Pastor Ademar Rodrigues

Este Blog tem por objetivo explorar temas relacionados à Educação Cristã e ao Ensino Bíblico. Acredito que o conhecimento das Escrituras é essencial para o crescimento espiritual e a formação de discípulos comprometidos. Neste espaço, compartilho insights, reflexões e recursos para enriquecer sua jornada de fé.
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segunda-feira, 3 de novembro de 2025

LIÇÃO 9 - VONTADE — O QUE MOVE O SER HUMANO

 4° TRIMESTRE DE 2025  EBD ADULTOS


TEXTO ÁUREO
Digo, porém: Andai em Espírito e não cumprireis a
(Gálatas 5.16) 

VERDADE PRÁTICA
Guiada por Deus, a vontade é uma bênção extraordinária, vital para a existência humana.


LEITURA DIÁRIA

 Segunda – 1 Coríntios 7.37-39 
 
■ Poder sobre a própria vontade


 Terça – João 6.38-40
 ■
Jesus cumpriu inteiramente a vontade do Pai


 Quarta – Provérbios 31.10-13

 ■ A mulher virtuosa trabalha de boa vontade


 Quinta – Efésios 6.5-9
 ■
Trabalhando de boa vontade


 Sexta –  1 João 2.15-17
 ■
Renunciando à própria vontade


 Sábado – Filipenses 2.12,13
 ■
Deus implanta bons desejos em nós



LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Gálatas 5.16-21 • Tiago 1.14,15 • 4.13-17

Gálatas 5

16 — Digo, porém: Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne.
17 — Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne; e estes opõem-se um ao outro; para que não façais o que quereis.
18 — Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei.
19 — Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: prostituição, impureza, lascívia,
20 — idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissen- sões, heresias,
21 — invejas, homicídios, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus.

Tiago 1

14 — Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.
15 — Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte.

Tiago 4

13 — Eia, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos a tal cidade, e lá passaremos um ano, e contrataremos, e ganharemos.
14 — Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco e depois se desvanece.
15 — Em lugar do que devíeis dizer: Se o Senhor quiser, e se vivermos, faremos isto ou aquilo.
16 — Mas, agora, vos gloriais em vossas presunções; toda glória tal como esta é maligna.
17 — Aquele, pois, que sabe fazer o bem e o não faz comete pecado.


Hinos Sugeridos: 73 • 360 • 568 da Harpa Cristã



■  INTRODUÇÃO
Nas lições anteriores estudamos sobre duas das principais faculdades da alma: o intelecto e a sensibilidade. Vimos a relação entre o que pensamos e sentimos e como pensamentos e sentimentos podem influenciar a vontade e as decisões. Pensar, sentir, desejar e agir costumam compor um mesmo fenômeno na experiência humana. É fundamental compreender como isso funciona à luz da Palavra de Deus. Nesta lição estudaremos mais especificamente a respeito da vontade.

Palavra-Chave: Vontade

I – VONTADE: MOTIVAÇÃO E AÇÃO
1. Conceito de vontade. Volição ou vontade é a capacidade humana de desejar, querer, almejar, escolher e agir. Pode ser entendida também como motivação. Sem desejo ou vontade não há motivação e, via de consequência, ação. Nesse conceito amplo, há manifestação da vontade mesmo quando o que fazemos não era originariamente nossa vontade, mas de outrem, se a ela aderimos voluntariamente (Salmos 143.10 • Lucas 22.42). A conversão é um exemplo de mudança na vontade humana por meio do arrependimento (Atos 3.19). Todo verdadeiro cristão é alguém que, impulsionado pela graça de Deus, renunciou sua própria vontade para fazer a vontade de Cristo (Mateus 16.24). É o livre-arbítrio funcionando (Hebreus 2.3; 37-13 • Apocalipse 22.17).

2. Do pensamento à ação. Um pensamento pode ser apenas um pensamento, sem relação alguma com um sentimento ou um desejo. Por exemplo: podemos pensar em uma viagem que fizemos sem que isso nos traga qualquer emoção. Mas também podemos recordar com nostalgia e desejar viajar novamente. E esse desejo pode nos motivar a comprar a passagem e repetir a experiência. Em um caso assim ocorre um fenômeno completo: pensamento, sentimento, desejo e ação. Aconteceu com Eva no Éden. Em sua conversa com a serpente, a mulher refletiu sobre o significado do fruto da árvore da ciência do bem e do mal até ser enganada (1 Timóteo 2.14). Ao acreditar na falsa elevação que obteria (“sereis como Deus”, Gênesis 3.5) certamente sentiu alguma emoção. O próximo passo foi a manifestação do desejo, que gerou a ação: tomou do fruto e comeu (Gênesis 3.6).

3. Fraqueza de vontade. Adão pecou sem ser enganado. Isso significa que seu entendimento da proibição e consequências relativas ao fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal não foi alterado. O problema de Adão se deu na esfera da vontade. Em vez de permanecer firme em seu propósito de obedecer a Deus, decidiu pecar aderindo à vontade de Eva, que lhe deu o fruto (Gênesis 3.6  Romanos 5.12). Quantas decisões erradas tomamos plenamente conscientes de suas consequências! Da violação de uma restrição alimentar a condutas mais graves, muitas vezes o desejo fala mais alto que a razão. A busca do prazer pelo prazer é uma característica da cultura hedonista. Vícios e compulsões arrastam multidões, mesmo que elas conheçam seus destrutivos efeitos. Assim, só Jesus pode libertar o ser humano de prisões espirituais (João 8.36 • Romanos 1.16).


SINOPSE I
A vontade é a capacidade humana de desejar e agir, sendo influenciada por pensamentos, sentimentos e decisões espirituais.


II – DESEJOS: DA ESCRAVIDÃO À REDENÇÃO
1. A experiência do deserto. O povo de Israel tornou-se escravo dos seus desejos durante a peregrinação pelo deserto: “deixaram-se levar da cobiça, no deserto, e tentaram a Deus na solidão. E ele satisfez-lhes o desejo, mas fez definhar a alma” (Salmos 106.14,15). Apesar das grandes maravilhas operadas por Deus, os hebreus, tomados de ingratidão, lembravam-se das comidas do Egito e se deixavam dominar por seus desejos (Números 11.5,6). Pensavam, sentiam e desejavam o que lhes era servido na casa da escravidão, de onde haviam sido libertos com mão forte (Êxodo 20.2 • Deuteronômio 26.8). O culto aos desejos lhes trouxe terríveis consequências: perecimento e morte (Salmos 78.29-33 • Números 11.33-34; 14-29). Como nos adverte Paulo, tudo isso foi escrito para aviso nosso. Não nos deixemos levar por nossos próprios desejos (1 Coríntios 10.1-13).

2. Os desejos na era cristã. O drama dos desejos continua na era cristã, com uma diferença fundamental: Cristo venceu o pecado e nos dá poder para também vencê-lo (Romanos 6.3-6,11-14). Contudo, enquanto estivermos neste corpo mortal enfrentaremos um conflito espiritual constante. Todo o cristão precisa decidir diariamente entre sua vontade carnal e a vontade do Espírito: “Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro; para que não façais o que quereis” (Gálatas 5.17). A carne (sarx, natureza pecaminosa) tem seus próprios desejos, que são contrários ao Espírito. Vê-se, então, em nosso interior, uma luta travada. Cabe-nos decidir entre satisfazer os desejos da carne, que são pecaminosos, ou atender a voz do Espírito e viver segundo sua direção (Gálatas 5.18).

3. A decisão do homem redimido. A obra da salvação realizada por Cristo nos liberta do poder do pecado. Diante dos desejos da carne e da vontade do Espírito, o homem redimido inclina-se “para as coisas do Espírito” (Romanos 8.5). Isso é resultado de sua nova natureza (Efésios 4.24  2 Coríntios 5.17). Significa que não podemos nos conformar com os desejos do velho homem, mas, pelo poder do Espírito, nos dedicar ao processo de mortificação de nossa carne, a velha natureza (Romanos 8.11-13 • Colossenses 3.5). Nossos desejos pecaminosos não deixam de existir, mas em Cristo triunfamos sobre eles; vivendo, andando e frutificando no Espírito (Gálatas 5.22-25 • l João 3.6).


SINOPSE II
Os desejos podem escravizar o ser humano, mas em Cristo há poder para vencê-los e viver segundo o Espírito.


III – O ENSINO SOBRE OS DESEJOS EM TIAGO
l. Atração e engano. Tiago 1.14,15 trata dos desejos carnais e suas consequências. Empregando o conhecido termo “concupiscência” (epithumia) com o sentido de “maus desejos”, o apóstolo refere-se ao processo de tentação e pecado: “Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado por sua própria concupiscência” (Tiago 1.14). A faculdade da vontade é retratada neste texto como um elemento de comunicação interna que tem a capacidade de atrair e enganar. Assim sendo, o mau desejo é capaz de afetar a própria razão, levando-a a acreditar que o pecado não produz consequências ruins, mas boas. Nesse processo, a mente é entorpecida depois do desejo ter sido aguçado.

2. Abortando o processo. Na lição 7 estudamos sobre a importância de interromper maus pensamentos para evitar a prática de pecados. Pelo texto de Tiago observamos que é preciso, também, abortar os maus desejos. Aliás, eles são ainda mais perigosos, pois podem influenciar diretamente nossas decisões. Quando encontra seu objeto ou alvo o desejo se torna intenso. Se não for rejeitado, não descansa até convencer, derrubando as barreiras da consciência: “Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte” (Tiago 1.15). Que o Senhor nos livre de toda a tentação (Mateus 6.13). Não nos esqueçamos, contudo, de fazer a nossa parte: viver em constante vigilância e oração (Mateus 26.41).


SINOPSE III
Tiago revela como os maus desejos geram o pecado, alertando sobre a necessidade de vigilância e domínio espiritual.


 CONCLUSÃO
Apesar de nossa tendência pecaminosa, não podemos encarar os desejos apenas de forma negativa. A vontade humana é uma faculdade essencial para a nossa existência. Quando guiada por Deus é uma grande bênção, responsável por nos mover para pequenas e grandes realizações. Como é bom amanhecer motivado todos os dias! O ânimo e o entusiasmo fazem parte de uma vontade sadia e ativa. São dados por Deus e servem para nos impulsionar para as tarefas cotidianas, independentemente da fase da vida (Salmos 92.12-14  Joel 2.28  Tiago 4.15).


REVISANDO O CONTEÚDO


1. Qual o conceito de vontade?
Volição ou vontade é a capacidade humana de desejar, querer, almejar, escolher e agir. Pode ser entendida também como motivação.

2. Como se dá um fenômeno completo, envolvendo vontade e ação?
Em um caso assim ocorre um fenômeno completo: pensamento, sentimento, desejo e ação.

3. Como se dá o conflito entre vontade e razão?
Da violação de uma restrição alimentar a condutas mais graves, muitas vezes o desejo fala mais alto que a razão. A busca do prazer pelo prazer é uma característica da cultura hedonista.

4. Como deve agir o homem redimido diante dos desejos da carne?
Diante dos desejos da carne e da vontade do Espírito, o homem redimido inclina-se “para as coisas do Espírito” (Romanos 8.5).

5. Como os desejos atuam para nos enganar?
Assim sendo, o mau desejo é capaz de afetar a própria razão, levando-a a acreditar que o pecado não produz consequências ruins, mas boas.


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sábado, 1 de novembro de 2025

LIÇÃO 8 - EMOÇÕES E SENTIMENTOS — A BATALHA DO EQUILÍBRIO INTERIOR

 4° TRIMESTRE DE 2025  EBD ADULTOS


TEXTO ÁUREO
E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.”
(Filipenses 4.7) 

VERDADE PRÁTICA
Acima de todo e qualquer método humano, devemos confiar em Deus, único que pode nos dar a verdadeira paz e guardar nossos sentimentos.


LEITURA DIÁRIA

 Segunda – Lucas 10.17-21 
 
■ Jesus se alegrou no Espírito


 Terça – Gênesis 4.21
 ■
A música é uma das formas de expressão emocional


 Quarta – Números 12.3 
• 16.15
 ■ Moisés, embora muito manso, teve momentos de ira


 Quinta – Números 20.10-12
 ■
O descontrole de Moisés lhe trouxe grande prejuízo


 Sexta –  2 Samuel 13.1,2,14,15
 ■
O coração humano é sujeito à paixões perversas


 Sábado – Filipenses 2.1,2
 ■
Espírito comunica sentimentos comuns



LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Filipenses 4.4-7 • Mateus 9.36 • João 11.35,36

Filipenses 4

4 — Regozijai-vos, sempre, no Senhor; outra vez digo: regozijai-vos.
5 — Seja a vossa equidade notória a todos os homens. Perto está o Senhor.
6 — Não estejais inquietos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas, com ação de graças.
7 — E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.

Mateus 9

36 — E, vendo a multidão, teve grande compaixão deles, porque andavam desgarrados e errantes como ovelhas que não têm pastor.

João 11

35 — Jesus chorou.
36 — Disseram, pois, os judeus: Vede como o amava.


Hinos Sugeridos: 175 • 182 • 299 da Harpa Cristã



■  INTRODUÇÃO
O homem é, essencialmente, um ser pensante, afetivo, volitivo (vontade) e livre: pensa, sente, deseja e age.
Na lição anterior estudamos a respeito dos pensamentos. Vimos como eles podem influenciar os sentimentos e a vontade e refletir em nossas decisões. Nesta lição abordaremos a parte afetiva do ser humano, buscando definir e diferenciar emoções e sentimentos e compreender sua importância na experiência humana e espiritual.

Palavra-Chave: Emoções e Sentimentos

I – O HOMEM, UM SER AFETIVO
l. Propósitos do estudo. Há um evidente e preocupante agravamento da crise de saúde mental em todo o mundo, inclusive no Brasil. Transtornos depressivos e de ansiedade são os que mais crescem. Como já ressaltado, uma compreensão correta do ser humano, à luz da Palavra de Deus, é fundamental para uma vida integralmente equilibrada. Isso inclui entender (1) o que são emoções e sentimentos e como podem e devem ser geridos, (2) qual a conexão existente entre o que pensamos e o que sentimos e (3) qual a relação desses fenômenos com a vontade e as decisões humanas: Pensar, sentir, desejar e agir. Nada em nós deve estar fora do propósito de amar a Deus, servi-lo e adorá-lo (Salmos 103.1  Marcos 12.30).

2. Afetividade: emoções e sentimentos. De forma simples, a afetividade é a nossa capacidade de sentir e demonstrar emoções e sentimentos. Esses processos envolvem tanto o nosso corpo quanto a alma (Salmos 31.9), e também o espírito (João 13.21  Lucas 1.47). A Bíblia nos mostra que somos seres completos — corpo, alma e espírito — e que nossas emoções e sentimentos fazem parte da nossa natureza, criada por Deus. Podemos entender melhor assim: a) Emoções: são reações rápidas e geralmente acontecem sem a gente pensar, como por exemplo, quando sentimos medo ou alegria de repente; b) Sentimentos: por outro lado, são mais duradouros, eles nascem das emoções, mas permanecem por mais tempo e são percebidos de forma mais consciente, como por exemplo, quando sentimos gratidão ou solidão.
A principal diferença é que a emoção passa rápido, tem pouca duração e é intensa; o sentimento é menos intenso, mas pode perdurar bastante tempo (Mateus 26.38  Gênesis 47.9  Romanos 9.2). Como servos de Deus, precisamos aprender a lidar com nossas emoções e sentimentos, buscando equilíbrio através da Palavra de Deus e da ação do Espírito Santo em nossa vida.

3. Principais afetos. Alegria, medo, raiva, surpresa, nojo e tristeza são as seis emoções básicas. Quando ocorrem, provocam alterações corporais, como coração acelerado, respiração ofegante, tensão muscular, secura na boca e náuseas. Adão expressou alegria ao acordar e contemplar Eva (Gênesis 2.23), emoção que se tornou um sentimento igualmente prazeroso durante a feliz convivência que tiveram, plena de cumplicidade (Gênesis 2.25). Depois do pecado, experimentaram vergonha e medo, duas emoções negativas ou desagradáveis. Dentre as reações externas imediatas ocorreram a percepção da nudez, cobrir o corpo e se esconder de Deus (Gênesis 3.7-10). Tristeza e dor se tornaram sentimentos constantes na vida do primeiro casal (Gênesis 3.16-18). A tragédia da expulsão do Éden certamente lhes causou profunda frustração e angústia (Gênesis 3.23).

4. Inveja, ira e ódio. Em Caim também se observa a presença de emoção e sentimento. Sua ira em relação a Abel ficou estampada em seu rosto, um claro exemplo de reação fisiológica (Gênesis 4.6). Mesmo advertido por Deus, permitiu que a emoção se transformasse em um sentimento de ódio e matou o irmão (Gênesis 4.8). Outros sentimentos negativos, como culpa e medo, o acompanhariam por toda a vida (Gênesis 4.10-14).


SINOPSE I
A afetividade humana, que inclui emoções e sentimentos, é uma capacidade criada por Deus, de sentir e demonstrar afetos.


II – EMOÇÕES: EXPERIÊNCIA E CONTROLE
1. Reação e decisão. Como reações instintivas, muitas emoções estão fora do controle humano. Em casos assim, não constituem um pecado em si mesmas. Mas é responsabilidade nossa decidir como agir diante de uma reação emocional. A frase do apóstolo Paulo “Irai-vos e não pequeis” (Efésios 4.26) expõe essa verdade. Paulo aconselha os efésios controlarem a ira e não deixarem que os dominem, tornando-se um sentimento pecaminoso. Permanecer irado é dar lugar ao Diabo e abrir caminho para terríveis pecados (Efésios 4.27). A ira, portanto, é uma experiência emocional que deve ser repelida e jamais cultivada. Em Efésios 4.31 Paulo diz que devemos nos livrar de toda amargura, ira e cólera. Assim, admite-se a ira como emoção, mas não como sentimento. O verdadeiro cristão não pode alimentar emoções ruins, como a ira (Colossenses 3.5-8). Dizer “Eu sou assim mesmo!” para justificar arroubos emocionais e permanecer neles é negar a eficácia da obra de Cristo (Romanos 8.13  2 Coríntios 5.17).

2. Emoção e pecado. O fato de uma emoção ser instintiva não retira, de forma absoluta, seu caráter pecaminoso. Raiva, inveja, tristeza e outras emoções reiteradas podem ser expressões de pecados enraizados no coração. Uma pessoa orgulhosa, por exemplo, é muito suscetível a reações emocionais negativas, como ira, rejeição e outros comportamentos hostis às pessoas com quem convive. Nabal era um personagem assim: soberbo, mal-humorado e ingrato (1 Samuel 25.10,11). Sua insensatez lhe custou a vida (l Samuel 25.36-38). Um coração altivo é muito propenso a emoções negativas e sentimentos facciosos (Provérbios 13.10  21.24). Como Davi, devemos rogar a Deus que nos livre da soberba, para que ela não nos domine e leve a transgressões (Salmos 19.13).

3. O aspecto positivo das emoções. Mesmo desagradáveis, certas emoções nos trazem muitos benefícios. O medo é um exemplo. Quando sentimos esta emoção, o cérebro inicia um processo instantâneo de descarga de adrenalina, hormônio que põe o corpo em imediato movimento para luta ou fuga. Serve, portanto, como um ativador de nosso mecanismo de defesa. Sem essa emoção o corpo ficaria inerte, sem ação, totalmente vulnerável. Nossos afetos, portanto, podem ser direcionados para o bem ou para o mal. Foi tomado de uma justa indignação que Jesus expulsou os vendilhões do templo (Mateus 21.12). Muitas outras emoções o Mestre expressou durante sua vida e ministério (Mateus 9.36  João 11.35,36  Marcos 3.5).


SINOPSE II
Embora as emoções não sejam pecaminosas em si, a decisão de como agir diante delas é nossa responsabilidade para não dar lugar ao pecado.


III – SENTIMENTOS GUARDADOS POR DEUS
1. A falsa autonomia humana. Como em tantas outras áreas da vida, no aspecto das emoções e dos sentimentos muitos têm preferido acreditar em sua própria capacidade. O mercado está cheio de conteúdos sobre inteligência emocional e gestão emocional. São diversas as técnicas com as quais se promete o reconhecimento, a compreensão e o controle não somente das próprias emoções, mas também das dos outros. Não podemos negar alguma eficácia de métodos coerentes de ajuda ao ser humano nesse tão complexo processo. Todavia, é enganoso e perigoso acreditar no fantástico controle que alguns “mestres” das emoções prometem. Não raro se surpreendem com seus próprios fracassos, na inglória empreitada de serem emocionalmente invencíveis (Jeremias 17.5,9).

2. Obediência, humildade e oração. Em Filipenses 4.7 Paulo se refere ao processo sobrenatural de guarda de nossos corações e sentimentos, que ocorre através da paz de Deus, que excede todo o entendimento. Mas isso somente acontece quando vivemos em abnegação, obediência e humildade, no modelo de Cristo (Filipenses 2.3-8). O apóstolo exorta os crentes de Filipos a terem o mesmo amor, o mesmo ânimo e o mesmo sentimento, renunciando os interesses pessoais (2.2-4). Quando há esta disposição interior e uma permanente confiança no cuidado divino, demonstrada através de orações e súplicas e um coração agradecido, cumpre-se o que o apóstolo Paulo anuncia no versículo 7: a paz de Deus guarda nossos corações e sentimentos em Cristo Jesus (Filipenses 4.7).


SINOPSE III
A verdadeira guarda dos nossos corações e sentimentos vem da paz de Deus, alcançada através da obediência, humildade e oração, em Cristo Jesus.


 CONCLUSÃO
Não somos nós, com nossa própria capacidade, que dominaremos nossas emoções e sentimentos, mas sim o próprio Deus, se vivermos em humildade e fé, sob o domínio do Espírito (Gálatas 5.22).


REVISANDO O CONTEÚDO


1. O que é afetividade?
De forma simples, a afetividade é a nossa capacidade de sentir e demonstrar emoções e sentimentos.

2. Qual a diferença básica entre emoção e sentimento?
a) Emoções: são reações rápidas e geralmente acontecem sem a gente pensar, como por exemplo, quando sentimos medo ou alegria de repente; b) Sentimentos: por outro lado, são mais duradouros, eles nascem das emoções, mas permanecem por mais tempo e são percebidos de forma mais consciente, como por exemplo, quando sentimos gratidão ou solidão.

3. Quais são as seis emoções básicas?
Alegria, medo, raiva, surpresa, nojo e tristeza são as seis emoções básicas.

4. Quais as reações fisiológicas mais comuns de uma emoção?
Coração acelerado, respiração ofegante, tensão muscular, secura na boca e náuseas.

5. Como ter os sentimentos guardados por Deus?
Em Filipenses 4.7 Paulo se refere ao processo sobrenatural de guarda de nossos corações e sentimentos, que ocorre através da paz de Deus, que excede todo o entendimento. Mas isso somente acontece quando vivemos em abnegação, obediência e humildade, no modelo de Cristo (Filipenses 2.3-8).


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LIÇÃO 7 - OS PENSAMENTOS — A ARENA DE BATALHA NA VIDA CRISTÃ

 4° TRIMESTRE DE 2025  EBD ADULTOS


TEXTO ÁUREO
“Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai."
(Filipenses 4.8) 

VERDADE PRÁTICA
O cristão sábio e prudente preserva sua mente, tornando seus pensamentos obedientes a Cristo.


LEITURA DIÁRIA

 Segunda – Salmos 140.1,2 
 
■ Maus pensamentos produzem violência


 Terça – Mateus 9.1-4
 ■
O Senhor conhece os nossos 
pensamentos


 Quarta – Filipenses 3.18-21
 ■
Muitos só pensam em coisas 
terrenas


 Quinta – Efésios 3.20
 ■
Deus faz além daquilo que pedimos ou pensamos


 Sexta –  Zacarias 8.16,17
 ■
Não devemos pensar mal contra o próximo


 Sábado – Isaías 55.6-9
 ■
Alinhemo-nos aos pensamentos 
de Deus



LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Filipenses 4

8 — Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.
9 — O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei; e o Deus de paz será convosco.

2 Coríntios 10

3 — Porque, andando na carne, não militamos segundo a carne.
4 — Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas;
5 — destruindo os conselhos e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo entendimento à obediência de Cristo.


Hinos Sugeridos: 192 • 525 • 568 da Harpa Cristã



■  INTRODUÇÃO
Na lição 5 fizemos um estudo introdutório acerca da alma. Vimos que, junto com o espírito e inseparável dele, ela compõe a parte imaterial ou espiritual do ser humano.
Também apresentamos uma síntese dos seus principais atributos: sentimentos, intelecto e vontade. O intelecto é a parte cognitiva, o aspecto racional da alma. Compreende a capacidade de pensar, raciocinar, conhecer, compreender. Nesta lição estudaremos a respeito dos pensamentos.

Palavra-Chave: Pensamentos

I – UMA VISÃO INTRODUTÓRIA
1. A experiência de Adão e Eva. No estudo da Antropologia Bíblica é importante sempre buscar primeiro no Gênesis os fundamentos de nossa compreensão teológica. Ali os traços da personalidalidade de humana se manifestam originalmente na vida do primeiro casal. O aspecto racional é visto na capacidade de comunicação, compreensão e governo do homem sobre a criação, e em seu relacionamento interpessoal e com o Criador (Gênesis 1.26-28 • 2.18-23 • 3.8). Para todos esses processos Adão e Eva usaram o intelecto, raciocinando, elaborando pensamentos e tomando decisões. Exemplo disso é o comportamento mental relativo ao pecado. Eva pensou o que não devia e foi enganada. Adão não pensou o que devia e pecou (Gênesis 3.6  1 Timóteo 2.14).

2. Conceito e origens. Pensamentos são processos mentais constituídos de informações, reflexões, lembranças, sentimentos, sons, imagens. A despeito dos mistérios da mente humana, sabe-se que eles se originam de fatores internos (biológicos, psicológicos e espirituais) ou externos (ambientais; experiências do cotidiano). Podem também ser uma combinação desses fatores. Qualquer que seja a origem dos pensamentos, cabe ao ser humano aceitá-los ou rejeitá-los, aprovando-os ou reprovando-os (Filipenses 4.8 • Provérbios 3.1-7; • 15.28 • Jeremias 17.5,10).

3. Características dos pensamentos. Em sua amplíssima capacidade imaginativa, o ser humano pode construir, na mente, cenários silenciosos ou barulhentos; simples ou complexos; neutros ou coloridos. Quantas imaginações já tivemos desde a infância! Do ponto de vista moral, os pensamentos podem ser bons ou ruins; puros ou impuros; verdadeiros ou falsos. Os que são originados de fatores externos são fruto de experiências sensoriais. A mente cria a partir de conteúdos que obtém por meio dos órgãos dos sentidos, como os olhos, o ouvido, a boca, as mãos, o nariz. Por isso, abster-se de toda a aparência do mal é essencial (1 Tessalonicenses 5.22). Não podemos alimentar nossa mente com conteúdos enganosos ou impuros (Salmos 101.3-5). Deles podem surgir gravíssimos pecados como violências, imoralidades sexuais, mentiras, calúnias e maledicências (Mateus 12.34 • 15.19). Cabe-nos abortar o ciclo pecaminoso (Tiago 1.13-15).


SINOPSE I
Os pensamentos fazem parte da estrutura da alma humana e devem ser avaliados quanto à sua origem e natureza moral.


II – A GESTÃO DOS PENSAMENTOS
1. Imperativo ético e espiritual. A Epístola aos Filipenses é repleta de referências a sentimentos ou emoções — não sem razão tem, entre seus epítetos, o de “Epístola da Alegria” (cf. Filipenses 1.3,4 • 2.1,2 • 4.1). Mas possui, também, uma contundente afirmação acerca da gestão dos pensamentos (Filipenses 4.8). Nela, Paulo apresenta o aspecto positivo do emprego da mente. Ao usar o pronome indefinido “tudo”, abre uma ampla possibilidade de pensamentos, desde que qualificados com os adjetivos “verdadeiro”, “honesto”, “justo”, “puro”, “amável”, “de boa fama”, virtuoso ou digno de louvor. O uso do imperativo afirmativo “pensai” indica tratar-se de uma conduta ativa e não passiva. É assumir o controle do processo mental e não se deixar conduzir por pensamentos aleatórios ou intrusivos (cf. Romanos 1.21,22 - NTLH/NAA). Como temos gerido nossos pensamentos?

2. Acima da técnica. Em nossos dias há uma profusão de técnicas de gestão de pensamentos. São estratégias de valor relativo, que se limitam ao plano da realidade humana; ao nível terreno. A Palavra de Deus vai muito além, e nos ensina que a solução é pensar “nas coisas que são de cima e não nas que são da terra” (Colossenses 3.1). Pensar além das circunstâncias temporais através de percepção e discernimento espiritual, com a mente de Cristo, nos liberta da atmosfera de conflitos mentais comuns a toda a humanidade (1 Coríntios 2.15,16). Além de encher nosso coração da esperança que não traz confusão (Romanos 5.5), a visão celestial, infinitamente superior, nos capacita a gerenciar habilmente todos os sistemas dessa vida inferior, efêmera e passageira; além de ser um preventivo eficaz contra a ansiedade (Mateus 6.25-34 • Filipenses 4-6).

3. Recursos espirituais. A leitura da Bíblia é um recurso extraordinário para a produção de bons pensamentos, inspirados em verdades eternas. Essa disciplina traz profunda edificação e firmeza espiritual (Salmos 37-31 • 119-33,93). Meditar é refletir; pensar de maneira detida. Exige o emprego da vontade (a decisão, o querer) (Salmos 119.131). Produz sentimentos elevados (amor, alegria e paz pelas verdades apreendidas) (Salmos 119.97), abundante sabedoria e correta direção (Salmos 119.98-102).

4. Jerusalém e Betânia. Não podemos desconsiderar a influência de fatores orgânicos, físicos e ambientais em nossa maneira de pensar. Por isso, os cuidados com a saúde mental incluem a observância de uma rotina saudável. Em dias de tanta agitação e pensamento acelerado, Jesus nos convida a descansar o corpo e a mente: “E ele disse-lhes: Vinde vós, aqui à parte, a um lugar deserto, e repousai um pouco” (Marcos 6.31). Há tempo para todo o propósito (Eclesiastes 3.1): tempo de estar em Jerusalém, mas também de ir para Betânia (Mateus 21.17 • João 12.1,2).


SINOPSE II
O cristão deve assumir o controle de sua mente, usando recursos espirituais e bíblicos para pensar conforme a vontade de Deus.

III – A BATALHA NA ARENA DOS PENSAMENTOS
1. Influências espirituais. Não podemos simplificar o processo de controle dos pensamentos, principalmente diante da realidade espiritual que enfrentamos. A mente é como uma arena de intensas batalhas. Com verdadeiros bombardeios, inclusive espirituais. Como Paulo escreveu, há uma luta travada nos lugares celestiais (Efésios 6.12). Em função disso, a Bíblia adverte que devemos guardar nosso coração (ou mente), pois o que pensamos influencia nossos sentimentos, desejos e decisões. Na versão NTLH (Nova Tradução na Linguagem de Hoje), Provérbios 4.23 diz: “Tenha cuidado com o que você pensa, pois a sua vida é dirigida pelos seus pensamentos”. Judas e Ananias são exemplos de personagens bíblicos que deixaram Satanás influenciar seus pensamentos e fazer “ninhos” em suas cabeças. Tiveram fins trágicos (João 13.2,27 • Mateus 27.3-5  Atos 5.1-5).

2. Cuidados práticos. O cristão deve adotar algumas medidas práticas de proteção da mente: a) não nutrir pensamentos distorcidos de si mesmo, que produzem complexos de inferioridade ou superioridade (2 Coríntios 10.13); b) purificar a mente dos maus pensamentos e vigiar contra a mentira e todo o tipo de engano (Tiago 4.8); c) livrar-se da intoxicação — o excesso de informações (principalmente das redes sociais) que produz fadiga, exaustão e ansiedade; d) focar a mente no que edifica ou, pelo menos, instrui (1 Coríntios 10.23; e) construir relacionamentos saudáveis. Contendas verbais geram pensamentos aflitivos e perturbam a mente (Provérbios 12.18  15.4,18  21.19), dificultando a paz interior e o discernimento espiritual.


SINOPSE III
A mente é um campo de batalha espiritual que exige vigilância, pureza e ações práticas para preservar a saúde mental e espiritual.


 CONCLUSÃO
Para um viver equilibrado, com quietude e paz na alma, devemos deixar que o Senhor nos transforme pela constante renovação da nossa mente. Somente assim viveremos em sintonia com sua vontade (Romanos 12.2).


REVISANDO O CONTEÚDO


1. Qual o conceito de “pensamento”?
Pensamentos são processos mentais constituídos de informações, reflexões, lembranças, sentimentos, sons, imagens.

2. Em sua amplíssima capacidade imaginativa, o que o ser humano pode construir na mente?
Em sua amplíssima capacidade imaginativa, o ser humano pode construir, na mente, cenários silenciosos ou barulhentos; simples ou complexos; neutros ou coloridos.

3. Quais os fatores originários dos pensamentos?
A mente cria a partir de conteúdos que obtém por meio dos órgãos dos sentidos, como os olhos, o ouvido, a boca, as mãos, o nariz.

4. O que o uso do imperativo afirmativo “pensai” indica?
O uso do imperativo afirmativo “pensai” indica tratar-se de uma conduta ativa e não passiva.

5. Que medidas práticas podemos adotar para proteger a mente?
a) Não nutrir pensamentos distorcidos de si mesmo; b) purificar a mente dos maus pensamentos; c) livrar-se da intoxicação pelo excesso de informações; d) focar a mente no que edifica; e) construir relacionamentos saudáveis.


NÃO SAIA SEM ANTES

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