma coisa, nada me comunicaram;
7 – antes, pelo contrário, quando viram que o evangelho da incircuncisão me estava confiado, como a Pedro o da circuncisão
8 – (porque aquele que operou eficazmente em Pedro para o apostolado da circuncisão, esse operou também em mim com eficácia para com os gentios),
9 – e conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados como as colunas, a graça que se me havia dado, deram-nos as destras, em comunhão comigo e com Barnabé, para que nós fôssemos aos gentios e eles, à circuncisão;
...
14 – Mas, quando vi que não andavam bem e direitamente conforme a verdade do evangelho, disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?

Hinos Sugeridos: 205 • 379 • 430 da Harpa Cristã

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  • 205 - GRAÇA, GRAÇA
  • 379 - SALVO DE GRAÇA
  • 430 - O EVANGELHO DA SALVAÇÃO

■ INTRODUÇÃO
A Igreja herdou dos judeus muitas idéias e práticas no campo teológico e ético, visto que a jornada histórica da Igreja começou em Jerusalém no dia de Pentecostes numa comunidade judaica. E esses pontos de interseção levaram alguns a confundir a Lei de Moisés com a Graça. Nesta lição, veremos que Gálatas 2 é um relato de um dos debates que mostram o limite entre Judaísmo e Cristianismo, e os apóstolos, principalmente Paulo, tiveram muita dificuldade de mostrar isso aos judaizantes.

Palavra-Chave: Evangelho

I – PREVENINDO-SE CONTRA A TENDÊNCIA JUDAIZANTE
1. Subindo outra vez a Jerusalém (Gálatas 2.1,2). Catorze anos depois da sua conversão a Cristo, Paulo sobe pela segunda a vez a Jerusalém. Essa segunda visita foi por revelação (v.2; Atos 11.27-30), não sendo uma convocação pelos apóstolos para prestação de contas. Não podemos confundir essa visita de Paulo com a sua ida ao Concilio de Jerusalém, registrado em Atos 15. Infere-se que a Epístola aos Gálatas foi escrita antes do referido Concilio, pois não há menção dele na carta, visto que o Concilio tratou do mesmo assunto (Atos 15.5,6). Somando os anos mencionados em Gálatas, podemos afirmar que essa visita aconteceu antes de sua Primeira Viagem Missionária.

2. Objetivo da reunião. É bom lembrar que essa reunião não foi um concilio nem um sínodo. É possível que essa segunda visita, por meio de revelação (v.2), tenha ligação com Ágabo, pois a missão de Paulo, pelo que parece, foi levar donativos para os irmãos pobres da Judeia (Atos 11.27-30). Aproveitando a ocasião, o apóstolo expôs o Evangelho que vinha pregando aos gentios há catorze anos (vv. 1,2). Ele tinha convicção de que recebeu esse Evangelho de Deus e estava consciente de que a sua subida a Jerusalém era em obediência a uma ordem divina.

3. Tito e a circuncisão (v.5). Barnabé era judeu (Atos 4.36) e seu nome aparece três vezes nesse capítulo (vv. 1,9,13); sua presença na reunião em Jerusalém não seria um problema. Tito, no entanto, sendo grego, foi um risco que Paulo correu, mas não foi uma provocação introduzir um incircunciso no seio dos judeus. Os judaizantes queriam que Tito fosse circuncidado. Encontramos no Novo Testamento a compreensão e a tolerância de Paulo com os fracos na fé, a ponto de circuncidar Timóteo, mas ele era judeu, pois sua mãe era judia (Atos 16.3); no entanto, nessa reunião em Jerusalém, onde expôs o Evangelho que pregava aos gentios, ele não cedeu nem um pouco, “nem por uma hora” (v.5). Isso por duas razões: Tito era grego, e porque estava em jogo a verdade do Evangelho e o futuro do próprio Cristianismo.

SINOPSE I
A tendência judaizante era uma ameaça à Verdade do Evangelho e ao futuro do próprio Cristianismo.

II – A TENDÊNCIA JUDAIZANTE NO INÍCIO DA IGREJA
1. O espanto do apóstolo. Tão logo Paulo retornou de sua viagem, ficou sabendo que os irmãos da Galácia estavam vivendo outro evangelho, e isso deixou o apóstolo estarrecido e atônito pela rapidez do desvio deles (Gálatas  1.6). O verbo grego metatithesthe, “deixar, abandonar, desertar, mudar de pensamento, virar a casaca”, que o apóstolo emprega nessa passagem, era usado na antiguidade quando alguém desertava do exército ou se rebelava contra ele. Isso significa também mudança de partido político, filosofia e religião. Em outras palavras, aqueles irmãos gálatas estavam abandonando a fé.

2. Quem eram os judaizantes (v.4)? O termo judaizante vem do verbo grego ioudaizó, “viver como judeu, adotar costumes e ritos judaicos”, e aparece uma única vez no Novo Testamento (Gálatas 2.14). Eles eram os opositores de Paulo identificados também como “falsos irmãos” (v.4). São reconhecidos no capítulo anterior (Gálatas 1.7) como os que se apresentavam como enviados por Jerusalém, a igreja-mãe. Na verdade, esses homens saíram de Jerusalém por sua própria conta. Tiago negou formalmente as declarações deles, dizendo que não os havia enviado (Atos 15.24). Eram legalistas dentre os judeus, e por isso chamados de judaizantes. Esses judeus, convertidos ao Senhor Jesus, ensinavam que os gentios deveríam observar a Lei de Moisés como condição para salvação (Atos 15.1).

3. O clima de tensão (vv. 3-5). Não é necessário muito esforço para perceber o quanto Paulo e Barnabé foram pressionados pelos judaizantes diante dos demais apóstolos de Jerusalém. À luz do versículo 9, parece que somente João, Pedro e Tiago estavam presentes. Os outros apóstolos deviam estar em plena atividade missionária em outras regiões. Os judaizantes chamados de “falsos irmãos” conseguiram “furar o bloqueio” e entraram sem serem convidados à reunião (v.4). Eram inimigos da liberdade cristã, do Evangelho, de Paulo e do próprio Cristianismo. O pior de tudo é que essas pessoas estavam infiltradas na igreja, e conseguiam até entrar em reuniões apostólicas. 

SINOPSE II
Os judaizantes eram inimigos da liberdade cristã, do Evangelho, de Paulo e do próprio Cristianismo.

III – A TENDÊNCIA JUDAIZANTE HOJE
1. O mesmo Evangelho (vv.7-9). O Evangelho é um só, não há dois. O Evangelho de Pedro e o de Paulo, também chamado respectivamente de Evangelho da Circuncisão e da Incircuncisão, são meras formas de apresentação, pois o conteúdo é o mesmo. Ambos receberam uma incumbência da parte de Deus, mas com audiências diferentes. O compromisso de Paulo era com os gentios, ele foi constituído, por Deus, apóstolo e doutor dos gentios (l Timóteo 2.7 • 2 Timóteo 1.11) para pregar aos não judeus (Romanos 11.13); o de Pedro era com os judeus, mas a mensagem é a mesma.

2. O perigo da doutrina judaizante. Os apóstolos viam em tudo isso dois problemas sérios: ameaça à liberdade cristã e o perigo de o Cristianismo se tornar uma mera seita judaica. Os cristãos judaizantes alteravam o cerne do Evangelho, pois colocavam a Lei como complemento da obra que Jesus efetuou no Calvário. Era, de fato, “outro evangelho”, por isso o apóstolo Paulo os amaldiçoou (Gálatas 1.8,9). Na verdade, quem tem o Espírito Santo vive pelo Espírito. Então, contra a tendência judaizante é preciso aprender a viver na dependência do Espírito e não da Lei, lutando contra os vícios da carne e buscando as virtudes do fruto do Espírito.

3. As práticas judaizantes atuais. Elas são basicamente a guarda do sábado, a observância rigorosa do kashrut (termo hebraico para as leis dietéticas do judaísmo), a liturgia da sinagoga, o uso do shofar, “trompa”, geralmente feito de chifre de carneiro; o uso de talit, o manto ou xale usado para oração; e, o uso do kippar, o solidéu que os judeus religiosos usam sobre a cabeça.
a) Os judeus. Os judeus messiânicos, principalmente em Israel, seguem a tradição judaica. Isso acontece simplesmente para preservar a identidade cultural deles e tem amparo neotestamentário: “É alguém chamado, estando circuncidado? Fique circuncidado” (1 Coríntios 7.18a). Ou seja, na conversão a Cristo do judeu, ele não precisa mudar a sua tradição e cultura.
b) Os não judeus. Da mesma forma: “É alguém chamado, estando incircuncidado? Não se circuncide” (1 Coríntios 7.18b). Ou seja, ele não precisa se judaizar. É erro o não judeu adotar práticas judaicas na liturgia e no dia a dia para imitar o Judaísmo. Paulo conclui: “Cada um fique na vocação em que foi chamado” (1 Coríntios 7.20).

SINOPSE III
Contra a tendência judaizante é preciso aprender a viver na dependência do Espírito e não da Lei.

■ CONCLUSÃO
O resultado da reunião foi desfavorável aos judaizantes. Só o fato de os apóstolos, sendo judeus, concordarem com a explicação sobre a especificidade de cada grupo dada por Paulo, já apontava o engano desses legalistas sobre a obra salvífica em Cristo. Esse resultado serviu tanto aos gálatas como a todo o Cristianismo nesses mais de vinte séculos de história. Assim, a diferença entre os judeus messiânicos e os cristãos judaizantes atuais é que os judeus estão preservando uma cultura hereditária do seu povo e os judaizantes colocando “remendo novo em pano velho” (Mateus 9.16).

REVISANDO O CONTEÚDO

1. De acordo com a lição, o que se infere da Epístola aos Gálatas?
Infere-se que a Epístola aos Gálatas foi escrita antes do referido Concilio, pois não há menção dele na carta, visto que o Concilio tratou do mesmo assunto (Atos 15.5,6).

2. Por que Paulo não cedeu nem um pouco na circuncisão de Tito?
Por duas razões: Tito era grego, e porque estava em jogo a verdade do Evangelho e o futuro do próprio Cristianismo.

3. O que significa “judaizante”?
O termo judaizante vem do verbo grego ioudaizõ, “viver como judeu, adotar costumes e ritos judaicos”, e aparece uma única vez no Novo Testamento (Gálatas 2.14).

4. Quem eram os judaizantes e o que eles queriam dos gentios?
Eram legalistas dentre os judeus, e por isso chamados de judaizantes. Esses judeus, convertidos ao Senhor Jesus, ensinavam que os gentios deveriam observar a Lei de Moisés como condição para salvação (Atos 15.1).

5. Qual a diferença hoje entre judeus messiânicos e cristãos judaizantes? 
Os judeus messiânicos, principalmente em Israel, seguem a tradição judaica. Ou seja, na conversão a Cristo do judeu, ele não precisa mudar a sua tradição e cultura. No caso do não judeu convertido ao cristianismo, ele não precisa se judaizar. É erro o não judeu adotar práticas judaicas na liturgia e no dia a dia para imitar o Judaísmo. Paulo conclui: “Cada um fique na vocação em que foi chamado” (1 Coríntios 7.20).

VOCABULÁRIO
Interseção: o encontro entre dois planos, duas linhas de idéias; cruzamento. 
Concilio: reunião de dignitários eclesiásticos para deliberar sobre questões de fé, costumes, doutrina ou disciplina eclesiástica. 
Sínodo: assembléia regular de párocos convocada pelo bispo. 
Solidéu: pequeno barrete usado pelos judeus (em certas ocasiões, como na sinagoga).


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segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

LIÇÃO 1 - QUANDO AS HERESIAS AMEAÇAM A UNIDADE DA IGREJA

 1° TRIMESTRE DE 2025  EBD ADULTOS


TEXTO ÁUREO
“Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da comum salvação, tive por necessidade escrever-vos e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos.”
(Judas 3)

VERDADE PRÁTICA
Heresias são crenças e práticas contrárias ao pensamento bíblico que distorcem os pontos principais da doutrina bíblica.

LEITURA DIÁRIA

 Segunda – Mateus 7.15 
 ■ O cuidado para não ser enganado(a) pela aparência

 Terça – 1 Coríntios 11.19
 ■ As heresias podem ser internas, causando divisão na igreja

 Quarta – Filipenses 1.16
 ■ O apóstolo Paulo foi chamado para defender o Evangelho

 Quinta – Tito 1.9
 ■  Admoestando com a sã doutrina para convencer os contradizentes

 Sexta – Tito 3.10
 ■ Não insitir com o herege contumaz

 Sábado – Hebreus 6.1,2
 ■ Nunca deixar de observar os fundamentos da fé cristã

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Atos 20.28:31 • 1 Pedro 3.15,16 • 2 Pedro 2.1-3

Atos 20
28 – Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue.
29 – Porque eu sei isto: que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não perdoarão o rebanho.
30 – E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si.
31 – Portanto, vigiai, lembrando-vos de que, durante três anos, não cessei, noite e dia, de admoestar, com lágrimas, a cada um de vós.

1 Pedro 3
15 – antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós,
16 – tendo uma boa consciência, para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, fiquem confundidos os que blasfemam do vosso bom procedimento em Cristo.

2 Pedro 2
1 – E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição.
2 – E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade;
3 – e, por avareza, farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.

Hinos Sugeridos: 306 • 505 • 559 da Harpa Cristã

    • Clique no título ABAIXO para ouvir!

  • 306 - A PALAVRA DE DEUS É UM TESOURO
  • 505 - AS PALAVRAS DE JESUS
  • 559 - BÍBLIA SAGRADA

■ INTRODUÇÃO
Heresias são crenças e práticas contrárias ao pensamento bíblico, pois elas distorcem os pontos principais da doutrina cristã, confrontam o Cristianismo Histórico e criam um problema para as igrejas e as famílias. As heresias da atualidade são as mesmas da antiguidade, mas com uma roupagem nova, que foram rejeitadas pelos apóstolos e primeiros cristãos, pois “nada há novo debaixo do sol” (Eclesiastes 1.9). O presente trimestre tem por objetivo mostrar o referencial doutrinário da fé cristã, levando-o(a) a reconhecer de longe as heresias. Esta primeira lição é um estudo sobre o problema das heresias nas igrejas e a nossa responsabilidade na defesa da fé.

Palavra-Chave: Heresia

I – AS AMEAÇAS DOS LOBOS VORAZES
1. Os cuidados pastorais (Atos 20.28). Os “anciãos” mencionados no versículo 17 são chamados de bispos nessa passagem e, ao dizer que eles foram constituídos pelo Espírito Santo para “apascentardes a igreja de Deus”, mostra que eles são pastores. A função primordial do pastor é alimentar, guiar e proteger o rebanho (Lucas 15.4-6). O Novo Testamento emprega essa metáfora ao tratar o relacionamento entre pastor e rebanho na igreja. A exortação apostólica aos líderes da igreja visa proteger os irmãos e as irmãs das heresias e guiar todos na verdade do Evangelho. Esse cuidado aparece nos ensinos de Jesus (Mateus 7.15-20).

2. “Depois da minha partida” (v.29). Essa expressão é uma palavra profética, pois o apóstolo não está apenas se referindo à sua morte, mas também ao avanço dos hereges no seio da igreja depois do período apostólico, no futuro. Paulo usa uma linguagem metafórica para identificar os falsos doutrinadores, “lobos cruéis” ou “lobos vorazes” (v. 29 - Nova Almeida Atualizada - NAA). O apóstolo Pedro, depois de ensinar que o Espírito Santo inspirou os profetas do Antigo Testamento (2 Pedro 1.19-21), mostrou que a presença do verdadeiro ensino nem sempre é suficiente para impedir a manifestação do falso. Tanto que, ao falar a respeito dos profetas legítimos dentre os hebreus, ressaltou que também havia entre o povo falsos profetas, como haveriam de surgir com o tempo, no meio da Igreja, falsos mestres (2 Pedro 2.1). Na verdade, eles já estavam presentes no período apostólico (Gálatas 1.7 • Colossenses 2.8 • Judas 4).

3. A origem dos falsos mestres (v.30). Dois pontos surpreendentes, nessa parte do discurso, nos chamam a atenção; primeiro, os lobos vorazes surgem de dentro da própria igreja “dentre vós mesmos” e, segundo, “se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si”. Os discípulos deles ainda estão por aí. Entre eles estão os que se posicionam acima das Escrituras, os quais, sem o menor pudor espiritual, usam as redes sociais para “corrigir” a Bíblia e discordar abertamente dos profetas e dos apóstolos bíblicos. Tais pessoas consideram seus discursos modernos e a mensagem da Bíblia, desatualizada, em razão disso oferecem um novo evangelho (2 Coríntios 11.13-15). Em face disso, vemos a importância de estudar um campo da Teologia denominado de Apologética para orientar os crentes dos nossos dias.

SINOPSE I
Os lobos vorazes surgem de dentro do povo de Deus. Por isso, a Apologética é tão necessária.

II - O QUE É APOLOGÉTICA?
l. Definição (1 Pedro 3-15). Apologética Cristã é a defesa lógica e racional da fé cristã e de suas práticas doutrinárias. O termo vem do substantivo grego apologia, que literalmente significa “defesa, resposta”. O termo grego traduzido por “responder”, em “preparados para responder com mansidão” em 1 Pedro 3.15 é apologia, numa tradução literal é “... sempre preparados para [uma] defesa”. A versão bíblica chamada de Nova Versão Transformadora (NVT) emprega o verbo “explicar”, assim: “sempre preparados para explicá-la”. A Apologética mostra que o cristianismo é racional, os dados da revelação podem ser explicados de maneira metódica e sistemática, portanto, aceitável. Jesus disse que devemos amar a Deus de todo o nosso coração [...] e de todo o nosso entendimento (Marcos 12.30). Isso ensina que devemos amar a Deus por completo, com o corpo, as emoções e o intelecto.

2. A que defesa Pedro se refere? (v.16). Há quem argumente que essa defesa seja uma resposta a uma acusação, visto que essa mesma palavra, apologia, aparece, nesse sentido no Novo Testamento, como defesa de uma acusação tanto formal (Atos 22.1 • 25.16) como informal (1 Coríntios 9.3 • 2 Coríntios 7.11 • Filipenses 1.7,16). O versículo 16 fala do bom testemunho cristão que serve para provar a inconsistência das acusações contra os crentes. Mas não parece ser esse o caso, porque a defesa, resposta ou explicação nessa passagem é sobre a razão da fé dos cristãos, e isso diz respeito à doutrina cristã. Ainda que Pedro esteja se referindo à resposta a uma acusação formal num ambiente hostil, não deixa de ser uma oportunidade para a defesa da fé cristã, como aconteceu com o apóstolo Paulo diante de Festo (Atos 26.24,25) e de Agripa, na mesma audiência (Atos 26.27-29).

3. Por que devemos combater as heresias? (3.16). a) Para defesa própria (1 Timóteo 4.16): Os cristãos devem estar informados daquilo que os vários grupos ensinam e saber a forma de refutá-los biblicamente; b) Para ajudar os outros na compreensão da própria fé: principalmente os que rejeitam pontos fundamentais da fé cristã e, muitas vezes, de forma inconsciente, pois sabemos que existem muitas pessoas sinceras as quais buscam servir a Deus e precisam conhecer a sua Palavra (Tito 1.9). Esse debate sobre as crenças deve ocorrer de maneira respeitosa e com argumentos e fundamentação bíblica, respondendo às objeções contra a fé cristã. O êxito dessa luta é garantido quando se está nos domínios do Espírito Santo (João 16.13). 

SINOPSE II
O cristão é chamado a responder de maneira respeitosa às objeções contra a fé cristã.

III – O QUE SÃO HERESIAS?
1. Seitas e heresias. A palavra hairesis no Novo Testamento grego é traduzida como “seita” (Atos 5.17 • 15.5 • 24.5 • 28.22) e “heresias” (1 Coríntios 11.19 • Gá1atas 5.20 • 2 Pedro 2.1). É verdade que o Cristianismo foi também chamado de “seita”, mas por não cristãos, pessoas que não conheciam as verdades do Evangelho de Cristo e que se opunham a Ele (Atos 24.5,14 • 28.22). A palavra “seita” é usada para designar as religiões heterodoxas. É um termo já desgastado, trazendo em si, muitas vezes, um tom pejorativo, por isso devemos saber quando aplicá-lo.

2. “Hairesis” no Novo Testamento. Esse vocábulo aparece com o sentido de “partido, espírito sectário” e nem sempre representa uma ruptura com o sistema convencional de determinada comunidade. Os saduceus e os fariseus eram seitas que formavam facções dentro do próprio judaísmo (Atos 5.17 • 26.5), e a versão bíblica NAA traduz por “partido”. Paulo adverte para que não haja no seio da igreja essas divisões (hairesis) e condena as inovações doutrinárias que causam divisão ou dissensão (1 Coríntios 11.19 • Gá1atas 5.20).

3. Heresias de perdição (2 Pedro 2.1). É nessa passagem que hairesis apresenta o sentido de erro doutrinário como a “heresia”, propriamente dita, no campo teológico que nós conhecemos hoje. As heresias distorcem os pontos principais da doutrina cristã no que diz respeito a Deus: Trindade, o Senhor Jesus Cristo e o Espírito Santo; ao ser humano: natureza, pecado, salvação, origem e destino; aos anjos; à igreja e às Escrituras Sagradas. O mais grave erro é quando diz respeito à Divindade e interfere na salvação (v.ib), pois não existe salvação sem Jesus (João 14.6 • Atos 4.12).

SINOPSE III
O apóstolo Paulo adverte acerca das divisões no seio da igreja e condena as inovações doutrinárias que causam dissenções.

■ CONCLUSÃO
Os apóstolos responderam aos opositores da fé cristã e lançaram a base da nossa teologia. Todos os escritos do Novo Testamento mostram essa luta acirrada contra as falsas doutrinas. É, pois, tarefa da igreja atual “batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas 3). Finalizamos com a seguinte pergunta para reflexão: Estamos afazer pela verdade o que esses agentes da heresia fazem pela mentira?

REVISANDO O CONTEÚDO

1. Nesta lição, qual a exortação apostólica aos líderes da igreja?
A exortação apostólica aos líderes da igreja visa proteger os irmãos e as irmãs das heresias e guiar todos na verdade do Evangelho.

2. Qual a definição de Apologética Cristã?
Apologética Cristã é a defesa lógica e racional da fé cristã e de suas práticas doutrinárias.

3. Por que devemos combater as heresias?
a) Para defesa própria (1 Timóteo 4.16): Os cristãos devem estar informados daquilo que os vários grupos ensinam e saber a forma de refutá-los biblicamente; b) Para ajudar os outros na compreensão da própria fé: principalmente os que rejeitam pontos fundamentais da fé cristã e, muitas vezes, de forma inconsciente, pois sabemos que existem muitas pessoas sinceras as quais buscam servir a Deus e precisam conhecer a sua Palavra (Tito 1.9).

4. Onde, no Novo Testamento, hairesis tem o sentido de heresia, como erro doutrinário?
2 Pedro 2.1. É nessa passagem que hairesis apresenta o sentido de erro doutrinário como a “heresia”, propriamente dita, no campo teológico que nós conhecemos hoje.

5. Qual a pergunta para a nossa reflexão?
Estamos a fazer pela verdade o que esses agentes da heresia fazem pela mentira?


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