Este Blog tem por objetivo explorar temas relacionados à Educação Cristã e ao Ensino Bíblico. Acredito que o conhecimento das Escrituras é essencial para o crescimento espiritual e a formação de discípulos comprometidos. Neste espaço, compartilho insights, reflexões e recursos para enriquecer sua jornada de fé.
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

REFLEXÃO SOBRE O SONETO CONTA E TEMPO

Frei Antônio das Chagas (1631-1682)

Acesse:

        Deus pede hoje estrita conta do meu tempo.
        E eu vou, do meu tempo dar-Lhe conta.
        Mas como dar, sem tempo, tanta conta.
        Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?

        Para ter minha conta feita a tempo
        O tempo me foi dado e não fiz conta.
        Não quis, tendo tempo fazer conta,
        Hoje quero fazer conta e não há tempo.

        Oh! vós, que tendes tempo sem ter conta,
        Não gasteis vosso tempo em passa-tempo.
        Cuidai, enquanto é tempo em vossa conta.

        Pois aqueles que sem conta gastam tempo,
        Quando o tempo chegar de prestar conta,
        Chorarão, como eu, o não ter tempo.

👉Reflexão sobre o Soneto “Conta e Tempo”, de Frei Antônio das Chagas

O Soneto “Conta e Tempo”, de Frei Antônio das Chagas, insere-se profundamente na tradição da poesia barroca portuguesa, marcada pela tensão entre o efêmero e o eterno, entre a vida terrena e a realidade espiritual. 

Como religioso franciscano, o poeta escreve a partir de uma consciência aguda do tempo como dom divino e, ao mesmo tempo, como responsabilidade moral.

No poema, o “tempo” não é apenas uma sucessão de instantes, mas um contador silencioso da existência humana. Cada momento vivido aproxima o homem inevitavelmente do fim, e é justamente essa marcha contínua que desperta o tom de advertência espiritual do soneto. Frei Antônio das Chagas dialoga com a ideia cristã do tempus fugit, muito presente no Barroco, lembrando que os dias passam mesmo quando o ser humano não se dá conta disso.

A palavra “conta”, presente no título, carrega um duplo sentido: refere-se tanto à contagem dos dias quanto à prestação final de contas diante de Deus. O poeta sugere que o tempo não passa sem deixar consequências; ele registra escolhas, omissões, pecados e virtudes. Assim, viver não é apenas existir, mas preparar-se para esse encontro definitivo com a eternidade.

O tom moralizante do soneto não é agressivo, mas pastoral. O eu lírico não se coloca acima do leitor; pelo contrário, fala como alguém igualmente submetido à fragilidade do tempo. Essa característica confere ao poema uma dimensão meditativa, quase devocional, convidando o leitor à introspecção e ao arrependimento sincero.

Do ponto de vista formal, o soneto mantém a estrutura clássica, reforçando a ideia de ordem em contraste com o desordenamento da vida humana quando se afasta de Deus. A linguagem, embora marcada por conceitos abstratos, conserva clareza suficiente para comunicar a urgência da conversão e da vigilância espiritual.

Em síntese, o Soneto “Conta e Tempo” é uma poderosa reflexão sobre a brevidade da vida e a seriedade da existência cristã. Frei Antônio das Chagas transforma o tempo em mestre severo, mas justo, que ensina ao homem a necessidade de viver com sabedoria, consciência e fé. O poema permanece atual porque continua a lembrar que cada instante vivido é, ao mesmo tempo, graça recebida e responsabilidade assumida.

¹² Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios. 
Salmos 90:12

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

NADA VAI ME IMPEDIR: EU VOU PARA A EBD!

NADA VAI ME IMPEDIR: EU VOU PARA A EBD!


Às vezes, a decisão de ir para a Escola Bíblica Dominical parece simples, mas na prática se torna uma verdadeira batalha interior e exterior. A imagem retrata bem essa realidade: alguém querendo avançar, correr, prosseguir — mas sendo puxado por forças contrárias.

Para muitos, essas “cordas” têm nomes:

• O desânimo, que sussurra que “hoje não vai fazer diferença”.
• O cansaço da semana, que tenta convencer que mais alguns minutos na cama são melhores do que aprender a Palavra.
• As distrações, que puxam para outros compromissos aparentemente mais urgentes.
• A luta espiritual, que tenta impedir o crescimento, a comunhão e a edificação.

E, ainda assim, dentro do coração existe o desejo de ir, de aprender, de crescer, de se aproximar de Deus. É como o homem da imagem: a vontade é correr para frente, mas as pressões ao redor tentam segurá-lo.

Ir para a EBD é mais do que cumprir um compromisso — é uma declaração de guerra contra tudo o que tenta nos afastar de Deus. Cada domingo que alguém decide estar lá é uma vitória espiritual. É dizer: “Nada vai me impedir de conhecer mais ao Senhor.”

E quando finalmente chegamos, percebemos que valeu a pena. A Palavra renova, fortalece e corta as cordas que nos seguravam. A comunhão anima, a fé cresce e o espírito se fortalece.

Por isso, mesmo quando parecer difícil, não desista. A EBD é um lugar onde Deus fala, cura, direciona e transforma. Lutar para chegar lá faz parte da caminhada — mas cada passo em direção à Casa do Senhor é um passo rumo à vitória!



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quarta-feira, 8 de outubro de 2025

VASTI: A CORAGEM DE DIZER NÃO


No livro de Ester, encontramos uma mulher que aparece brevemente, mas cuja atitude ecoa com força e coragem ao longo dos séculos: Vasti, a rainha que ousou dizer não ao rei Xerxes.

O Contexto da Corte Persa
O rei Xerxes (Assuero), governante do poderoso Império Persa, decide realizar uma festa grandiosa que dura 180 dias, seguida por mais sete dias de banquete para todos os habitantes da cidadela de Susã. Era um momento de ostentação, poder e vaidade.
Durante esse banquete, já embriagado e cercado por seus oficiais, o rei ordena que Vasti, sua rainha, se apresente diante dos convidados para mostrar sua beleza. A ordem não era apenas um convite real — era uma exposição pública, uma tentativa de transformar a dignidade da rainha em espetáculo.

A Recusa que Mudou a História
Vasti recusa. Ela não se curva. Ela não se apresenta. E com isso, desafia o costume, o poder e a expectativa de submissão.
Sua recusa provoca indignação entre os nobres. Eles temem que outras mulheres sigam seu exemplo. Por isso, aconselham o rei a remover Vasti do trono e a buscar outra rainha — alguém que fosse mais “obediente”.
Assim, Vasti é deposta, e sua saída abre espaço para a entrada de Ester, que mais tarde se tornaria instrumento de salvação para o povo judeu.

A Coragem de Ser Íntegra
O que muitos veem como rebeldia, pode ser visto como dignidade. Vasti não se curvou à exposição humilhante. Ela preservou sua honra, mesmo diante do poder do império.
Aprendo com esta passagem que nem todo “não” é rebeldia. Às vezes, é um ato de fé, de respeito próprio, de obediência a valores mais altos.
Vasti nos ensina sobre limites. Mesmo em posições de destaque, há momentos em que é preciso dizer: “Isso não glorifica a Deus, e eu não participarei.”
Ela perdeu a coroa, mas manteve a integridade. E isso é algo que o mundo não pode tirar. 
Quantas vezes somos pressionados a agradar, a ceder, a nos moldar ao que o mundo espera? 
Que possamos aprender com Vasti a valorizar a dignidade, a resistir à exposição desnecessária, e a honrar a Deus acima de tudo.
Vasti nos ensina que a dignidade vale mais que a posição que ocupamos. Ela poderia ter cedido, mantido sua coroa, agradado o rei. Mas escolheu preservar sua honra.
Em um mundo que muitas vezes exige que nos moldemos aos padrões da vaidade, da exposição e da submissão sem propósito, Vasti nos lembra que dizer “não” pode ser um ato de fé.
Ela não aparece mais nas Escrituras, mas sua atitude permanece como um símbolo de resistência silenciosa, de firmeza e coragem diante daquilo que é preciso dizer não.

Aplicações para Hoje
Mulheres de Deus: Que possam se inspirar em Vasti para manter sua dignidade, mesmo quando isso custa aplausos ou posições.
Homens de Deus: Que aprendam a respeitar o valor da mulher, não como objeto de exibição, mas como parceira, auxiliadora, digna e honrada.
Líderes espirituais: Que saibam discernir entre autoridade e abuso, entre honra e humilhação.

Conclusão
Vasti saiu da história pela porta da coragem. E embora tenha perdido a coroa, ganhou um lugar na memória dos que valorizam a integridade. Que sua atitude inspire líderes, mulheres e homens a viverem com firmeza, mesmo quando o mundo exige concessões.
Que o Espírito Santo nos dê sabedoria para saber quando falar, quando calar, e quando dizer não — mesmo que isso nos custe posições e fim de privilégios e comodidades.


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sexta-feira, 26 de setembro de 2025

ENFRENTAR OU FUGIR? — UM CLAMOR DA ALMA EM SALMOS 55.1-8


Há momentos em que a alma se encontra em um vale profundo, cercada por sombras de angústia, medo e confusão. O coração bate acelerado, não por alegria, mas por aflição. Os pensamentos se embaralham, e o espírito clama por alívio. Foi nesse cenário que Davi escreveu os versos de Salmos 55.1-8 — um grito sincero de quem está entre dois caminhos: enfrentar a dor ou fugir dela.

“Inclina, ó Deus, os teus ouvidos à minha oração, e não te escondas da minha súplica.”  - Versículo 1.

Davi não começa com força, mas com fraqueza. Ele não inicia com louvor, mas com súplica. Seu coração está ferido, e sua alma está inquieta. Ele não pede vitória, pede atenção. O primeiro passo para enfrentar qualquer dor é reconhecer que precisamos de Deus. Fugir pode parecer mais fácil, mas não cura. Enfrentar exige fé, mas traz restauração.

“Sinto-me perplexo em minha queixa e ando perturbado…” - Versículo 2.

A perplexidade é o retrato de quem não entende o que está acontecendo. Davi está confuso, perturbado, como quem perdeu o chão. Quantas vezes nos sentimos assim? Quando a traição vem de quem amamos, quando a injustiça nos atinge, quando o medo nos paralisa. A alma quer fugir, mas o espírito sabe que só em Deus há resposta.

“Temor e tremor me sobrevêm, e o horror me cobriu.” - Versículo 3.

Aqui, Davi revela o impacto emocional da dor. Ele não está apenas triste — está aterrorizado. O tremor não é físico, é espiritual. O horror não está fora, está dentro. E então, ele expressa um desejo que muitos já sentiram:

“Quem me dera asas como de pomba! Voaria e acharia pouso.” - Versículo 6.

Esse é o clímax do conflito: fugir parece ser a solução. Voar para longe, escapar do problema, se esconder no deserto. Davi não quer enfrentar — ele quer desaparecer. 
Mas o deserto não cura, apenas silencia por um tempo. Fugir não resolve, apenas adia. E mesmo que voássemos como pombas, o coração nos seguiria.

“Apressar-me-ia a escapar da fúria do vento e da tempestade.” - Versículo 8.

A tempestade é real. O vento é forte. Mas há um abrigo que não está no deserto, está em Deus. Davi começa o salmo pedindo que Deus incline os ouvidos. E essa é a chave: não é sobre fugir ou enfrentar com nossas forças, mas sobre confiar que Deus está ouvindo.

Pense nisso:
Fugir é humano. Enfrentar é divino. E quando não temos forças para lutar, podemos clamar como Davi. Deus não se esconde da súplica sincera. Ele não despreza o coração quebrantado. Ele não exige coragem perfeita, mas fé verdadeira.

Se hoje você está diante de uma dor que te faz querer fugir, lembre-se: Deus está inclinado para ouvir sua oração. E quando Ele ouve, Ele age. Não fuja da dor — enfrente-a com Deus ao seu lado. Pois o Senhor é refúgio, é força, é abrigo na tempestade.


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terça-feira, 23 de setembro de 2025

A AÇÃO DO TEMPO NA VIDA DO HOMEM: UMA PERSPECTIVA BÍBLICA

O tempo é uma das realidades mais misteriosas e inevitáveis da existência humana. Ele não pode ser detido, acelerado ou revertido. Desde o momento em que o homem é formado no ventre, até o último suspiro, o tempo atua como um agente silencioso, moldando, revelando e conduzindo cada pessoa ao seu destino eterno.

Tempo: Criação de Deus
A Bíblia começa com uma afirmação temporal: “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gênesis 1.1). O tempo, portanto, é uma criação divina, estabelecido para ordenar a existência terrena. Deus, sendo eterno, está fora do tempo, mas escolheu operar dentro dele para se relacionar com o homem.

O salmista declara: “Os dias da nossa vida sobem a setenta anos, ou, havendo vigor, a oitenta; neste caso, o melhor deles é canseira e enfado” (Salmos 90.10). Moisés, autor desse salmo, nos convida a refletir sobre a brevidade da vida e a buscar sabedoria: “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio” (Salmos 90.12).

O Homem e o Tempo
O ser humano vive em constante relação com o tempo. Ele envelhece, amadurece, aprende, sofre, cresce e morre. Cada fase da vida é marcada por experiências que só o tempo pode proporcionar. A juventude é cheia de vigor e sonhos; a maturidade traz responsabilidades e reflexões; a velhice, memórias e sabedoria.
Salomão, em sua sabedoria, escreveu: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu” (Eclesiastes 3.1). Ele descreve uma série de opostos que revelam a dinâmica da vida: nascer e morrer, plantar e colher, chorar e rir. Essa alternância mostra que o tempo é um instrumento pedagógico de Deus.

Tempo e Eternidade
A ação do tempo na vida do homem não é apenas física, mas espiritual. O tempo revela o caráter, prova a fé e prepara o coração para a eternidade. Paulo exorta: “Remindo o tempo, porque os dias são maus” (Efésios 5.16). Isso significa viver com propósito, aproveitando cada oportunidade para glorificar a Deus.

A vida terrena é passageira, mas a eternidade é permanente. O tempo presente é o campo onde se planta a semente da fé, da obediência e da esperança. Jesus disse: “A noite vem, quando ninguém pode trabalhar” (João 9.4), alertando sobre a urgência de cumprir a missão enquanto há tempo.

Aplicações Práticas
• Valorize o tempo como dom de Deus
Cada dia é uma dádiva. Viver com gratidão e propósito transforma o cotidiano em adoração.

•  Planeje com sabedoria, mas dependa de Deus
“Não vos preocupeis com o dia de amanhã” (Mateus 6.34). Planejar é sábio, mas confiar no Senhor é essencial.

•  Invista em relacionamentos eternos
O tempo deve ser usado para amar, perdoar, ensinar e servir. Essas ações ecoam na eternidade.

Prepare-se para o fim com esperança
A morte não é o fim para quem está em Cristo. O tempo presente é preparação para o encontro com o Criador.

•  Ensine outros a viver com propósito
Como pastor, eu tenho a missão de ensinar que o tempo não é apenas cronológico, mas kairológico — cheio de momentos oportunos para Deus agir.


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